quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Análise do conto "A Gata Borralheira"

Esta longa PSICANÁLISE começa informando “quando na China do século IV DC” esse conto “já possuía uma história”. “O costume de enfaixar os pés das mulheres” é muito antigo. Na BORRALHEIRA “são vivenciados os sofrimentos e as esperanças na rivalidade fraterna”, bem como a “vitória sobre irmãs e pais que as maltratam”. Aborda nesse capítulo do livro A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS o tema que Perrault imortalizou como “viver entre as cinzas”. Deu daí a lenda Alemã de que vivendo nas cinzas se torna Rei. No conto se substitui a rivalidade como sendo com irmãos adotivos, para melhor assimilação. A fonte real dessa rivalidade é o que a criança sente pelos pais. “O temor de que possa não ter o amor dos pais inflama a rivalidade e isso pode virar um espinho na carne”. “José vendido pelos irmãos obtém sucesso no Egito”. Esse é o mesmo sentido do conto. Dizer essas coisas só tem valor com a criança lendo. Este conto, na sua simplicidade superficial traz um conteúdo complexo que desperta profundo interesse inconsciente pela história. “A criança SABE algo sobre o conto que ela não consegue expressar” e aí está seu valor profundo na formação infantil. Toda criança também tem um sentimento de que seus desejos secretos merecem um rebaixamento até as cinzas. Aí entra o complexo de “Borralheira”. Lendo, se identifica com o sucesso futuro.
A vileza das irmãs más é tão clara que os castigos que acontecem não agridem o pequeno leitor. Comparando o sofrimento que a criança possa estar vivendo, o da história é maior. Às vezes a assimilação chega a ser desabafada em atitudes e palavras. Também entra no conto da “Borralheira” o complexo de Édipo. “Às vezes a criança acha que só ela tem esses desejos”. “Ao ler o conto, se qualifica como sendo relegada às cinzas”. “E resgatada desse comportamento pode elevar-se a posição digníssima”. Nesses termos este capítulo do livro de Bettelheim esgota o assunto em quarenta páginas nas quais aborda outros autores que contaram o conto de outra maneira, incluindo outros complexos do Inconsciente infantil que acabam sendo resolvidos ao ler. Analisa o “sapatinho de vidro”, “o príncipe que a recebe”, “a madrasta”, o ”pai que não sabe”, “as irmãs más e castigadas”, “a fada” que entra em algumas versões, o relacionamento complexo das crianças no dia-a-dia e conclui ressaltando a importância dos contos para a criança conseguir a identidade positiva própria.

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/1798093-psican%C3%A1lise-gata-borralheira/#ixzz2JUDS5BtA

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A origem e análise do conto Chapeuzinho Vermelho


[editar]A versão moderna mais conhecida

Uma menina conhecida como Chapeuzinho Vermelho, atravessa a floresta para entregar uma cesta de pães de mel para sua avó doente, mas a estrada se bifurca entre um caminho longo e seguro e um caminho mais curto e perigoso. A menina toma o caminho curto, aonde é vista por um lobo, geralmente chamado de Lobo Mau. Ele sugere que a menina volte e tome o caminho longo, por segurança. Chapeuzinho segue o conselho do lobo e volta atrás. Mas enquanto ela toma o caminho longo, o Lobo Mau segue pelo caminho curto, chega à casa da avó, e a devora completamente. Então, se veste com suas roupas e aguarda Chapeuzinho na cama da avó. Quando a menina chega, nota a aparência estranha de sua avó, e tem o famoso diálogo com o lobo:
—Porque esses olhos tão grandes? Então ela é respondida:
Ó minha querida, são para te enxergar melhor
Porque essas orelhas tão grandes?
São para te ouvir melhor.
E porque essa boca tão grande?
É para te comer!!!
Nesse momento, a "avó" (que era o lobo disfarçado), revela-se tentando devorar a Chapeuzinho, que grita assustada. Então, um caçador que passava por ali, ouve os gritos, e encontra o lobo dormindo na cama. O caçador então abre a barriga do lobo donde saem chapeuzinho e sua avó, ilesas.

[editar]A História do Conto

Charles Perrault, o primeiro a registrar uma versão impressa de Chapeuzinho Vermelho
As origens de Chapeuzinho Vermelho podem ser rastreadas até por de vários países europeus e mais do que provavelmente anteriores ao século 17, quando o conto adquiro a forma conhecida atualmente, com a versão dos irmãos Grimm de inspiração. Chapeuzinho Vermelho era contada por camponeses na FrançaItália e Alemanha, sempre com um caráter muito popular.

[editar]Charles Perrault

A versão impressa mais antiga é de Charles PerraultLe Petit Chaperon Rouge, retirada do folclore francês foi inserida no livro Contos da Mamãe Gansa. A historia de Perrault retrata uma "moça jovem, atraente e bem educada", que ao sair de sua aldeia é engana pelo lobo, que como e velha e arma uma armadilha para a a menina que termina sendo devorada, sem final feliz. Essa versão foi escrita para a corte do rei Louis XIV,no final do século 17, destinada a um público, que o rei entretinha com festas extravagantes e prostitutas, que pretendia levar uma moral as mulheres para perceberem os avanços de maus pretendentes e sedutores. Um coloquialismo comum da época era dizer que uma menina que perdeu a virgindade tinha "visto o lobo". O autor explica a moral da historia ao fim d conto nos seguintes termos:
A partir desta história se aprende que as crianças, especialmente moças jovens, bonitas, corteses e bem-educadas, não se enganem em ouvir estranhos, E não é uma coisa inédita se o Lobo, desta forma,(arranjar) o seu jantar. Eu chamo Lobo, para todos os lobos que não são do mesmo tipo (do lobo da história), há um tipo com uma disposição receptiva - sem rosnado, sem ódio, sem raiva, mas dócil, prestativo e gentil, seguindo as empregadas jovens nas ruas, até mesmo em suas casas. Ai de quem não sabe que esses lobos gentis são de todas as criaturas como as mais perigosas!

