domingo, 24 de novembro de 2013

Tia Júlia e o escrevinhador- Mário Vargas Llosa



 

Varguitas é um jovem de 18 anos que trabalha em uma rádio, fazendo notícias. Sua vida se vê mudada com a chegada de dois personagens: tia Júlia e Pedro Camacho, o escrevinhador. Tia Júlia é sua tia, mas ele logo se vê apaixonado por ela, o que irá gerar grande escândalo na família. Camacho é um grande escritor de novelas radiofônicas, cuja genialidade e coerência encanta a todos.

Foi delicioso acompanhar todas as ações de Varguitas, tudo o que ele pensava, o que fazia. Foi como se eu estivesse lendo o diário de um velho amigo, um amigo a muito esquecido, mas muito querido por mim. Ao mesmo tempo em que Varguitas conta sua história, os capítulos vão se revezando entre sua história e as novelas de Pedro Camacho. Cada história é surpreendente ao seu modo, como o homem que teve a irmã comida por ratos, ou o jovem que tem um caso com a irmã, ou a criança problemática mas com um grande dom musical.

Mario Vargas Llosa inova totalmente em seu jeito de escrever. Em sua história vemos muitos aspectos culturais e econômicos do Peru, mostrando como é a vida das pessoas, os trabalhos que fazem. Ao mesmo tempo que nos deliciamos com a história, nos vemos arrastados por esse turbilhão de informações. Nada melhor do que um livro com uma excelente história e que ao mesmo tempo nos transmite conhecimento. Quem não conhece os livros de Mario Vargas Llosa não sabe o que está perdendo.


  1. (eBook) TIA JULIA EO ESCREVINHADOR - Livraria da Travessa

    www.travessa.com.br/eBook_TIA_JULIA_E...ESCREVINHADOR/eBoo...‎
    9788579621673, eBook(eBook) TIA JULIA E O ESCREVINHADOR, Mario Vargas Llosa, Objetiva, ISBN: 9788579621673, Literatura e Ficção, Literatura ...
  2. Tia Julia E O Escrevinhador - Mario Vargas Llosa - Google Books

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    Tia Julia e o escrevinhador é um dos livros mais originais de Vargas Llosa. Mesclando humor e ... e personagens. E, ao mesmo tempo, o romance entre Varguitas e tia Julia é descoberto pela família. ... Get print book. No eBook available ...
  3. [PDF]

    TIA JÚLIA E O ESCREVINHADOR. Rádio, oralidade e memória

    revistas.pucsp.br/index.php/nexi/article/download/2989/8229‎
    de MI Amarante - ‎2012 - ‎Artigos relacionados
    TIA JÚLIA E O ESCREVINHADOR. Rádio, oralidade e memória. Maria Inês Amarante. RESUMO. Este ensaio propõe uma discussão sobre a memória, a cultura ...
  4. Baixe Livros - Baixar livros e muito mais - Ebook home ebook library

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  9. O escritor Mario Vargas Llosa e sua tia Júlia | Blog da Boitempo

    blogdaboitempo.com.br/.../o-escritor-mario-vargas-llosa-e-sua-tia-julia/‎
    15/05/2012 - Em Tia Júlia e o escrevinhador, Mario Vargas Llosa vence o escândalo... à venda em versão eletrônica (ebook), agora com novo preço: R$10.
  10. [Romance] LLOSA, Mario Vargas : Romances - PDL

    www.portaldetonando.com.br/forum/llosa-mario-vargas-t6432.html‎
    10/09/2007 - 23 postagens - ‎16 autores
    Os pais reconciliam-se e, durante sua adolescência, a família ... Em 1977, depois do sucesso com o romance "Tia Julia e o escrevinhador", ... DADOS DO E-BOOK, OPÇÕES DE DOWNLOAD ... .rar com formatos epub e pdf.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O coronel e o lobisomem - José Cândido de Carvalho

