GOVERNO ADIA OBRIGATORIEDADE DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO
Nos últimos dias de 2012, a presidente Dilma Rousseff decidiu adiar a obrigatoriedade do uso do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, assinado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 2008. De acordo com o decreto, redigido pelo Ministério de Relações Exteriores, o novo prazo para a entrada em vigor do novo acordo é 01º de janeiro de 2016.
O pedido de adiamento do prazo partiu de uma decisão conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, da Cultura e da Casa Civil. Técnicos e subchefes dos três ministérios ressaltam a importância de ajustar o prazo brasileiro com o de Portugal, que tem mais três anos para aplicar o Acordo no país. Com o novo decreto, os brasileiros poderão utilizar as duas normas ortográficas.
Para quem está por fora do assunto, vale dizer que a decisão tem uma motivação muito mais política do que prática. Dos oito países que assinam o documento, o Brasil, sem dúvida, é o que mais avançou na implantação do acordo. Atualmente, toda a produção editorial publicada no país já é lançada sob o novo acordo ortográfico. Segundo o secretário de Educação Básica, César Callegari, em entrevista ao portal G1, o MEC é favorável a alinhar o cronograma brasileiro com o dos outros países, especialmente Portugal.
A pedagogia em debate
Com o adiamento do acordo, muitos educadores e especialistas contrários às novas regras ortográficas enxergam uma nova oportunidade para debater a implantação do acordo. Ernani Pimentel, presidente do Movimento Acordar Melhor, acredita que o acordo apresenta um formato bastante antiquado em relação às práticas pedagógicas adotadas pelas escolas brasileiras. "Na década de 70, quando o acordo foi assinado, a educação se baseava na didática da memorização, na chamada 'decoreba'. Em história, o que se estudava história eram nomes e datas, e em português eram só as regras e as exceções. Mas a pedagogia foi evoluindo, e hoje o aluno está acostumado a racionar, ele quer pensar e entender, e não ficar decorando, e essas regras são baseadas ainda na pedagogia antiga".
E você, o que acha desse assunto?
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