[editar]Os Irmãos Grimm

Wilhelm (esquerda) e Jacob Grimm (direita), pintura de 1855 por Elisabeth Jerichau-Baumann..
No século 19 duas versões da história foram contadas a Jacob Grimm e seu irmão Wilhelm Grimm, a primeira por Jeanette Hassenpflug (1791-1860) e a segunda por Marie Hassenpflug(1788-1856). Os irmãos registram a primeira versão para o corpo principal da história e a segunda em uma sequência do mesmo. A história com o título de Rotkäppchen foi incluído na primeira edição de sua coleção Kinder-und Hausmärchen (contos infantis domésticos (1812)).Perrault é quase certamente a fonte do primeiro conto. No entanto, eles modificaram o final, introduzindo o caçador que abre a barriga do lobo e tira a menina e sua avó; esse final é idêntico ao que no conto O lobo e os sete cabritinhos, que parece ser a fonte. A segunda parte contou com a menina e sua avó prendem e matando um outro lobo, desta vez antecipando seus movimentos baseados em sua experiência anterior. A menina não deixou o caminho quando o lobo falou com ela, sua avó trancou a porta para mantê-lo fora, e quando o lobo se escondia, a avó manda Chapeuzinho colocar no fogo uma panela com água que salsichas tinha sido cozido. O cheiro que sai da chaminé atrai o lobo para baixo, e ele se afogou. Os irmãos mais revisaram novamente a história em edições posteriores até alcançar a versão final, acima mencionada, e publica-la na Edição de 1857 de seu trabalho.

[editar]Outros Autores

Andrew Lang incluiu uma variante como "A Verdadeira História do Chapeuzinho Dourado" em O Livro Vermelho de fadas, derivado da obra de Charles Marelles, em Contos de Charles Marelles . Esta variante dizia explicitamente que a história havia sido mau contada. A menina foi salva, mas não pelo caçador, quando o lobo tentou comer ela, sua boca foi queimada pelo capuz de ouro que ela usava, que ficou encantado.
James N. Barker escreveu uma variação de Chapeuzinho Vermelho em 1827 como uma história de cerca de 1000 palavras. Mais tarde foi reimpresso em 1858 em um livro de histórias coletadas editada por William E Burton, chamado de Enciclopédia de Inteligência e Humor. A reimpressão também apresenta uma gravura em madeira de um lobo vestido de joelhos segurando a mão de Chapeuzinho Vermelho.
No século XX, a interpretação do conto foi muito popularidade, com muitas novas versões sendo escrito e traduzidas, especialmente na esteira da análise freudiana, desconstrução e teoria crítica feminista. Esta tendência também levou a uma série de textos acadêmicos sendo escrito que se concentram em Chapeuzinho Vermelho, incluindo obras de Alan Dundes e Zipes Jack.
Depois, quando a historia já tinha um forte caráter infantil, o XXI, trouxe ainda novas versões: a irreverência e o deboche em Dalton Trevisan, os desenhos de Maurício de Sousa atraindo o público mais infantil, Neil Gaiman impressionando seus leitores ao expôr uma Capuchinho/Chapeuzinho indiferente a morte da vó pelo lobo, e Deu a louca na Chapeuzinho, filme de 2005 com paródia dos personagens.
Guimarães Rosa, em Fita verde no cabelo, traz uma versão para adolescentes. Ela vai desde o fluxo das fantasias de uma jovem até o momento em que se defronta com a morte de sua avó, sendo desta forma, obrigada a enfrentar seus medos, angústias e solidão.Chico Buarque faz uma paródia, Chapeuzinho Amarelo, para o público pré-adolescente.
Em 2005, Ivone Gomes de Assis publicou Bonezinho Vermelho e a internet no século XXI, uma releitura parodiada, que traz as tendências da mídia virtual. Nesta obra ilustrada, a vovozinha é uma hacker, que se disfarça até nas preferências do cotidiano, afirmando não gostar de nada que é tecnologia. A figura "feia" da vovó tenta quebrar o mito que muitos carregam ao pensar que a voz e a escrita, suave e gostosa, dos participantes de chats, sempre pertencem a pessoas bonitas e cheias de boa intenção. É uma obra bilingue, para crianças e adultos.
Hilda Hilst, também contribui no estudo deste conto, com a divertida paródia A Chapéu, publicada na obra Bufólicas. A autora recria uma Chapeuzinho cafetina do Lobo.
Em março/2011, a WarnerBros lançou Red Riding Hood (A Garota da Capa Vermelha no Brasil e A Rapariga do Capuz Vermelho em Portugal), com direção de Catherine Hardwicke e roteiro por David Leslie Johnson, no filme a historia é abordada de modo sombrio e o lobo é dissubstituído por um lobisomem, como nos contos mais medievais.

[editar]Interpretações

A menina na cama, com o Lobo.
Além da advertência ostensiva sobre falar com estranhos, há muitas interpretações do conto de fadas clássicos, muitos deles de cunho sexual.