O Coronel e o Lobisomem

Romance em primeira pessoa. Ponciano de Azevedo Furtado, neto de Simeão , oficial superior da Guarda Nacional , espécie de heroi picaresco dos Campos dos Goitacazes, estado do Rio de Faneiro, conta suas façanhas e seu esforço em lutar contra as mais variadas formas de infustiça: contra o valente de circo(Vaca-Braba), contra o cobrador de impostos , contra o tipo agiota. Espécie de cavaleiro andante das causas perdidas, solteirão rico, é cobiçado pelas mães ansiosas pelo casamento de suas filhas.
Apesar de fraco no entendimento de coisas econômicas e administrativas ( especulação do açucar) é um forte na arte de desencantar assombrações e cair na artimanha de mulheres casadas. O Coronel e o Lobisomem funde o realismo fantástico (inspirado na literatura de cordel e na fábula), e o retrato dos resíduos da sociedade patriarcal brasileira, valorizadora, da coragem e aatrelada , simultaneamente, a superstições e atavismos de toda a natureza.
Esse realismo "fantástico" ou "mágico" que aproxima José Cândido de Carvalho de autores importantes de ficção latino-americana (Gabriel Garcia Marques), Vargas Losa etc. ) pode ser entendido como a resposta artística ao fenômeno de desmagicização do mundo, resultado do violento choque entre o Ocidente que avança e os povos extra-europeus que se rebelam, tentanto consciente ou incoscientemente , defender suas criaturas autóctones.É ainda uma vez, a luta do instinto contra a civilização; do primitivo contra o moderno, do mágico contra o racional, do surreal contra o real.

domingo, 17 de novembro de 2013

O comedido fidalgo-A vida aventureira de Cervantes em Sevilha

O Comedido Fidalgo - a Vida Aventureira de Cervantes Em Sevilha


As ruas da cidade de Sevilha, na Espanha do final do século XVI, receberam, pelo menos, dois grandes personagens: Alonso de Quesada e Miguel de Cervantes. O segundo ficou mundialmente famoso por Dom Quixote, sua obra universal, e até hoje é louvado como primeiro romancista espanhol. Do primeiro, pouco se sabia até a narração deste O comedido fidalgo, título que remete a ele próprio, o senhor Quesada.

O triunfo do fracasso- Maria Lúcia Pallares Burke

O Triunfo do Fracasso

A sofrida trajetória do alemão Rüdiger Bilden, contemporâneo e amigo de Gilberto Freyre, a quem influenciou de modo expressivo, é o tema central deste livro, escrito por Maria Lucia Garcia Pallares Burke, autora de Gilberto Freyre - um vitoriano dos trópicos (Editora Unesp, 2005). A obra retrata o brilhantismo intelectual, a ascensão e a queda no ostracismo do pensador alemão nascido em 1893.

Título: O Triunfo do Fracasso
Autor: Maria Lucia Garcia Pallares-Burker
Editora: Unesp
Edição: 1
Ano: 2012
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 336 páginas
ISBN: 978-85-3930-350-2
Peso: 660g
Dimensões: 230mm x 160mm

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

As crônicas de Diana- Tina Brown

Livro revela vida amorosa da princesa Diana

"As crônicas de Diana", lançado em inglês, é o livro mais completo sobre a princesa.
Foi escrito por Tina Brown, jornalista que acompanhou toda a história de Diana.
Do G1, em São Paulo
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Foto: Reprodução
Os amantes da princesa Diana, no sentido horário a partir da esquerda e no alto: James Hewitt, James Gilbey, Hasnat Khan, Barry Mannakee, Oliver Hoare e Will Carling (Fotos: AP e Reprodução)
A dois meses de se completarem dez anos da morte da princesa Diana, chega às livrarias a mais completa biografia desse ícone britânico, que mesmo uma década depois continua atraindo a atenção de todo o mundo: “The Diana Chronicles” (As crônicas de Diana) desfaz mitos e lista os casos amorosos da princesa.

O livro foi escrito pela jornalista inglesa Tina Brown, que acompanhou em Londres a ascensão da princesa. E como editora das revistas “Vanity Fair” e “New Yorker”, nos EUA, ela também observou bem de perto o auge da fama e a morte inesperada de Diana, tornando-se uma das pessoas que mais sabiam informações e fofocas sobre a princesa.


 Os amantes da princesa
Brown se baseia em farta pesquisa documental, em seus quatro encontros com Diana e em mais de 250 entrevistas para listar os muitos amantes da princesa.
Foto: Reuters
Diana deixa o carro em Nova York, em 1997 (Reuters)
O primeiro deles, segundo a autora, foi Barry Mannakee, que havia sido seu guarda-costas, em 1985 (nesse ponto Brown afirma ser impossível que o filho mais novo de Diana, Harry, seja filho de algum de seus amantes, já que ele nasceu em 1984 e seu primeiro caso aconteceu um ano depois).

Após levantar suspeitas na família real, Mannakee foi afastado do trabalho de proteção da princesa, e morreu um ano depois num acidente de motocicleta. A própria Diana, segundo Brown, chegou a comentar que achava que ele havia sido assassinado.

