Antologia poética
Rio de Janeiro . (2ª ed. aumentada, Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960); Editora A Noite .1954
Antologia poética foi publicado em 1954 (Rio de Janeiro: A Noite; a edição não traz registro de data) 271 p.
As orelhas trazem o seguinte texto de Rubem Braga (1913-1990):
Este livro reúne a maior e a melhor parte da obra de um dos grandes poetas do Brasil.
Vinicius de Moraes nasceu no Rio, em 1913, aqui se formou em Direito e entrou, por concurso, para a carreira diplomática. Serviu durante quatro anos no consulado brasileiro em Los Angeles e está no momento como secretário de nossa embaixada em Paris. Seu primeiro livro foi O caminho para a distância, do qual pouco aproveitou nesta seleção, seguindo-se Ariana, a mulher e Forma e exegese, com o qual conquistou o Prêmio Felipe de Oliveira. Publicou a seguir Novos poemas, Cinco elegias, Poemas, sonetos e baladas e Pátria minha que firmaram seu nome, no consenso da crítica, como o melhor poeta da turma que hoje entra pela casa dos quarenta. Alguns desses livros foram feitos em edições limitadas; todos estão há longo tempo esgotados, o que faz com que grandes admiradores de Vinicius de Moraes conheçam apenas uma pequena parte de sua obra. Esta seleção, feita pelo próprio poeta com a ajuda de amigos - principalmente Manuel Bandeira - adquire, assim, uma grande importância, pois possibilita um estudo da evolução do poeta e a admiração do que ele tem feito de mais alto e melhor.
Vindo de um misticismo de fundo religioso para uma poesia nitidamente sensual que depois se muda em versos marcados por um fundo sentimento social, a obra de Vinicius tem como constante um lirismo de grande força e pureza. Ainda com o risco de incorrer na censura dos que levam suas preocupações puritanas ao domínio das artes, não quiseram os amigos do poeta, principalmente o que assina esta nota, e assim se faz responsável por esta resolução, suprimir algumas palavras ou expressões mais fortes que de raro em raro aparecem em seus versos. Isso fará com que não seja recomendável a presença deste livro em mãos juvenis - mas resguarda a pureza de sua poesia, que tudo, em poesia, transfigura. Estamos certos de que, com a edição deste livro, a obra de Vinicius de Moraes ganhará uma popularidade maior, e passará a ter, entre o público, o lugar de honra que há muito ocupa no espírito e no sentimento dos poetas e dos críticos.
O volume abre-se com uma "Advertência" (do autor, sem dúvida, embora sem assinatura, com indicação de local e data):
Poderia este livro ser dividido em duas partes, correspondentes a dois períodos distintos na poesia do A.
A primeira, transcendental, freqüentemente mística, resultante de sua fase cristã, termina com o poema "Ariana, a mulher", editado em 1936. Salvo, aqui e ali, umas pequenas emendas, a única alteração digna de nota nesta parte foi reduzir-se o poema "O cemitério da madrugada" às quatro estrofes iniciais, no que atendeu o A. a uma velha idéia de seu amigo Rodrigo M.F. de Andrade.
À segunda parte, que abre com o poema "O falso mendigo", o primeiro, ao que se lembra o A., escrito em oposição ao transcendentalismo anterior, pertencem algumas poesias do livro Novos poemas, também representado na outra fase, e os demais versos publicados posteriormente em livros, revistas e jornais. Nela estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos.
De permeio foram colocadas as Cinco elegias (1943), como representativas do período de transição entre aquelas duas tendências contraditórias, - livro também onde elas melhor se encontram e fundiram em busca de uma sintaxe própria.
Não obstante certas disparidades, facilmente verificáveis no índice, impôs-se o critério cronológico para uma impressão verídica do que foi a luta mantida pelo A.contra si mesmo no sentido de uma libertação, hoje alcançada, dos preconceitos e enjoamentos de sua classe e do seu meio, os quais tanto, e tão inutilmente, lhe angustiaram a formação.