[editar]Despertar Sexual

Chapeuzinho Vermelho tem sido visto como uma parábola da maturidade sexual. Nesta interpretação, o manto vermelho simboliza o sangue do ciclo menstrual, enfrentando a "floresta escura" da feminilidade. Ou a capa poderia simbolizar o hímen (versões anteriores do conto geralmente não afirmam que o manto é vermelho). Neste caso, o lobo ameaça a virgindade da menina. O lobo antropomórfico simboliza um homem, que poderia ser um amante sedutor, ou predador sexual. Isso difere da explicação ritual em que a entrada na idade adulta é biológica, não socialmente determinada. Essa conotação sexual é muito forte, porem velada, nos antigos contos medievais.

[editar]Ataques de Lobos

Etólogo Geist Valerius da Universidade de CalgaryAlbertaCanadá escreveu que a fábula foi baseada em risco real de ataques delobo na época. Ele argumenta que os lobos eram de fato perigosos predadores, e fábulas serviam como uma advertência válida para não entrar em florestas onde era conhecido para que os lobos viviam, e estar a olhar para tal. Essa interpretação tem o respaldo dos muitos ataques de lobos frequentes em regiões campestres da França, aonde a historia era frequentemente contada.

[editar]Os ciclos Naturais

Em termos de mitos solares e outros ciclos de ocorrência natural, o capuz vermelho pode representar o sol brilhante que é, em última análise engolido pela noite terrível (o lobo), e as variações em que ela é cortada da barriga do lobo representam o amanhecer. Nesta interpretação, há uma conexão entre o personagem Lobo Mau e Skoll, lobo do mito nórdico que vai engolir o Sol personificado emRagnarök, ou Fenrir. Nesse mito nordico o Deus Thor se veste de mulher e é levado por Loki no lugar da deusa Fenrir, para enganar o o grande lobo Skoll.

[editar]Ritual

O conto tem sido interpretado como um ritual de puberdade, decorrentes de uma origem pré-histórico (às vezes uma origem decorrente de uma era matriarcal anterior). A menina, sai de casa, entra em uma liminar e passando pelo atos do conto, é transformada em uma mulher adulta pelo ato de sair da barriga do lobo. Ou ainda como um renascimento, mas assim adquirindo uma visão mais crista. A menina que insensatamente ouviu o lobo renasceu como uma nova pessoa ao ser salva da barriga dele. Havendo ai um paralelo com o a narrativa biblíaca em que Jonas consegue ressurgir com vida de dentro da barriga de um Grande Peixe.

[editar]Os dois Caminhos

No começo da história a protagonista pode escolher entre um caminho longo e seguro e um caminho rápido e perigoso. Fica então evidente um arquétipo cristão de moralidade, aonde a menina escolhe um caminho que vai lhe levar de encontro a fera do lobo, ao invés de perseverar na segurança do caminho longo. Essa seria uma moral essencial das fábulas em geral, aonde o protagonista é levado a fazer uma escolha entre a virtude e desafio, ou o vício e o aparente atalho que este parece oferecer.

[editar]Ligações externas

Referências

Análise do conto Infantil-Chapeuzinho Vermelho



Este conto infantil vem sendo transmitido de geração em geração. Trata-se de um conto sobre uma menina, Chapeuzinho Vermelho, que deu conversa ao lobo mau e quase acabou mal.
Pela história, graças à ajuda de um caçador, Chapeuzinho Vermelho e sua avó foram salvas.
De fato, é um conto infantil, mas que no atual contexto, tornou-se política e juridicamente incorreto, de acordo com as anotações a seguir expostas:
Em primeiro lugar, vê-se que o conto em tela induz ao pensamento de que o lobo é mau só porque manifestou seus próprios instintos. Faz referência à uma menininha boazinha e a um lobo mau, preverso, voraz.
Ademais, pela leitura deste conto, pressupõe-se que Chapeuzinho Vermelho é uma criança, estando, por isso, sob o amparo da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Assim, ao determinar que Chapeuzinho Vermelho partisse sozinha pela floresta, rumo à casa de sua avó, a mãe daquela violou o Estatuto da Criança e do Adolescente. A mãe de Chapeuzinho Vermelho foi negligente para com esta, podendo ser responsabilizada, segndo o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ora, ademais, se a mãe de Chapeuzinho Vermelho tinha notícias de que a avó desta estava doente, porque então não foi vê-la pessoalmente? Afinal, era sua própria mãe! Por que mandou a neta?
Demonstra-se claramente a ausência de assistência da mãe de Chapeuzinho Vermelho com uma idosa. Tal conduta constitui violação à Lei n° 10.741, de 1° de outubro de 2003, denominada Estatuto do Idoso. Trata-se, pois, de um típico caso de negligência com uma pessoa idosa.
Vê-se ainda que o lobo é um pedófilo! Há todo momento ele assedia Chapeuzinho Vermelho.
O lobo cometeu ainda crimes como: invasão de domicílio; tentativa de homicídio (pois há que se lembrar que Chapeuzinho Vermelho e sua vovozinha foram resgatadas da barriga daquele, ainda com vida); e falsidade ideológica, eis que o lobo se fez passar por Chapeuzinho Vermelho e por sua avó.
Mas o lobo seria o único vilão deste conto?
Claro que não! Afinal, o caçador, Chapeuzinho Vermelho e sua avó, em conluio de vontades, praticaram maus-tratos em espécie animal (abriram a barriga do lobo com uma tesoura, enquanto este ainda estava vivo, e lá inseriram pedras). Portanto, o caçador e a avó de Chapeuzinho Vermelho cometeram o crime descrito no art. 32 da Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Tal fato ainda foi agravado pela morte do lobo e pela apropriação da pele do lobo pelo caçador.
E o caçador? Tinha licença para exercer tal atividade?
Hum..., no caso do caçador, por si só, já demonstra que este cometeu crime ambiental, pois a Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, proíbe tal atividade.
Mas, nem Chapeuzinho Vermelho escapa, porque, na condição de menor, cometeu aquilo que se chama ato infracional (ato análogo a crime de maus-tratos em animal), podendo sofrer as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ah, pensaram que havíamos esquecido os lenhadores? Evidente que não, eis que também cometeram crime contra o meio ambiente, já que, naturalmente, também não possuíam licença para a derrubada de árvores. Estavam na floresta fazendo o quê?
Viram? Tá todo mundo “enquadrado”!
E ainda reclamam? Ah, se isso tivesse acontecido no período da Ditadura militar, Chapeuzinho Vermelho (viram a cor do chapeuzinho?!) estaria ferrada! Poderia ser taxada de “subversiva”, comunista, e acabaria no “pau-de-arara”, na “cadeira do dragão”, na “geladeira”, no choque elétrico, etc.
Entenderam o conto de Chapeuzinho Vermelho no atual Estado Democrático de Direito? E viram como uma assessoria jurídica é importante?
Pois é, podem rir.
Até mais, com outro conto.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Um coração Ardente-Lygia Fagundes Telles


