Aposto que se você julgasse pela capa e pelo título, talvez não desse uma chance para o livro. Se você soubesse que o autor começou a escrever este livro quando tinha apenas 16 anos e que este foi seu primeiro livro publicado, talvez ficasse curioso, ou talvez pensasse que o jovem autor não tem muitas coisas a dizer além do que sempre é dito nos livros YA's. E é por isso que tive tanto receio de escrever essa resenha: é simplesmente muito difícil resenhar um livro que a gente gostou tanto e que tem uma história tão interessante.
Henry é um garoto que sofre do transtorno de estresse pós-traumático. Vive tomando vários e vários comprimidos e foge de tudo que o faça lembrar daquela noite onde sua vida mudou tão de repente. Tudo andava na rotina, até que Henry e sua namorada terminam e ele faz um novo amigo, Charlie. Até aí a história soa comum, nada de inovador, a mesma história de sempre. Porém, a partir dessa amizade, a história vai tomando rumos inesperados no imaginário e nos diálogos entre os dois amigos. Religião, vida, morte, destino, escola, amor... São muitos os assuntos que são discutidos. É como se enquanto Henry tivesse milhares de dúvidas, Charlie aparecesse com algumas resposta, mas ainda mais dúvidas. Enquanto Henry acha que tudo é subjetivo, Charlie divide o mundo em compartimentos, cataloga as pessoas em tipos, cria filosofias de vida na base do "viva o hoje sem se importar com o amanhã", "faça o que der na telha".
O que aparenta é que Charlie e Henry foram apenas mecanismos utilizados pelo autor para organizar suas próprias ideias. Explico: quem nunca teve ideias opostas dentro de si? Como saber o que é certo e o que errado quando há tanto a se considerar? É como se Charlie e Henry fossem uma única pessoa, mas cada um representando um desses lados, discutindo entre si a fim de chegar à uma resposta (esta que talvez nunca seja encontrada). Ler "Cidade Mágica" é como encontrar a si próprio e ver em palavras muitos daqueles pensamentos confusos que aparecem em nossa mente quando somos jovens.
"É um negócio complicado, crescer. Você passa sua vida inteira acreditando que o mundo é de um jeito e, então, do nada, tudo muda. Você percebe que talvez seus pais não saibam de tudo, seu governo é corrupto, seus ancestrais são assassinos. Você descobre que um dia vai morrer e, depois disso, quem sabe realmente o que acontece? Em pequenas doses, você aprende que o mundo não é absolutamente nada parecido com o que as pessoas lhe contaram."
É um livro psicológico e que, consequentemente, nos faz pensar. Fui fisgada já na sinopse e não larguei o livro até chegar a conclusão, já curiosa para saber quem foi o autor desse livro tão inexplicável. O livro conta com, basicamente, cinco personagens, mas o foco é totalmente em Charlie e Henry, ou melhor, em suas ideias sobre tudo. É um livro para adolescentes escrito por um adolescente, retratando todo aquele período de dúvidas, mas sem pisar na terra dos clichês ou das histórias comuns! Super, mega, ultra indicado!
"Cidade Mágica" será lançado pela Bertrand Brasil ainda este mês.

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