terça-feira, 21 de abril de 2026

O universo de Haroldo de Campos e o concretismo da Vanguarda Brasileira

 

1- Intodução

A poesia nem sempre se limita aos versos tradicionais. Em alguns momentos da história literária, ela rompe padrões e propõe novas formas de expressão. É nesse contexto que surge o Concretismo, movimento inovador da literatura brasileira, que transforma a palavra em imagem, som e estrutura visual.

Neste post, vamos explorar o universo de Haroldo de Campos, um dos principais nomes desse movimento, compreendendo suas contribuições e a importância da Vanguarda Brasileira para a renovação da linguagem poética.

Para introduçâo ao universo de Haroldo de Campos apresentarei um shorts sobre o tema.



Vídeo 1: Sobre Haroldo De Campos

2-Sobre o Vídeo:

Este vídeo é sobre Haroldo de Campos.Quem é Haroldo de Campos?
Haroldo de Campos (1929-2003) foi um importante poeta, tradutor e ensaísta brasileiro, tendo publicado mais de 30 volumes dos mais diversos tipos. Foi um dos idealizadores do movimento da poesia concreta, junto com seu irmão Augusto de Campos e Décio Pignatari.Na poesia, um movimento de destaque foi o Concretismo e um dos seus fundadores foi Haroldo de Campos. 


Vídeo 2: A página como tela concreta

3-  Sobre o Vídeo

Este vídeo explora a trajetória intelectual e artística de Haroldo de Campos, figura central da poesia concreta e da vanguarda brasileira.É realçada a profunda ligação de Haroldo com a estética neobarroca, caracterizada pela fragmentação, hibridismo linguístico e pela valorização da materialidade visual e sonora da palavra.


 4. Sobre o Podcast

Este podcast apresenta uma introdução clara e reflexiva sobre o movimento concretista na literatura brasileira, com destaque para a obra e a contribuição de Haroldo de Campos.

Ao longo do áudio, o ouvinte é convidado a compreender como o Concretismo rompeu com as estruturas tradicionais da poesia, explorando a disposição visual das palavras, a sonoridade e a construção de sentidos para além do verso convencional.

O conteúdo também evidencia o papel da Vanguarda Brasileira na renovação estética da linguagem, mostrando como a poesia concreta propõe uma leitura ativa, em que o leitor participa da construção do significado.

🎙️ Ideal para estudantes, professores e amantes da literatura que desejam compreender, de forma acessível, um dos movimentos mais inovadores da produção literária brasileira.



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 5-📖 Para refletir

  • Como o Concretismo modifica a forma tradicional de fazer poesia?
  • Qual a importância da linguagem visual na construção de sentidos?
  • De que maneira a obra de Haroldo de Campos dialoga com o leitor contemporâneo?

6-Contexto da Postagem

 A entrevista no programa Roda Viva apresenta **Haroldo de Campos** como um dos mais importantes poetas brasileiros, reconhecido internacionalmente. Sua obra, que inclui poesia, ensaios e traduções, é marcada pela *beleza e transgressão*. Haroldo, junto com seu irmão **Augusto de Campos** e **Décio Pignatari**, foi um dos pilares do concretismo, um movimento que revolucionou o panorama poético e literário brasileiro. O concretismo resgatou talentos como **Oswald de Andrade**, **Pagu** e **Gregório de Matos**, trouxe a poesia russa de **Maiakovski** para a luz tropical e substituiu as traduções por "transcriações" em diversas línguas, encurtando distâncias entre ideias e ritmos.

 A revista *Invenção* foi o canal de vanguarda do movimento nos anos 60, em uma época em que a arte popular levava os poetas concretos a serem taxados de *elitistas*. Uma de suas obras mais conhecidas, *Galáxias*, próxima da prosa barroca, levou treze anos para ser escrita e teve fragmentos popularizados na voz de **Caetano Veloso** e na mente do cineasta **Júlio Bressane**. Haroldo de Campos é descrito como um "gladiador que aniquila o tédio fazendo revoluções", lançando arte e novas perspectivas.

 *O Mais Barroco dos Concretistas*: Uma Contradição Aparente

 Em uma entrevista de 1996, Haroldo de Campos foi descrito como "o mais barroco dos concretistas". Esta aparente contradição é a chave para compreender seu gênio. Como um poeta pode ser, ao mesmo tempo, concreto (focado em forma rígida e visual) e barroco (conhecido pelo exagero, complexidade e emoção transbordante)?

