quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Resenha do livro Feliz Ano Velho

 Livro: Feliz Ano Velho
Autor (a): Marcelo Rubens Paiva
Editora: Editora Brasiliense
Páginas: 232
ISBN: 851150094
Edição: 72º, 1989

Sinopse: A partir do acidente que sofreu ao dar um mergulho e bater a cabeça, Marcelo vê sua vida mudar radicalmente. Seus dias no hospital, as visitas que recebeu, as histórias que viveu são relatadas sob uma nova perspectiva: a de um jovem que sempre fez tudo o que podia e queria, e que, agora, sentado em uma cadeira de rodas, vê-se impotente diante dos acontecimentos, dependendo da ajuda de amigos e familiares para reaprender a viver.

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Ao mergulhar no rio, Marcelo bateu a cabeça e acabou fraturando a coluna. De inicio, sua vida tornou-se confusa e incerta, inúmeras perguntas atormentadoras foram feitas, mas ninguém, nem mesmo a medicina poderia garantir que Marcelo pudesse, um dia, voltar a ter os movimentos dos braços e das pernas. 
    Ficar dia e noite deitado, imóvel em uma cama hospitalar se tornou uma experiência totalmente desagradável. E quando as coceiras começavam? E quando a dor de barriga vinha? Não ter controle sobre seu próprio corpo deixava Marcelo nervoso, e pior, com medo. O teto era a única visão que nosso protagonista tinha direito, mas a companhia de diversas pessoas queridas fez com que ele não desistisse de lutar. 
   Aos poucos, com fisioterapia e com o auxilio de tecnologias, Marcelo começou a recuperar a sensibilidades em algumas partes do corpo, sem que tivesse, ao menos, a independência, que era tão importante. Memórias surgiam a todo o momento, a vontade de voltar no tempo, de aproveitar momentos, de ver pessoas amadas. No entanto, era necessário olhar para frente e lutar, mesmo que cansado, mesmo que impaciente. O acidente lhe deixara marcas, não somente em seu corpo, mas marcas em sua alma, e Marcelo jamais se esqueceria desse ensinamento que o destino lhe atribuíra.

    Primeiramente, é importante lembrar que se trata de uma obra baseada em fatos reais, escrita pelo próprio Marcelo – o protagonista. Portanto, é um livro cheio de histórias paralelas, cheio de emoção e, principalmente, com cenas completamente reais. 
    A narração é em primeira pessoa e inteiramente informal, com de gírias, e repleta de pensamentos e xingamentos do protagonista. Mas, estranhamente, a linguagem grosseira não me incomodou do modo que pensei que aconteceria. Talvez por ser um relato, a narração teve uma combinação perfeita com a história, algo complementar e necessário. Contudo, não posso deixar de mencionar a dificuldade de entender algumas memórias de Marcelo, justamente por serem descritas desta forma. 
    Como mencionado, o enredo não é linear. Há uma divisão entre passado e presente, que foi muito mal arquitetada, deixando o livro confuso, e, em algumas situações, sem sentido. Cada vez que um personagem novo entrava em cena – e são muitas pessoas que vão visitar Marcelo – histórias passadas enchiam as páginas. Não consegui acompanhar algumas memórias, muito menos, decorar todas as “namoradas” mencionadas pelo narrador. 
    Alguns pontos importantes em Feliz Ano Velho são os fatos históricos vividos ou comentados. O pai de Marcelo, como exemplo, era um deputado famoso, que desapareceu no período da ditadura militar no Brasil; e o próprio escritor fazia parte de organizações estudantis com grande influencia na pré-redemocratização do país. Isso contribuiu para que eu pudesse reconhecer melhor o cenário em que a história vivia. 
   Marcelo foi um protagonista totalmente peculiar. Tinha um gênio forte e idéias conflitantes, mas principalmente, era um personagem misterioso. No inicio, assustei-me com sua arrogância, seu machismo, mas depois consegui me entrosar melhor com sua personalidade e entender melhor seu modo de pensar. Inclusive, peguei-me assistindo o amadurecimento do personagem, e é surpreendente a diferença do protagonista dos começos das páginas e as do final.
    Há, sim, apologia às drogas e ao sexo, afinal, nosso protagonista não é alguém muito comportado. E então, dessa maneira é mostrado com nitidez como se comportavam alguns jovens daquela época. No final das contas, Marcelo me lembra muito Cazuza, até porque também tinha o dom para musica. 
   