UM CORAÇÃO ARDENTE
Editora Companhia das Letras
102 páginas
R$29,50



Os dez contos reunidos neste livro foram publicados por Lygia Fagundes Telles entre 1958 e 1981. Todos, de alguma maneira, mereceriam o título emprestado pelo primeiro deles à coletânea. São histórias de homens e mulheres, crianças e adultos flagrados em seus sentimentos mais secretos e em sua relação espinhosa com a vida à sua volta.
Em “Um Coração Ardente”, um rapaz se apaixona por uma moça sem saber que ela é prostituta e, depois, tenta regenerá-la. Em “Biruta”, um menino órfão cujo único consolo e companhia é seu cão de estimação vê-se traído pela família que o adotou como uma espécie de agregado.
Em “Emanuel”, o amante inventado por uma moça solitária em um mecanismo de defesa contra as zombarias das amigas acaba por ganhar existência real. “As Cartas”, por sua vez, narra o empenho de uma mulher para proteger a correspondência comprometedora de uma amiga com um político casado. Já o entrecho de “A Estrela Branca” é o transplante de olhos que devolveu a um cego a visão mas não o controle sobre ela.
Em “O Noivo”, um homem acorda no dia do seu casamento sem se lembrar quem é a noiva, e a revelação de sua identidade o chocará tanto quanto ao leitor. “O Encontro” é uma fantástica viagem a vidas passadas.
Com a segurança narrativa e a prosa envolvente que encantou leitores e críticos de várias gerações, a autora trafega com desenvoltura entre a descrição externa das cenas e o mergulho na vida interior dos personagens e o resultado é que saímos da leitura destas páginas com uma percepção mais compassiva e multifacetada das vicissitudes humanas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Balada de Neve-Augusto Gil


Balada de Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…


Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…

Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…


Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…


E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…


Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

                   
Augusto Gil 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Flicts- Ziraldo Alves Pinto.


  1. Ziraldo flicts (ilustrado)

    www.slideshare.net/.../ziraldo-flicts-ilustrado
    15/03/2010 – FLICTS Ziraldo... We have emailed the verification/download link to "". Login to your email and click the link to download the file directly.
  2. Ziraldo Flicts Ilustrado Doc - Ebook Search & Free Ebook Downloads

    ebookbrowse.com/ziraldo-flicts-ilustrado-doc-d24946...
    Download ziraldo flicts ilustrado doc documents from fernandabertgalvao.files.wordpress.com at @EbookBrowse.
  3. Flicts - Ziraldo - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=L...Compartilhar
    23/11/2011 - Vídeo enviado por djPauloL8
    Animação feita no premiere do livro Flicts de Ziraldo. "Não tinha a força do Vermelho, ... Player to ...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Aluísio de Azevedo e suas obras

Principal autor naturalista no Brasil, Aluísio Azevedo é reconhecido por obras de acentuado caráter investigativo e cuidadosa análise de comportamentos sociais. No entanto, sua carreira literária se divide em duas partes: a primeira, romântica, escrita para agradar o público e vender bem, de modo a garantir-lhe a sobrevivência. A segunda, naturalista, para expressar sua visão de mundo e as mazelas do Brasil. Foi esta última que lhe deu destaque na história da literatura brasileira.