 A importância de Haroldo de Campos é sublinhada pelo fato de ter sido homenageado em projetos culturais ao lado de gigantes como **Nelson Rodrigues** e **Cartola**. Ele não foi apenas um poeta, mas também um tradutor e ensaísta que transformou as estruturas literárias do Brasil.

 A poesia concreta, da qual foi fundador, tinha a ambição radical de tratar a linguagem como material físico, como "um tijolo ou argila", libertando a palavra de sua função meramente significante para transformá-la em um objeto visual. Enquanto a poesia tradicional flui linearmente, a poesia concreta "explode na página", com o significado residindo na disposição das palavras, criando uma experiência visual e instantânea.

 A ligação entre o concretismo e o barroco reside na forma como Campos via a história da cultura brasileira. O barroco do século XVII, com sua complexidade e excesso, não era um estilo morto para ele, mas um "fio condutor, quase um ADN recorrente na cultura brasileira". Ele resgatou a obra de **Sousandrade**, um poeta do século XIX que já utilizava técnicas experimentais, vendo nele a continuidade dessa alma barroca. As características que Campos admirava no barroco — a irregularidade, a tensão entre opostos, a experimentação e a complexidade — eram as mesmas que ele explorava no concretismo, vendo uma "ligação, uma energia criativa partilhada". O jornalista **Zuenir Ventura** compara o barroco à alma da cultura brasileira, presente no cinema de **Glauber Rocha** ou no drible de **Pelé**, preferindo o esplendor à regra.

 

A Obra *Galáxias*

 

Para materializar essa fusão de ideias, Haroldo de Campos criou *Galáxias*, sua obra-prima escrita entre 1963 e 1976. A palavra-chave para entender *Galáxias* é **língua-viagem**: a viagem não é descrita pela linguagem, mas *acontece dentro da linguagem*. O livro é um texto contínuo, sem pontos finais, um fluxo constante de palavras que desafia a ideia de princípio ou fim, tal como o universo barroco que o fascinava.

 

A Filosofia Central: *Viver é Defender uma Forma*

 

A mensagem central que une a vida e obra de Haroldo de Campos é: **"viver é defender uma forma"**. Esta frase, com ecos de **Hölderlin**, resume sua filosofia de vida: o propósito da vida é a luta constante e criativa para construir e proteger o significado, para criar uma forma contra a desordem e o caos. É a defesa apaixonada da estrutura em meio à exuberância.

 

 

Reflexões sobre a Literatura Brasileira: Anos 50 até Hoje

 

Haroldo de Campos, com mais de quarenta anos de "militância literária", reflete sobre as mudanças na literatura brasileira desde os anos 50. Ele observa que o contexto literário daquela época era mais restrito, mas havia uma *crítica militante* em jornais e revistas literárias. Ele menciona críticas a seu primeiro livro, *Auto de Processo*, por nomes como **Sérgio Milliet** e **Sérgio Buarque de Holanda**.

 Hoje, essa crítica mais densamente literária migrou para revistas universitárias, e o jornalismo literário se transformou em *jornalismo cultural*, abrangendo um espectro mais amplo de fenômenos (música popular, cinema, etc.). Apesar das mudanças, Haroldo não acredita que a fase atual seja ruim para a emergência de novos poetas. Pelo contrário, ele vê jovens talentosos em várias regiões do Brasil, muitos dos quais, segundo ele, "passaram pelo serviço militar da Poesia Concreta", que ele compara ao cubismo para a cultura.

 

A Poesia Concreta: Militância, Sectarismo e Evolução

 O Espírito Coletivo e as Defecções

 Haroldo aborda a acusação de *sectarismo* contra o concretismo, explicando que todo movimento de vanguarda, em sua fase inicial, exige uma "redução da personalidade individual" em prol de uma linguagem comum e um projeto coletivo. No caso da Poesia Concreta, buscava-se um "poema quase que uma desaparição elocutória do eu, um poema anônimo total". Houve um forte espírito de grupo, proselitismo e polêmicas.

