O espelho mágico de Mario Quintana
Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e advogado – Cuiabá - MT
O livro “Espelho mágico”, de Mario Quintana, é daqueles de se ter sempre ao lado da cama. São 111 epigramas sobre o cotidiano. Versos rápidos, por vezes irônicos, por vezes crítico e, por vezes, ambos. O livro foi lançado em 1951 e muitos dos versos se tornaram bastante popular. O epigrama seguinte é sempre bem propício:
Se se pudesse dar, indefinidamente,
Mas sem, do que se deu, nada perder, em suma.
Ainda assim, muita gente
Nunca daria coisa alguma...
E tem coisas singelas, como:
Eu, agora – que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Gosto muito da seguinte:
Suave Preguiça, que do malquerer
E de tolices mil ao abrigo nos pões...
Por causa tua, quantas más ações
Deixei de cometer!
Há epigramas belíssimos:
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!
E tem versos polêmicos, ainda mais se considerarmos a época do livro:
Se Deus, tal como Satanás, procura
As almas aliciar... por que deixa ao Pecado
Esse caminho suave, essa fatal doçura
E faz do Bem um fruto amargo e indesejado?
Ou ainda:
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Para finalizar, uma pérola:
Impossível será que melhor vida exista,
Enquanto o mundo assim se distribuir:
No palco, a Estupidez, para ser vista,
E a Inteligência na plateia, a rir...
Fica a sugestão de leitura...
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