Livro: Feliz Ano Velho
Autor (a): Marcelo Rubens Paiva
Editora: Editora Brasiliense
Páginas: 232
Editora: Editora Brasiliense
Páginas: 232
ISBN: 851150094
Edição: 72º, 1989

Edição: 72º, 1989
Sinopse: A partir do acidente que sofreu ao dar um mergulho e bater a cabeça, Marcelo vê sua vida mudar radicalmente. Seus dias no hospital, as visitas que recebeu, as histórias que viveu são relatadas sob uma nova perspectiva: a de um jovem que sempre fez tudo o que podia e queria, e que, agora, sentado em uma cadeira de rodas, vê-se impotente diante dos acontecimentos, dependendo da ajuda de amigos e familiares para reaprender a viver.
Ao mergulhar no rio, Marcelo bateu a cabeça e acabou fraturando a coluna. De inicio, sua vida tornou-se confusa e incerta, inúmeras perguntas atormentadoras foram feitas, mas ninguém, nem mesmo a medicina poderia garantir que Marcelo pudesse, um dia, voltar a ter os movimentos dos braços e das pernas.
Ficar dia e noite deitado, imóvel em uma cama hospitalar se tornou uma experiência totalmente desagradável. E quando as coceiras começavam? E quando a dor de barriga vinha? Não ter controle sobre seu próprio corpo deixava Marcelo nervoso, e pior, com medo. O teto era a única visão que nosso protagonista tinha direito, mas a companhia de diversas pessoas queridas fez com que ele não desistisse de lutar.
Aos poucos, com fisioterapia e com o auxilio de tecnologias, Marcelo começou a recuperar a sensibilidades em algumas partes do corpo, sem que tivesse, ao menos, a independência, que era tão importante. Memórias surgiam a todo o momento, a vontade de voltar no tempo, de aproveitar momentos, de ver pessoas amadas. No entanto, era necessário olhar para frente e lutar, mesmo que cansado, mesmo que impaciente. O acidente lhe deixara marcas, não somente em seu corpo, mas marcas em sua alma, e Marcelo jamais se esqueceria desse ensinamento que o destino lhe atribuíra.
Primeiramente, é importante lembrar que se trata de uma obra baseada em fatos reais, escrita pelo próprio Marcelo – o protagonista. Portanto, é um livro cheio de histórias paralelas, cheio de emoção e, principalmente, com cenas completamente reais.
A narração é em primeira pessoa e inteiramente informal, com de gírias, e repleta de pensamentos e xingamentos do protagonista. Mas, estranhamente, a linguagem grosseira não me incomodou do modo que pensei que aconteceria. Talvez por ser um relato, a narração teve uma combinação perfeita com a história, algo complementar e necessário. Contudo, não posso deixar de mencionar a dificuldade de entender algumas memórias de Marcelo, justamente por serem descritas desta forma.
Como mencionado, o enredo não é linear. Há uma divisão entre passado e presente, que foi muito mal arquitetada, deixando o livro confuso, e, em algumas situações, sem sentido. Cada vez que um personagem novo entrava em cena – e são muitas pessoas que vão visitar Marcelo – histórias passadas enchiam as páginas. Não consegui acompanhar algumas memórias, muito menos, decorar todas as “namoradas” mencionadas pelo narrador.
Alguns pontos importantes em Feliz Ano Velho são os fatos históricos vividos ou comentados. O pai de Marcelo, como exemplo, era um deputado famoso, que desapareceu no período da ditadura militar no Brasil; e o próprio escritor fazia parte de organizações estudantis com grande influencia na pré-redemocratização do país. Isso contribuiu para que eu pudesse reconhecer melhor o cenário em que a história vivia.
Marcelo foi um protagonista totalmente peculiar. Tinha um gênio forte e idéias conflitantes, mas principalmente, era um personagem misterioso. No inicio, assustei-me com sua arrogância, seu machismo, mas depois consegui me entrosar melhor com sua personalidade e entender melhor seu modo de pensar. Inclusive, peguei-me assistindo o amadurecimento do personagem, e é surpreendente a diferença do protagonista dos começos das páginas e as do final.
Há, sim, apologia às drogas e ao sexo, afinal, nosso protagonista não é alguém muito comportado. E então, dessa maneira é mostrado com nitidez como se comportavam alguns jovens daquela época. No final das contas, Marcelo me lembra muito Cazuza, até porque também tinha o dom para musica.
Gostei de ter contato com essa história, especialmente porque traz ensinamentos e reflexão. Talvez se a história do livro fosse editada, e sua estrutura mudasse, o enredo se tornaria muito mais palpável e de fácil assimilação. Mas Feliz Ano Velho, é sem dúvidas, um livro curioso e especial. Ao lê-lo, entendemos o que se passa na mente de um tetraplégico, do quanto é difícil essa posição na sociedade. Amei ver as criticas que Marcelo atribuía ao nosso governo e ao nosso comportamento, assim como amei o final do livro. Não havia como ter um final mais impactante.
Por mais defeitos que apresente, é uma obra pequena, envolvente, e de leitura rápida. Vale muito apena investir! Indico a todos os públicos.
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