 

Ele menciona as "defecções" do movimento, como o neoconcretismo e a partida de **Ferreira Gullar** para o *violão de rua*, abandonando a vanguarda por um período. Gullar, que havia se associado ao grupo na primeira exposição nacional da Poesia Concreta em 1956, posteriormente considerou sua tentativa de fazer "poesia revolucionária em gabinete" um equívoco. Haroldo critica o "realismo socialista implantado pelo famoso Stalin de Jdanov", que condenava a vanguarda como "decadência pública", comparando-o à condenação de "artistas degenerados" no nazismo.

 

Concretismo e Outras Artes

 O trabalho do grupo não se limitava à literatura, mas se estendia à música, cinema e pintura. Ele nasceu ligado ao movimento de pintura (com **Waldemar Cordeiro**), à música erudita e, posteriormente, à música popular, por "congenialidade, de afinidades".

 

Da Poesia Concreta à Poesia da Concreção

 Haroldo esclarece que não faz poesia concreta no sentido estrito desde meados dos anos 60, quando começou a escrever *Galáxias*. Ele defende a ideia de uma **"poesia pós-ludómena"** e de **"concreção"**.

 ``

"todo poeta que ganha esse nome de qualquer literatura e de qualquer período literário, ele sempre será um poeta da concreção, porque ele é obrigatoriamente levado, se ele é realmente um poeta, a lidar com a materialidade do cinismo, com a parte verbal, com a parte verbal-sonora da África ou o que seja, mas ele tem que lidar com a materialidade da linguagem."

```

 Ele cita **Fernando Pessoa**:

``"O poeta é um fingidor, ele finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que revela sempre, porque a dor quando ela passa a ser poema, ela não é mais dor, ela é a dor fingida, é a dor fictícia, é a função fictiva que está ligada à função poética da linguagem que faz com que aquilo se converta em poema."

```

Para Haroldo, até **Homero** e **Mallarmé** são "poetas concretos" (não concretistas), pois lidam com a materialidade da linguagem. A tradução criativa exige atenção à "completude do místico", para não transformar o poema em "prosa banal".

 

A Vanguarda como Releitura do Passado

 Haroldo enfatiza que nunca viu a vanguarda como iconoclastia em relação ao passado. Para ele, seguindo a lição de **Ezra Pound**, "vanguarda significa leitura do passado com a perspectiva nova, não demolição do passado, não quebra as demais, ao contrário, descobrir no passado aquilo que o passado tem, aquilo que o passado pode responder criativamente a uma pergunta que a gente não diz no gênero".

 

Concretismo e o Contexto Político-Social

 Haroldo de Campos contextualiza o surgimento do concretismo nos anos 50, quando **Brasília** era uma "metáfora epistemológica" de um certo Brasil. Ele refuta a ideia de que a poesia concreta estivesse ligada ao "desenvolvimento socialista", mas reconhece que o período do governo **Juscelino Kubitschek** foi de grande abertura democrática, exemplificada pela convivência criativa entre Juscelino (um liberal) e **Oscar Niemeyer** (um comunista).

 

O Poeta, o Tradutor e o Crítico

 **João Alexandre Barbosa** questiona Haroldo sobre a coexistência do poeta, tradutor e crítico em sua obra.

 A Inserção na Tradição Brasileira

 João Alexandre observa um contraste na poesia de Haroldo, entre o primeiro momento visual e concreto e um retorno a uma "abertura política", com textos de defesa de marginalizados, lembrando **Maiakovski**.

 As Origens do Interesse pela Tradução

 O interesse de Haroldo pela tradução é antigo, embora sua atividade como tradutor tenha se intensificado com a "transcriação" de *Cantos* de **Ezra Pound** com Augusto e Décio. Seu primeiro artigo teórico sobre o assunto foi o comunicado no Congresso da Paraíba em 1962. Ele sempre estudou línguas para ampliar seu horizonte de leitura e incorporar a lição de outros poetas.

 

A Crítica Militante e a Releitura da Tradição

 

João Alexandre destaca o papel da vanguarda em "fazer os seus precursores" (como o surrealismo fez com **Lautréamont** e **Rimbaud**, ou **T.S. Eliot** com os metafísicos ingleses). A crítica de Haroldo se dirige à história literária, com releituras de **Sousandrade**, **Alencar**, **Gregório de Matos** e **Eurico**. João Alexandre vê essa crítica como um ato de *adição* e não de *subtração* na série literária brasileira.