Conheça os livros "O mulato" e "O cortiço": http://bit.ly/WBeyCw

domingo, 20 de janeiro de 2013

O grande livro da sexualidade



Escrito por membros da Associação Espanhola de Sexologia Clínica, e lançado em 2002 pela editora portuguesa Didáctica, o `Grande Livro da Sexualidade´ é uma obra detalhada, dividia em capítulos, e voltada para o público infantil (mas também com dicas para familiares e educadores sobre como lidar com as perguntas das crianças). Trata da sexualidade de uma forma simples, objetiva e com linguagem clara. O livro apresenta ilustrações pautadas nas simples explicações sobre relações de afeto e sexuais, diferenças anatômicas entre meninos e meninas, homens e mulheres, fecundação, gravidez, parto. Além disso, busca desmistificar ideias do senso comum sobre esses assuntos. Como destaque, ressalto ainda que a homossexualidade, opções de configurações familiares, adoção, gravidez assistida, masturbação, prazer, amor, pedofilia, Aids, camisinha, pílula são também tópicos discutidos no livro e apresentados às crianças. Leia alguns trechos: ´Acariciar os órgãos sexuais e outras partes do corpo chama-se masturbação. A masturbação é uma forma natural de conhecer o próprio corpo, de gostar dele e de ter prazer com ele.´; `Fazer amor é muito bonito e que proporciona muito prazer. No entanto é aconselhável esperar até ser adulto para saber quando realmente se deseja ter relações sexuais e com quem.´; `Habitualmente imaginamos um homem e uma mulher a ter relações sexuais, mas às vezes não é assim. Alguns homens preferem estar com outros homens e chamam~se homossexuais. Às mulheres que gostam de estar com outras mulheres chama-se lésbicas. O que é verdadeiramente importante é que cada um possa escolher a pessoa que mais lhe agrade e respeite as preferência dos outros´; `Algumas pessoas acreditam que o sexo é sujo ou mau. Mas isso não é verdade. A sexualidade é uma forma de as pessoas comunicarem, trocarem carinho e prazer, e divertirem-se juntos.´; `Todas as pessoas crescem acreditando em histórias que nem sempre são verdadeiras, mas que servem para perceberem as coisas de uma forma simples´`O facto de um pênis ser grande ou pequeno não altera o valor da pessoa nem a sua capacidade para fazer amor´; `Também há casais formados por duas pessoas do mesmo sexo que, em determinada ocaião, tiveram filos ou filhas de um outro companheiro, ou que decidiram adoptar uma criança. Como verás, existem muitas maneiras de viver em família. O importante é que todos se dêem bem e estejam contentes.´´Se alguma vez te acontecer alguma coisa semelhante com uma pessoa mais velha do que tu deves dizer que NÃO.´; ´Podemos brincar e praticar desporto com pessoas com sida, e partilhar roupas, comida ou sanitários, tomar banho na mesma piscina, abraçar e dormir no mesmo quarto. Apesar do que pensa muita gente, a sida não é uma doença que se propague de qualquer maneira.´; `Podemos ter sentimentos em relação aos outros: amizade, carinho, enamoramento, atracção sexual...Isso pode acontecer entre um homem e uma mulher, entre dois homens ou entre duas mulheres.´. (observação: na transcrição foi mantida a escrita original).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Contos dos irmãos Grimm

      Contos dos Irmãos Grimm
Editora: Rocco

Contos dos Irmãos Grimm    
Seja por meio de livros ilustrados, desenhos animados ou até de antigos disquinhos coloridos, todo mundo conhece Branca de Neve, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e A Gata Borralheira (hoje mais famosa como Cinderela), só para citar algumas das muitas histórias dos irmãos Grimm. Nem todos, no entanto, sabem da origem e do profundo significado cultural dessas narrativas populares. Talvez seja esse o maior mérito da rica edição de Contos dos irmãos Grimm, que traz 53 histórias acompanhadas de belas ilustrações do mestre vitoriano Arthur Rackham (1867-1939) e apresentadas pelo prefácio da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés.
No longo e precioso ensaio A terapia dos Contos, que abre o livro, a Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés (autora de Mulheres que correm com os lobos, publicado no Brasil pela Rocco) discorre sobre a história, a moral e o simbolismo das narrativas compiladas pelos Grimm no início do século XIX. Numa época sem rádio, televisão e computador, quando mesmo a escrita era um luxo para poucos, os hoje chamados contos de fadas eram passados de geração para geração de europeus, para serem contados em família, à noite, junto ao fogo. Dependendo do narrador e da audiência, eram histórias em maior ou menor escala carregadas de sexo e violência, escatologia e sátira social.
A frase "... e viveram felizes para sempre" originalmente não se aplicava às irmãs malvadas e invejosas de Cinderela, que tinham seus olhos arrancados por pássaros no final da história. Registradas por escrito pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, as narrativas orais ganharam formato definido, contos de fadas de dez páginas com tom educativo para o público infantil, com o qual são conhecidos mundo afora até hoje. A nova edição de Contos dos irmãos Grimm, com seleção e prefácio explicativo da Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés resulta num livro obrigatório para os apreciadores do gênero, trazendo os mais belos contos acompanhados de sua história.
Clarissa é analista junguiana, com mais de 20 anos de prática, tendo sido diretora-executiva do C. G. Jung Center, em Denver. Doutora em estudos multiculturais e psicologia clínica pelo The Union Institute, ela é autora premiada por trabalhos como The wild woman archetype, sobre o papel dos instintos da natureza feminina, Warming the stone child, sobre crianças sem mãe, In the house of the ridle mother, sobre os arquétipos recorrentes em sonhos de mulheres e The radiant coat, sobre as fronteiras entre a vida e a morte.
Arthur Rackham é o principal responsável pela concepção visual dos contos de fada, tal como os conhecemos hoje; com um talento ímpar garantiu que seu trabalho fosse reconhecido até hoje. Seu grande conhecimento em anatomia fez com que seus personagens humanos refletissem um verdadeiro aspecto de ossos sob pele. A isso se soma a habilidade de colorista, com profunda percepção de cores intensas, na terminologia contemporânea: escarlate, vermelhão, terra verde, azul ultramarinho. Suas versões de gigantes, ogros, bruxas, reis, rainhas, servos, entre outros personagens, são referência na concepção dos contos de fadas, compreendem uma concepção medieval e simbolizam uma sociedade com diferentes divisões destas que conhecemos hoje. As ilustrações de Rackham são belas obras de arte, são fantasmagóricas, possuem sublimidade, denotam fome, distorção de escala, ofendem a perfeição e ilustram anomalias de todo tipo, abrigam componentes extremamente simbólicos, poética e politicamente antigos. 








sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A origem da História da história da Branca de Neve


Branca de Neve

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Branca de Neve (em alemão Schneewittchen) é um conto de fadas originário da tradição oral alemã, que foi compilado pelos Irmãos Grimm e publicado entre os anos de 1812 e1822, num livro com vários outras fábulas, intitulado "Kinder-und Hausmaërchen" ("Contos de Fada para Crianças e Adultos").