Depois de Mannakee veio James Hewitt, agente de segurança da família real, por quem Diana admitiu ter se apaixonado e a quem Brown credita o amadurecimento sexual da princesa. Os dois se relacionaram entre o final dos anos 80 e o início dos 90. Brown diz também que o relacionamento da princesa com Hewitt tinha uma aprovação silenciosa da realeza britânica.

O terceiro amante, flagrado em uma gravação telefônica tratando Diana carinhosamente, foi James Gilbey, famoso produtor de gin. Em seguida, veio o marchand de artes Oliver Hoare, para quem Brown diz que Diana fazia dezenas de ligações anônimas. Depois ela se relacionou também com o jogador de rugby Will Carling, o que levou a esposa dele a pedir o divórcio, alegando o caso dele com a princesa.
Foto: Reuters
Diana e seu filho Harry, em 1988 (Reuters)
Por último, antes do seu namorado oficial, Dodi Fayed, ao lado de quem morreu no acidente de agosto de 1997, Diana teve uma de suas mais fortes paixões, segundo Brown. Logo ao final do seu processo de separação do príncipe Charles, quando a biógrafa já descreve que Diana havia se tornado uma mulher forte e madura, ela se apaixonou pelo cirurgião indiano Hasnat Khan, descrito por Brown como o “amor da vida dela”.

A autora diz acreditar que Charles e Diana realmente estavam apaixonados ao se casarem, em 1981, mas que a relação dos dois havia se tornado profundamente entediante para ambos com o passar do tempo.

É importante lembrar que nenhum dos supostos casos amorosos de Diana, que são listados por este e por outros livros escritos num passado recente, foram confirmados pela princesa em vida.

 Sem conspiração
Brown se esforça em desfazer mitos, como as teorias da conspiração em torno da morte de Diana. Segundo ela, o pai de Dodi, com quem Diana namorava quando morreu, sempre aponta para conspirações por não querer admitir sua parcela de responsabilidade pelo acidente.

Numa entrevista recente à revista norte-americana “Newsweek”, Brown elencou os erros que levaram à morte de Diana apontando que as pessoas que deveriam garantir a segurança da princesa eram funcionários do milionário Mohamed Al-Fayed, e que eles não conseguiram mantê-la segura. Uma responsabilidade não-intencional, ela diz, comentando que acredita que o pai de Dodi era um dos homens que eram apaixonados por Diana.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A perigosa vida dos passarinhos pequenos- Miriam Leitão

  1. A perigosa vida dos passarinhos pequenos - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=G9_kACjOaxA‎

    28/09/2013 - Vídeo enviado por Editora Rocco
    A jornalista apresentou seu novo livro infantil "A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos ...

    Míriam Leitão e a perigosa vida dos passarinhos


    Um passarinho contou para a jornalista Míriam Leitão que ela poderia transformar em livro para crianças toda a experiência na fazenda Brejo Novo, em Minas Gerais, propriedade da sua família. Ela escutou muito bem o recado -  está há anos nessa profissão ouvindo passarinhos soprando em seu ouvido, e não é à toa que figura entre os dez jornalistas mais premiados do Brasil. Só que desta vez não houve metáfora. Vários passarinhos, das mais diferentes espécies, bateram de verdade à sua porta, cantando mais lindo do que nos outros dias, fazendo um verdadeiro balé. Daí surgiu a inspiração para "A perigosa vida dos passarinhos pequenos" (Rocco, 56 páginas, R$ 34,50), primeira obra infantil da autora, já premiada com o Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção em 2012 por "Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda" (Record). "A perigosa vida dos passarinhos pequenos", que traz lindas ilustrações do artista plástico Rubens Matuck, será lançado neste domingo, às 16h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