 Vanguarda, Ruptura e Comportamento

 **Cláudio Filho** questiona se a poesia concreta praticou alguma ruptura além do plano estritamente literário, como **Baudelaire** fez no plano comportamental. Haroldo responde que pertence a uma "família de poetas" para quem a revolução poética se dá na linguagem. Ele cita **Machado de Assis** como um exemplo de poeta "transgressor" na linguagem, mas com um comportamento de "funcionário público", sem a "inconformidade" de **Rimbaud**.

 

Polêmicas e Ataques: A "Pulga na Camisola" da Poesia Brasileira

 

**Gerald Thomas** pergunta a Haroldo como ele lida com os ataques de "imbecis" que buscam visibilidade.

 

A Teoria dos Inimigos

 Haroldo responde com sua "teoria de cinco":

```

"Eu tenho uma teoria de cinco. Sempre um preço. A senhora terminou com a cintura de um. Tem inimigos que o alço ao público."

```

Ele vê esses ataques como prova de que ele e seu trabalho estão "vivos ideologicamente ativos" e "incomodando o mundo". Ele representa "a inovação, o gosto pelo novo, a curiosidade permanente, uma espécie assim de busca daquilo que possa trazer informações novas".

 

A Polêmica com a Crítica da USP

 **Rinaldo Gama** questiona se a tensão com a "crítica da USP" foi útil para a literatura brasileira, amadurecendo gerações. Ele também pergunta se o concretismo não "atirou muitas vezes" de forma violenta, e se Haroldo se "equivocou" ao deixar passar algum autor.

 

Haroldo concorda que a polêmica foi "salutar" e "benéfica" para quem não tinha a cabeça feita. Ele critica os "sociologólogos ou esquerdo-freiros" que os elegeram como interlocutores, mas cuja "arena já não existe". Ele defende que o poeta deve fazer "escolhas radicais", e que o concretismo, ao contrário do que diziam, sempre foi aberto ao passado e a diversas literaturas e artes.

 

Ele explica que as polêmicas eram geralmente respostas a provocações:

```

"nós só polemizávamos quando éramos provocados. Nós, desde que lançado o artilharia concreta, nós recebemos pedrada de todo lado e nós também, afinal de contas, eu não tenho uma vocação monástica, quer dizer, dá uma, eu calibro a minha, as minhas armas de conformidade com os ataques que eu recebo."

```

Ele justifica a postura combativa inicial do concretismo como necessária em um "país que estava na idade da pedrada", sem imprensa ou revistas próprias.

 

A Barra da Civilidade na Polêmica

 Haroldo estabelece um limite para a polêmica: a "urbanidade, civilidade". Se alguém o agride com palavras que "profenam do ponto de vista ideológico ou do ponto de vista da minha propriedade individual", essa pessoa "desaparece", pois "passou a barra da civilidade". Ele não tem "trato pessoal" com quem pratica a "crítica puramente agressiva, a crítica fechada de insultos, de subtenções maldosas".

 

No entanto, ele respeita quem tem ideias diferentes, pois não se considera "dono da verdade". Ele pratica a polêmica com respeito ao interlocutor, reconhecendo os méritos do antagonista e sua importância intelectual, como é o caso de muitos críticos da USP.

 

Crítica e Criação no Brasil: Uma Questão Vocacional

 

**Augusto Massi** pergunta por que há um "divórcio tão grande no Brasil entre o trabalho criativo e o trabalho crítico".

 Haroldo de Campos considera que é uma "questão vocacional", não sendo necessário que um poeta seja também um crítico. Ele cita **Carlos Drummond de Andrade** e **Clarice Lispector** como exemplos de grandes escritores sem preocupação teórica ou crítica. No primeiro modernismo, porém, **Oswald de Andrade** e **Mário de Andrade** foram críticos notáveis. Mário de Andrade, inclusive, chegou a duvidar se **Rimbaud** seria poeta.

 Ele menciona **Murilo Mendes**, que desenvolveu uma atividade crítica no exterior, sendo respeitado por poetas e pintores mais jovens na Itália. **João Cabral de Melo Neto** também, embora não fizesse crítica habitualmente, sua poesia era "crítica" através de suas escolhas.