Índice

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[editar]O clássico

O conto Branca de Neve, na versão dos irmãos Grimm, guarda algumas diferenças das muitas versões que se popularizaram antes e após a compilação feita por eles em seu livro.
No início da história contada pelos Grimm, uma rainha costurava, no inverno, ao lado de uma janela negra como o ébano. Ao lançar o olhar para a neve, picou o dedo com a agulha, e três gotas de sangue pingaram sobre a neve, o que a deixou admirada e a fez pensar que, se tivesse uma filha, gostaria que fosse "alva como a neve, rubra como o sangue e com os cabelos negros como o ébano da janela".
Não tardou, e a rainha teve uma filha de descrições idênticas ao seu pedido: branca como a neve, com os cabelos negros como o ébano e os lábios vermelhos como o sangue. Mas, tão logo sua filha veio ao mundo, a rainha morreu. O pai deu à filha o nome de Branca de Neve, e logo tornou a casar com uma mulher arrogante, esnobe e vaidosa, possuidora de um espelho mágico que só falava a verdade.
A rainha consultava seu espelho, perguntando quem era a mais bela do mundo, ao que ele sempre respondia: "Senhora Rainha, vós sois a mais bela". Quando Branca de Neve fez dezessete anos, e um dia a madrasta perguntou: "Quem é a mais bela de todas?", e o espelho não tardou a dizer: "Você é bela, rainha, isso é verdade, mas Branca de Neve possui mais beleza."
Cheia de inveja, a Rainha contratou um caçador e ordenou que ele matasse Branca de Neve e lhe trouxesse seu coração como prova, na esperança de voltar a ser a mais bela. O caçador ficou inseguro, mas aceitou o trabalho. Pronto para matar a bela princesa, o caçador desistiu ao ver que ela era a menina mais bela que já havia encontrado, e rapidamente a mandou fugir e se esconder na floresta; para enganar a rainha, entregou a ela o coração de um jovem veado. A rainha assou o coração e o comeu, acreditando ser de Branca de Neve mas, ao consultar o espelho mágico, ele continuou a dizer que Branca de Neve era a mais bela.
Branca de Neve fugiu pela floresta, até encontrar uma casinha e, ao entrar, descobriu que lá moravam sete anões. Como era muito gentil, limpou toda a casa e, cansada pelo esforço que fez, adormeceu na cama dos anões. À noite, ao chegarem, os anões levaram um susto, mas logo se acalmaram ao perceber que era apenas uma bela moça, e que a mesma tinha arrumado toda a casa. Como agradecimento, eles cederam sua casa como esconderijo para Branca de Neve, com a condição de ela continuar deixando-a tão limpa e agradável.
A rainha não tardou a descobrir o esconderijo de Branca de Neve e resolveu matá-la; disfarçada em mascate, foi até a casa dos anõezinhos. Chegando lá, ofereceu um laço de fita a Branca de Neve, que aceitou. A rainha ofereceu ajuda para amarrar o laço em volta da cintura de Branca de Neve e, ao fazê-lo, apertou-o com tanta força que Branca de Neve desmaiou. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve sufocada pelo laço de fita, rapidamente o cortaram e ela voltou a respirar.
A rainha novamente descobriu que Branca de Neve não estava morta, e voltou a se disfarçar, mas desta vez como uma velha senhora que vendia escovas de cabelo, na verdade envenenadas. Ao dar a primeira escovada, Branca de Neve caiu no chão, desmaida. Quando os anões chegaram e a viram, rapidamente retiraram a escova de seus cabelos e ela acordou.
A rainha, já enlouquecida de fúria, decidiu usar outro método: uma maçã enfeitiçada. Dessa vez, disfarçou-se de fazendeira e ofereceu uma maçã; Branca de Neve ficou em dúvida, mas a Rainha cortou a maçã ao meio e comeu a parte que não estava enfeitiçada, e Branca de Neve aceitou e comeu o outro pedaço, enfeitiçado. A maçã engasgou na garganta de Branca de Neve, que ficou sem ar. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve desacordada, tentaram ajudá-la, mas não sabiam o que causara tudo aquilo, e pensaram que ela estava morta. Por achá-la tão linda, os anões não tiveram coragem de enterrá-la, e a puseram em um caixão de vidro.
Certo dia, um príncipe que andava pelas redondezas avistou o caixão de vidro, e dentro a bela donzela. Ficou tão apaixonado, que perguntou aos anões se podia levá-la para seu castelo, ao que eles aceitaram e os servos do príncipe a colocaram na carruagem. No caminho, a carruagem tropeçou, e o pedaço de maçã que estava na garganta de Branca de Neve saiu, e ela pôde novamente respirar, abriu os olhos e levantou a tampa do caixão.
O príncipe a pediu em casamento, e convidou para a festa a rainha má, que compareceu, morrendo de inveja. Como castigo, ao sair do palácio, acabou tropeçando num par de botas de ferro que estavam aquecidas. As botas fixaram-se na rainha e a obrigaram a dançar; ela dançou e dançou até, finalmente, cair morta.

[editar]Versões


Em muitas dessas versões alemãs, os anões são substituídos por ladrões, enquanto o diálogo com o espelho é feito com o sol ou a lua.
A origem do conto é controversa; é possível ter iniciado na Idade Média e se mantido pela tradição oral. Os Irmãos Grimm, em sua compilação dos vários contos através da Alemanha, publicaram a versão mais conhecida na época, e essa se tornou, com o tempo, a mais divulgada, mas há muitas outras.
Em uma versão albanesa, coletada por Johann George von Hahn e publicada em "Griechische und albanesische Märchen. Gesammelt, übersetzt and erläutert" (1864), a personagem principal vive com 40 dragões, e seu sono é causado por um anel.
Para Bruno Bettelheim,[1] as figuras e os acontecimentos dos contos de fada estão de acordo com fenômenos arquetípicos, daí satisfazerem, inconscientemente, através de todas as épocas.