    Gostei de ter contato com essa história, especialmente porque traz ensinamentos e reflexão. Talvez se a história do livro fosse editada, e sua estrutura mudasse, o enredo se tornaria muito mais palpável e de fácil assimilação. Mas Feliz Ano Velho, é sem dúvidas, um livro curioso e especial. Ao lê-lo, entendemos o que se passa na mente de um tetraplégico, do quanto é difícil essa posição na sociedade. Amei ver as criticas que Marcelo atribuía ao nosso governo e ao nosso comportamento, assim como amei o final do livro. Não havia como ter um final mais impactante. 
    Por mais defeitos que apresente, é uma obra pequena, envolvente, e de leitura rápida. Vale muito apena investir! Indico a todos os públicos.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Biografia de Gil Vicente

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Pouco se sabe sobre a vida de Gil Vicente, autor deAuto da Barca do Inferno. Ele teria nascido por volta de 1465, em Guimarães ou em outro lugar na região da Beira. Casado duas vezes, teve cinco filhos, incluindo Paula e Luís Vicente, que organizou a primeira compilação das suas obras.
No início do século 16, há referência a um Gil Vicente na corte, participando dos torneios poéticos. Em documentos da época, aparece outro Gil Vicente, ourives, a quem é atribuída a Custódia de Belém (1506), recipiente para exposição de hóstias feita com mais de 500 peças de ouro. Há ainda mais um Gil Vicente que foi "mestre da balança" da Casa da Moeda. Alguns autores defendem, sem provas, que os três seriam a mesma pessoa, embora a identificação do dramaturgo com o ourives seja mais viável, dada a abundância de termos técnicos de ourivesaria nos seus autos.
Ao longo de mais de três décadas, Gil Vicente foi um dos principais animadores dos serões da corte, escrevendo, encenando e até representando mais de quarenta autos. O primeiro deles, o "Monólogo do Vaqueiro" (ou "Auto da Visitação"), data de 1502 e foi escrito e representado pelo próprio Gil Vicente na câmara da rainha, para comemorar o nascimento do príncipe dom João, futuro rei dom João 3o. O último, "Floresta de Enganos", foi escrito em 1536, ano que se presume seja o da sua morte.
O "Auto da Sibila Cassandra", escrito em 1513, introduz os deuses pagãos na trama e por isso é considerado por alguns como o marco inicial do Renascimento em Portugal.
Alguns dos autos foram impressos sob a forma de folhetos e a primeira edição do conjunto das obras foi feita em 1562, organizada por Luís Vicente. Dessa primeira compilação não constam três dos autos escritos por Gil Vicente, provavelmente por terem sido proibidos pela Inquisição. Aliás, o índice dos livros proibidos, de 1551, incluía sete obras do autor.
Gil Vicente foi considerado um autor de transição entre a Idade Média e o Renascimento. A estrutura das suas peças e muitos dos temas tratados foram desenvolvidos a partir do teatro medieval, defendendo, por exemplo, valores religiosos. No entanto, alguns apontam já para uma concepção humanista, assumindo posições críticas.
Em 1531, em carta ao rei, Gil Vicente defendeu os cristãos-novos, a quem tinha sido atribuída a responsabilidade pelo terremoto de Santarém. Também no "Auto da Índia" apresentou uma visão antiépica da expansão ultramarina.
Gil Vicente classificou suas peças dividindo-as em três grupos: obras de devoção, farsas e comédias. Seu filho, Luís Vicente acrescentou um quarto gênero, a tragicomédia.
Estudiosos recentes preferem considerar os seguintes tipos: autos de moralidade, autos cavaleirescos e pastoris, farsas, e alegorias de temas profanos. No entanto, é preciso lembrar que, por vezes, na mesma peça encontramos elementos característicos de vários desses gêneros.
Gil Vicente vai muito além daquilo que, antes dele, se fazia em Portugal. Revela um gênio dramático capaz de encontrar soluções técnicas à medida das necessidades. Nesse sentido, ele pode ser encarado como o verdadeiro criador do teatro nacional.
Por outro lado, a dimensão e a riqueza da sua obra constituem um retrato vivo da sociedade portuguesa, nas primeiras décadas do século 16, onde estão presentes todas as classes sociais, com os seus traços específicos, seus vícios e suas preocupações. Também no aspecto linguístico o valor documental da sua obra é inestimável e constitui uma grande fonte de informação sobre o início do século 16 em Portugal.

Jornal Resumindo a Literatura Machado de Assis: o mestre que dissecou a alma brasileira

Introdução Machado de Assis: O "Bruxo" que Hackeou a Alma Humana (e por que ele ainda é mais moderno que você) Vivemos em uma er...