Los Angeles, junho de 1949.
As orelhas trazem o seguinte texto de Rubem Braga (1913-1990):
Este livro reúne a maior e a melhor parte da obra de um dos grandes poetas do Brasil.
Vinicius de Moraes nasceu no Rio, em 1913, aqui se formou em Direito e entrou, por concurso, para a carreira diplomática. Serviu durante quatro anos no consulado brasileiro em Los Angeles e está no momento como secretário de nossa embaixada em Paris. Seu primeiro livro foi O caminho para a distância, do qual pouco aproveitou nesta seleção, seguindo-se Ariana, a mulher e Forma e exegese, com o qual conquistou o Prêmio Felipe de Oliveira. Publicou a seguir Novos poemas, Cinco elegias, Poemas, sonetos e baladas e Pátria minha que firmaram seu nome, no consenso da crítica, como o melhor poeta da turma que hoje entra pela casa dos quarenta. Alguns desses livros foram feitos em edições limitadas; todos estão há longo tempo esgotados, o que faz com que grandes admiradores de Vinicius de Moraes conheçam apenas uma pequena parte de sua obra. Esta seleção, feita pelo próprio poeta com a ajuda de amigos - principalmente Manuel Bandeira - adquire, assim, uma grande importância, pois possibilita um estudo da evolução do poeta e a admiração do que ele tem feito de mais alto e melhor.
Vindo de um misticismo de fundo religioso para uma poesia nitidamente sensual que depois se muda em versos marcados por um fundo sentimento social, a obra de Vinicius tem como constante um lirismo de grande força e pureza. Ainda com o risco de incorrer na censura dos que levam suas preocupações puritanas ao domínio das artes, não quiseram os amigos do poeta, principalmente o que assina esta nota, e assim se faz responsável por esta resolução, suprimir algumas palavras ou expressões mais fortes que de raro em raro aparecem em seus versos. Isso fará com que não seja recomendável a presença deste livro em mãos juvenis - mas resguarda a pureza de sua poesia, que tudo, em poesia, transfigura. Estamos certos de que, com a edição deste livro, a obra de Vinicius de Moraes ganhará uma popularidade maior, e passará a ter, entre o público, o lugar de honra que há muito ocupa no espírito e no sentimento dos poetas e dos críticos.
O volume abre-se com uma "Advertência" (do autor, sem dúvida, embora sem assinatura, com indicação de local e data):
Poderia este livro ser dividido em duas partes, correspondentes a dois períodos distintos na poesia do A.
A primeira, transcendental, freqüentemente mística, resultante de sua fase cristã, termina com o poema "Ariana, a mulher", editado em 1936. Salvo, aqui e ali, umas pequenas emendas, a única alteração digna de nota nesta parte foi reduzir-se o poema "O cemitério da madrugada" às quatro estrofes iniciais, no que atendeu o A. a uma velha idéia de seu amigo Rodrigo M.F. de Andrade.
À segunda parte, que abre com o poema "O falso mendigo", o primeiro, ao que se lembra o A., escrito em oposição ao transcendentalismo anterior, pertencem algumas poesias do livro Novos poemas, também representado na outra fase, e os demais versos publicados posteriormente em livros, revistas e jornais. Nela estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos.
De permeio foram colocadas as Cinco elegias (1943), como representativas do período de transição entre aquelas duas tendências contraditórias, - livro também onde elas melhor se encontram e fundiram em busca de uma sintaxe própria.
Não obstante certas disparidades, facilmente verificáveis no índice, impôs-se o critério cronológico para uma impressão verídica do que foi a luta mantida pelo A.contra si mesmo no sentido de uma libertação, hoje alcançada, dos preconceitos e enjoamentos de sua classe e do seu meio, os quais tanto, e tão inutilmente, lhe angustiaram a formação.
Los Angeles, junho de 1949.