    A partir da história de um filhotinho de Coleirinho recém-nascido que cai de seu ninho mal posicionado por não haver árvore melhor no terreno onde ele pudesse ser construído, Míriam fala numa aventura cheia de ação, medos, suspense (tudo no mundo das aves!) sobre a importância de se preservar a vegetação nativa do lugar, no caso, as espécies da Mata Atlântica. A história é narrada do ponto de vista dos mais frágeis (porém valentes), os pássaros pequenos, como o Coleirinho, o Sabiá-laranjeira, a Saíra-Dourada, o Sebinho, o Bem-te-vi, o Beija-flor, que dependem das boas árvores para construírem ninhos seguros. Eles é que decidiram, depois de muitas dificuldades, que a área verde da fazenda deveria ser aumentada e foram reivindicar junto aos donos da propriedade uma solução para os seus problemas. Por que os passarinhos pequenos são os que têm a vida mais dura? Para as aves grandes -  que não são apresentadas como vilãs, mas como inimigos naturais, coisas que fazem parte da vida - os perigos são menores. Além de elas mesmas serem assustadoras são também... devoradoras de ninhos pequenos. Os humanos, estes sim, são quase sempre descritos como os destruidores, ou, no mínimo, quando bem-intencionados, ingênuos, quase ignorantes.
    A única salvação para os pássaros pequenos é a união de todas avezinhas que dependem de boas árvores para montarem seus ninhos. Há momentos hilários em que a reunião dos pássaros parece uma assembleia de sindicato. Ironias sutis, como a personalidade destinada a cada pássaro: o Bem-te-vi é o fofoqueiro de plantão (ele nega, diz que está só treinando para ser jornalista); o Trinca-ferro, traumatizado com muitas perdas familiares - isto é, parentes que foram parar na gaiola -, vive recluso. Mas sabe que é dono de uma voz poderosa e não esconde a vaidade. O João-bobo é o conciliador do grupo. Há outro momento maravilhoso no livro, quando os pássaros criadores do "grupo dos sem árvores" invadem a Fazenda Brejo Novo porque souberam que ali naquele lugar ninguém mais derruba árvore. Quase há um confronto entre passarinhos da fazenda versus invasores, mas eles percebem que juntos são mais fortes.

    Enfim eles se acertam e decidem fazer um belo concerto para os proprietários da terra. É nessa apresentação que, com suas belas canções, sopram aos pés dos ouvidos dos humanos a necessidade de mais árvores no Brejo Novo. E um passarinho vai lá e dá a ideia para a Míriam: "faz o livro infantil". 

    Ela fez e, batendo as asas por essa linda história, aprendemos as características de cada passarinho, fruto do trabalho jornalístico da autora. A fazenda já abriga mais de 156 espécies de pássaros e mais de 32 mil mudas nativas da Mata Atlântica já foram plantadas. São demais os perigos desta vida, mas para os pequenos pássaros da Fazenda Brejo Novo nem tanto, porque Míriam Leitão se apaixonou por
    eles.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Análise da Obra :A bagaceira

Análise da obra


A bagaceira, publicada em 1928, é a obra introdutora do romance regionalista no país. A colisão dos meios pronunciava-se no contato das migrações periódicas. Os sertanejos eram mal-vistos nos brejos. E o nome de brejeiro cruelmente pejorativo. 

O enredo do romance trata das questões do êxodo, os horrores gerados pela seca, além da visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia. A Bagaceira tem intenção crítica social, descambando, às vezes, para o panfletário, para o enfático e demagógico. Para o autor, o romance procura confrontar, em termos de relações humanas e de contrastes sociais, o homem do sertão e o homem do brejo (dos engenhos). Aproximando o sertanejo do brejeiro, na paisagem nordestina, José Américo de Almeida condiciona os elementos dramáticos aos ciclos periódicos da seca, os quais delimitam a própria existência do sertanejo.
 
Sob iluminação diferente, são postos em confronto, em A Bagaceira, os nordestinos do brejo e os do sertão. Brejeiros e sertanejos, submissão e liberdade, eram examinados com uma visão realista, se bem que, no registro das virtudes sertanejas possa notar-se, vez por outra, certo favorecimento (não intencional).

O título desse romance denomina o local em que se juntam, no engenho, os bagaços da cana. Figuradamente, pode indicar um objeto sem importância, ou ainda, "gente miserável". Todos esses significados se podem mobilizar no entendimento de A Bagaceira, romance de ardor e violência, desavenças familiares, flagelações da seca.

O autor que, antes, estreara vitoriosamente no ensaio, deixa transparecer aprofundado conhecimento do ambiente e do homem paraibano, anotando pormenores, acentuando os traços mais definidores, integrado na paisagem e na estrutura social cheia de injustiças.
 
O tempo é entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. Tangidos pelo sol implacável, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Vão para as regiões dos engenhos, no rejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio. Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade por quem se apaixona. Lúcio retorna à academia e quando retorna em férias para a companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor Manuel Broca, suposto sedutor e amante de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Valentim e informa o pai de sua intenção de casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho. E então tudo é esclarecido: Soledade é prima de Lúcio, e Dagoberto foi quem realmente a seduziu. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica ao padrinho (Valentim) e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho (Dagoberto), até que ele possa executar o seu "dever": matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor do engenho Marzagão, herdado por Lúcio, com a morte do pai. Em 1915, por outro período de seca, Soledade, já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio, para lhe entregar o filho, fruto do seu amor com Dagoberto. 
 
O relato abre o ciclo do romance de 1930, entre outras razões por sua força de denúncia dos horrores gerados pela seca.