 Haroldo destaca **Mário Faustino** como um "extraordinário crítico" que praticou uma "crítica de jornal mais paundiana" no Brasil, com "juízos, a capacidade de acerto" notáveis.

 

7-CONCLUSÂO

A Oralidade na Poesia e o Futuro do Livro

 

Haroldo de Campos acredita que a tradição da oralidade na poesia brasileira não está se perdendo, mas, ao contrário, está se desenvolvendo. Ele argumenta que a poesia concreta foi mal compreendida como apenas visual; ela é "verbe em vólculo visual". Os poemas concretos eram "partituras de evolução", pensados para o uso da voz na música contemporânea. Ele destaca a "congenialidade" com a música popular brasileira, mencionando **Caetano Veloso** que usou textos seus e de Augusto. Ele vê a oralidade como fundamental e com oportunidades extraordinárias de desenvolvimento, citando espetáculos multimídia que "vencem a barreira do livro" e alcançam auditórios mais amplos.

 Sobre o futuro do livro, Haroldo não acredita no seu fim. Ele pensa que "o livro vai adquirir dimensões extraordinárias". O livro é importante, a leitura silenciosa é um momento crucial, mas a vocalização e a dimensão visual acoplada à dimensão acústica e à forma de falar complementam a experiência. "O livro tem um futuro, vai continuar, porém, com uma metamorfose ligada às nossas experiências."

 Paixões Literárias e Engajamento Político

 Goethe e Fausto

 Haroldo expressa sua paixão por **Goethe**, **Fausto** e **Mefisto**. Ele revela ter escrito um "pré-Fausto" aos 14 anos, em 1952. Estudou alemão e leu poetas como **Dadaístas** e **Hölderlin**. Sua imersão em *Fausto* no palco o deixou fascinado pela complexidade e "tensões linguárias". Ele ainda não conseguiu sair dessa "Mefistofaustica condição", que considera uma "convergência indissolúvel". Ele se preocupou com Goethe a partir do final dos anos 70, publicando um livro sobre o tema em 1982.

 Poemas Políticos e de Agitação

 Haroldo discute seu engajamento político, que vem de sua família (seu pai, **Sílvio de Campos**, era deputado socialista e anti-stalinista). Ele fez "poemas de tipo participante" desde o início do concretismo, como "Cem do Ano Passado" (1961), inspirado na lição de **Maiakovski** sobre o "poema de agitação". Maiakovski, segundo ele, demonstrava que um poema de agitação pode ser de alta qualidade, colocando sua técnica a serviço de uma causa em que acreditava.

 Haroldo distingue dois tipos de poemas políticos:

1.  **Poema de agitação:** A função estética serve à função pragmática, respondendo à sua consciência de cidadão. Ele cita seus poemas pró-candidatura **Lula** como exemplos, feitos com "doação e serviço".

2.  **Poema político (sentido mais amplo):** Não motivado por uma função pragmática, mas por uma resposta à consciência humana. Ele menciona seu poema sobre o "massacre do Sem Terra no Pará", que o chocou profundamente e nasceu de uma reflexão imediata sobre o acontecimento.

 A Poesia de Fernando Henrique Cardoso

 Haroldo descreve a poesia do então  ex presidente **Fernando Henrique Cardoso** como "romântico", um "poeta de cine", que participava da mesma crítica da Geração de 45.

 

A  Aceitação da Poesia Concreta

 Respondendo a uma analogia com **Stravinsky** (que exigiu "suor e lágrimas" para ser aceito, mas se tornou clássico), Haroldo afirma que a poesia concreta também passou por um processo semelhante. Com o tempo, ela "passou a entrar na propaganda, a linguagem da propaganda, o Jornal do Brasil... na linguagem jornalística, nas técnicas de televisão, nas técnicas de propaganda, na música popular". Essas repercussões, ele conclui, "aumentaram o auditório".

 ```

"Da boca da noite ouvi a voz, era um clarão sem luz, um claro escuro e dizia carvão em vez de cal, escutei dessa voz sua sentença, era a iminência de um ser não visível, de um não visível, de um cidadão, então eu compreendi, já é poesia, escuro claro, carvões na boca, o dia abrasa, o sol esfria."

```

Slide em power point sobre as poesias de Haroldo de Campos

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✍️ Por Maria Aparecida de Almeida
Educadora e apaixonada pela leitura

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