[editar]Versões populares

As versões populares têm constantemente modernizado a história, adicionando elementos e, muitas vezes, atenuando os pormenores mais intrigantes, de acordo com as exigências sociais e os valores de cada época. Os contos foram perdendo suas passagens mais controversas e incorporando valores modernos, adaptados para o universo infantil, deixando muitas vezes de ser apenas entretenimento, para assumir a proporção de lição de moral ou mensagem de superação.

[editar]Versão mais popular

Relata a história da princesa Layza; sua mãe estava acariciando uma rosa até que furou seu dedo e disse que queria uma filha com a pele branca feito a neve, cabelos negros como o ébano e os lábios vermelhos, da mesma cor daquele sangue. Passado algum tempo, o rei enviuvou e voltou a casar com uma mulher belíssima, mas extremamente cruel e, além disso, feiticeira, a qual desde o primeiro dia tratou muito mal a menina.
Quando o rei morreu, a vilã, vendo que a Branca de Neve possuiria uma beleza que excederia a sua, obrigou-a a fazer todo o trabalho no castelo. A rainha tinha um espelho mágico e todos os dias lhe perguntava quem era a mulher mais bela do reino. Todas as vezes o espelho respondia que era ela. Um dia, ao fazer a habitual pergunta, o espelho respondeu que a rainha era bela, mas que Branca de Neve era mais bela. Um dia, quando estava trabalhando, foi pegar água do poço para banhar-se, e o seu cantarolar chamou a atenção de um príncipe que caçava pelos arredores; ele foi ao seu encontro. A vilã, sabendo desse encontro, não se conteve e expulsou Branca de Neve. A megera mandou um caçador ir ao bosque, e lá matar Branca de Neve. Como prova de que havia cumprido este ato, ordenou-lhe que trouxesse o coração da menina. Mas, o caçador teve pena da princesa e lhe poupou a vida, ordenando-lhe que fugisse. Para comprovar que havia obedecido às ordens da madrasta, entregou-lhe o coração de um javali.
Branca de Neve correu bosque adentro; quando estava muito cansada, adormeceu profundamente numa clareira. No dia seguinte, quando acordou, estava rodeada pelos pequenos animais da floresta, que a levaram até uma casinha no centro do bosque. Dentro, tudo era pequeno: mesas, cadeiras, camas. Por todo o lado reinava a desordem e tudo estava muito sujo. Ajudada pelos animaizinhos, deixou a casa toda arrumada e depois foi dormir.
Ao anoitecer, chegaram os donos da casa. Eram os sete anõezinhos, voltando da mina de diamantes onde trabalhavam. Quando a princesinha acordou, eles se apresentaram: Soneca, Dengoso, Dunga (o único que não tinha barbas e não falava), Feliz, Atchim, Mestre e Zangado. Ao serem informados dos problemas da princesa, eles resolveram tomar conta dela e a deixaram ficar.
A malvada rainha não tardou, por meio do seu espelho mágico, a saber que Branca de Neve estava viva e continuava a ser a mulher mais bonita do reino. Decidiu, então, acabar pessoalmente com a vida da princesinha. Disfarçou-se de pobre-velhinha-indefesa-feiosa-e-com-cara-torta, e primeiro tentou matá-la com um pente envenenado, mas na hora chegaram os anões e a afugentaram. Entãoenvenenou uma maçã e foi até a casinha dos anões. Quando eles saíram para trabalhar, ofereceu a maçã envenenada e Branca de Neve, que a mordeu, caiu adormecida.
Quando os anõezinhos regressaram, pensaram que Branca de Neve tivesse morrido. De tão linda, eles não tiveram coragem de enterrá-la. Então fizeram um caixão de vidro e o enfeitaram com flores. Estavam junto à princesa adormecida, quando por ali passou o príncipe do reino vizinho, que há muito tempo a procurava. Ao ver a bela Branca de Neve deitada no seu leito, aproximou-se dela e lhe deu um beijo de amor. Este beijo quebrou o feitiço, que fez a princesa cuspir a maçã e despertar. O príncipe pediu à Branca de Neve que casasse com ele. E o feliz casal encaminhou-se para o palácio do príncipe e foram felizes para sempre.

[editar]Branca de Neve e Rosa Vermelha

Schneeweißchen (conhecido no Brasil como Branca de Neve e Rosa (de) Vermelha'') é uma versão ligeiramente adaptada do original que foi publicada por Ludwig Bechstein em 1845 no seu livro Deutsches Märchenbuch.