Índice
- O olhar para trás
- Ilha do Governador
- Ausência
- O incriado
- A volta da mulher morena
- A mulher na noite
- Agonia
- A legião dos Úrias
- Alba
- O escravo
- A música das almas
- Três respostas em face de Deus
- Ariana, a mulher
- Ária para assovio
- Viagem à sombra
- Balada feroz
- Soneto à lua
- Invocação à mulher única
- Soneto de agosto
- A máscara da noite
- A mulher que passa
- Vida e poesia
- Sonata do amor perdido
- A brusca poesia da mulher amada
- Soneto a Katherine Mansfield
- O cemitério na madrugada
- Soneto de contrição
- Solilóquio
- A vida vivida
- Ternura
- Soneto de devoção
- Balada para Maria
- Poemas para todas as mulheres
- O falso mendigo
- Elegia quase uma ode
- Elegia lírica
- Elegia desesperada
- Elegia ao primeiro amigo
- Soneto de fidelidade
- A morte
- A partida
- Os acrobatas
- Paisagem
- Balada do cavalão
- Canção
- Quatro sonetos de meditação
- O riso
- Pescador
- Soneto de despedida
- Sinos de Oxford
- Trecho
- Mar
- A última elegia (V)
- Marinha
- Balada da praia do Vidigal
- Cântico
- A um passarinho
- Estrela polar
- Soneto do maior amor
- Imitação de Rilke
- Balada do enterrado vivo
- Epitáfio
- Soneto de Londres
- Allegro
- Soneto de véspera
- Balada do mangue
- Soneto a Otávio de Faria
- Rosário
- O escândalo da rosa
- Soneto ao inverno
- Soneto de quarta-feira de cinzas
- Saudade de Manuel Bandeira
- Sombra e luz
- Azul e branco
- Balada de Pedro Nava
- Soneto de carnaval
- Balada das meninas de bicicleta
- Poema de Natal
- Marina
- O dia da criação
- Soneto de separação
- Balada dos mortos dos campos de concentração
- Repto
- O poeta e a lua
- Soneto da rosa
- Valsa à mulher do povo
- Cinepoema
- Mensagem à poesia
- O tempo nos parques
- Mensagem a Rubem Braga
- Balada da moça do Miramar
- Balanço do filho morto
- Balada das arquivistas
- A Verlaine
- A bomba atômica
- Aurora, com movimento
- Balada do morto vivo
- Sacrifício da Aurora
- Crepúsculo em New York
- O rio
- Bilhete a Baudelaire
- A morte de madrugada
- O assassino
- Poema enjoadinho
- Soneto do só
- A pêra
- A paixão da carne
- A ausente
- A rosa de Hiroxima
- Tríptico na morte de Sergei Mikhailovitch Eisenstein
- Pátria minha
- O crocodilo
- História passional, Hollywood, Califórnia
- Conjugação da ausente
- O filho do homem
- Poética
- Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão
- Desert Hot Springs
- Retrato, à sua maneira
- Soneto de aniversário
- Soneto da mulher inútil
- A manhã do morto
- Epitalâmio
- Poema nº três em busca da essência
- Soneto de intimidade
- O poeta
Opções
- O caminho para a distância
- Forma e exegese
- Ariana, a mulher
- Novos poemas
- Cinco elegias
- Poemas, sonetos e baladas
- Pátria minha
- Antologia poética
- Livro de sonetos
- Novos poemas (II)
- Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
- A arca de Noé; poemas infantis
- Poesia completa e prosa (org. Alexei Bueno)
- Poemas esparsos
- Nova antologia poética
- Poemas, sonetos e baladas / Pátria minha
- O caminho para a distância
- O mergulhador
Rio de Janeiro - Brasil - Tel.: +55 (21) 2512-0055 - Fax.: +55 (21) 2511-3415 - contato@vmcultural.com.br
Olá,
ResponderExcluirAchei essa postagem enquanto procurava conteúdos sobre Vinicius de Moraes. Muito interessante!
Abraços,
Lu Oliveira
www.luoliveiraoficial.com.br