É digno de nota o prefácio que vale tanto ou mais do que próprio texto narrativo. Destaque para o espanto do escritor face às mazelas: "Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã." 

Na narrativa há um choque de três visões que correspondem a três processos sócio-culturais distintos: 

1) Visão rústica dos sertanejos, com seu sentido ético arcaico. 
2) Visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia. 
3) Visão civilizada (moderna, urbana) de Lúcio, traduzindo um novo comportamento de fundo burguês e que logo seria autorizado pela Revolução de 30.

É digno de nota o projeto modernizador do personagem Lúcio ao assumir o comando do engenho: alfabetização dos filhos dos trabalhadores, melhores condições de habitação, etc. Ou seja, aquilo que Getúlio Vargas proporia nos anos seguintes como alternativa para o país. 

O livro apresenta uma mistura de linguagem tradicional - dominada por um tom desagradavelmente sentencioso - com um gosto modernista por elipses e imagens soltas, e ainda pelo uso de algumas expressões coloquiais ou regionais. Na obra a linguagem do narrador faz esforço para não se afastar em demasia da dos personagens, dialetal, folclórica. 

Fora sua notável importância histórica, A bagaceira é um romance frustrado por causa do excesso de análise sociológica. É como se a ânsia do autor em tudo explicar, destruísse todo e qualquer efeito sugestivo da narrativa. 

Personagens centrais

Dagoberto Marçau - Proprietário do engenho Marzagão, simboliza a prepotência,  contrapondo-se à fraqueza dos trabalhadores da bagaceira. Considera-se "dono " da justiça e seu código é simples: "O que está na terra é da terra". Se ele é o senhor da terra, tudo que nela dá é da terra (ou seja, dele próprio). "Se ele é o senhor da terra, tudo que nela se encontra lhe pertence, até os próprios homens que trabalham no engenho. Assim pensa e assim age. Seduz  Soledade, vendo  na sertaneja semelhança com sua ex-mulher.
 
Lúcio - Humano, idealista, sonhador, apaixona-se por Soledade, com quem mantém um romance puro. Não compartilha as idéias de seu pai, Dagoberto Marçau, para quem "hoje em dia não se guarda mais na cabeça: só se deve guardar nas algibeiras. "Acreditava que  se podia desmontar a estrutura anacrônica do engenho: "Quanta energia mal empregada na desorientação dos processos agrícolas!  

A falta de método acarretava uma precariedade responsável pelos apertos da população misérrima. A gleba inesgotável era aviltada  por essa prostração  econômica. A mediania do senhor rural e a ralé faminta".

Soledade - Filha de Valentim Pereira, representa a beleza agreste do sertão. Aos olhos de Lúcio, a sertaneja. "não correspondia pela harmonia dos caracteres às exigências do seu  sentimento do tipo humano. Mas, não sabia por que, achava-lhe um sainete novo na feminilidade indefinível. As linhas físicas não seriam tão puras. Mas o todo picante tinha o sabor esquisito que se requintava em certa desproporção dos contornos e, notadamente, no centro petulante dos olhos originais."... "Era o tipo modelar de uma raça selecionada , sem mescla, na mais sadia consanguinidade."

A presença da sertaneja no engenho colocará uma barreira ainda maior entre Dagoberto e Lúcio. Por  Soledade Valentim se torna assassino e Pirunga causa a morte do senhor de engenho.

Valentim Pereira - Representa o sertão: destemido, arrojado e altivo. Como bom sertanejo pune pela honra de uma mulher, mata o feitor Manuel Broca, apontado como sedutor de sua filha. Mas a  "idéia fixa da honra sertaneja" vai além: a cicatriz que lhe marcava o rosto era resultado de uma briga mortal com um amigo, que desonrara uma  moça, neta de um "velhinho", de quem o tempo quebrara as forças. O diálogo entre Valentim e Brandão de Batalaia (assim se chamava o "velhinho")  é bem ilustrativo: "Que é que vossamecê manda? Ele respondeu que só queria era morrer. Eu ajuntei: E por  que não quer matar?..."

Pirunga - Filho de criação de Valentim Pereira, a quem tributa lealdade. Ama Soledade, mas seu amor não encontra receptividade. Assim como Valentim, simboliza o sertão: valente, intrépido, altivo... Por ocasião da festa no rancho, vai em defesa de Latomia: enfrentando a polícia.

Jornal Resumindo a Literatura Machado de Assis: o mestre que dissecou a alma brasileira

Introdução Machado de Assis: O "Bruxo" que Hackeou a Alma Humana (e por que ele ainda é mais moderno que você) Vivemos em uma er...