[editar]Releituras e adaptações

  • O poema russo de Alexander Pushkin, Сказка о мёртвой царевне и семи богатырях ("O Conto da Princesa Morta e os Sete Reis") (1833) é similar à Branca de Neve, com reis substituindo os anões.[4]
  • Uma das muitas releituras do conto de Branca de Neve aparece em "A Book of Dwarfs", de Ruth Manning-Sanders
  • Outras versões são o conto de Tanith Lee "Red as Blood" e o conto de Neil Gaiman "Snow, Glass, Apples" (publicado em "Smoke and Mirrors").
  • Outros escritores que usam o mesmo tema são Donald Barthelme (em seu romance "Snow White"), Gregory Maguire (em seu romance "Mirror Mirror"), Jane Yolen (em seu conto "Snow in Summer", publicado em "Black Swan, White Raven"), Anne Sexton (em seu poema "Snow White and the Seven Dwarfs", publicado em "Transformations"), Gail Carson Levine (em "Fairest"), e A. S. Byatt (em seu ensaio "Ice, Snow, Glass", publicado em "Mirror, Mirror on the Wall").
  • "White as Snow", outra releitura feita por Tanith Lee, expõe uma combinação de elementos da história de Branca de Neve com o mito grego de Deméter e Perséfone.
  • Angela Carter também escreveu uma versão pós-moderna do conto, intitulada "The Snow Child", em sua coleção "The Bloody Chamber".
  • Em 1982, o livro "Revolting Rhymes", de Roald Dahl, reescreve a história com características mais modernas, em que Branca de Neve é uma jovem sábia que rouba o espelho mágico e ajuda os anões a apostar em cavalos de corrida.
  • Branca de Neve é, também, uma personagem significativa dos quadrinhos/banda desenhada Fábulas de Bill Willingham. Nessa versão Branca de Neve tem uma irmã chamada Rosa Vermelha.
  • O romance de Laura E.Richards, "Snow White or the House in the Wood", de 1900, retrata uma menina que pretende ser Branca de Neve.
  • "The Blood Confession" é um romance de Alisa M. Libby sobre uma condessa que deseja ser eternamente jovem e bela.
  • Regina Doman adaptou a história no romance "Black as Night''", com Blanche, uma órfã católica, que procura refúgio com setefrades.
  • O poema "Mirror, Mirror", de Shel Silverstein, conta uma história alternativa sobre o espelho mágico.
  • Emma Donoghue apresenta uma versão da história em sua coleção de contos "Kissing The Witch".
  • Utilizando idéias de Stanislav GrofJoseph Campbell, e Carl G. Jung, Roberts[5] declara que a versão de Disney retrata oinconsciente, incluindo a descrição de Grof, o Hero's Journey de Campbell, e os arquétipos de Jung.

[editar]Cinema e televisão

  • Em 1902 foi realizado um filme sobre Branca de Neve.
  • Em 1916, foi realizado um filme mudo pela Famous Players-Lasky Corporation, com produção de Adolph Zukor e Daniel Frohman, direção de J. Searle Dawley, e adaptação de Jessie Graham White da peça Snow White and the Seven Dwarfs. O filme foi estrelado por Marguerite Clark, Creighton Hale e Dorothy Cumming.
  • cartoon de Betty Boop de 1933, Snow White, também é uma adaptação do conto.Outra adaptação foi o famoso filme da Disney de 1937, Snow White and the Seven Dwarfs. Na versão de Disney, Branca de Neve é despertada de seu sono pelo beijo do príncipe encantado, a exemplo do que acontece no conto A Bela Adormecida. E, nesta adaptação, o príncipe chegou a conhecê-la enquanto estava acordada[6]. A animação foi premiada com um Oscar especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Na animação, Branca de Neve foi desenhada com as feições inspiradas em Hedy Lamarr, considerada então "a mulher mais bela do mundo".
  • Branca de Neve também está em videogame, em Kingdom Hearts, onde ela é uma das princesas raptadas por Malévola (a bruxa de A Bela Adormercida).
  • A versão de Disney é parodiada em 1943 num cartoon da Merrie MelodiesCoal Black and de Sebben Dwarfs.
  • A história também é adaptada num OVA japonês, Super Mario's Snow White.
  • Em 1961, a história foi parodiada em Snow White and the Three Stooges (Branca de Neve e os Três Patetas), estrelando Moe HowardLarry Fine e Joe "Curly-Joe" DeRita.
  • Uma versão foi realizada na Alemanha Oriental em 1955, Schneewittchen und die sieben Zwerge, filmada em 1965.[7]
  • comédia erótica de horror adaptada do conto de Grimm, Grimms Märchen von Lüsternen Pärchen (1969), apresenta Branca de Neve com características alternativas, assim como a versão pornográfica realizada em 1976, na animação Once Upon a Girl.
  • The Goodies, o trio de comediantes britânicos, produziu uma versão intitulada Snow White 2.
  • Um filme de 1978, Snow White, estrelando Diana Rigg como a rainha, e Sarah Patterson como Branca de Neve, foi realizado para vídeo com o logo da Cannon Movie Tale.
  • pornochanchada brasileira de 1979, Histórias que Nossas Babás Não Contavam, apresenta a atriz afro-brasileira Adele Fátimacomo Branca de Neve, sob o nome de Clara das Neves.
  • O filme Biancaneve & Co., de 1982, é uma adaptação do fumetto Biancaneve, de Leone Frollo, e apresenta a estrela Michela Miti como Branca de Neve.
  • Em 1984, o show de televisão de Shelley DuvallFaerie Tale Theatre, fez uma versão de Branca de Neve com Vanessa Redgravecomo a Rainha, Elizabeth McGovern como Branca de Neve, Rex Smith como o Principe e Vincent Price como o Espelho Mágico. Duvall tabém aparece nesse episódio como a mãe de Branca de Neve.
  • Em 1988, a Filmation Company produziu um conto de Branca de Neve, Snow White and the Realm of Doom; Disney os processou, e o título foi mudado para Happily Ever After.
  • Daddy's Little Bit of Dresden China, um curta-metragem de 1988 da britânica Karen Watson, usa a história de Branca de Neve como parte da história de um abuso sexual infantil.
  • A animação nipônica contou a história de Branca de Neve em três episódios na série de televisão Grimm Meisaku Gekijo". Em 1994, o estúdio de animação Tatsunoko adaptou a história no 52º episódio, Shirayuki-hime no Densetsu (A Lenda da Princesa Branca de Neve), veiculada no Japão na NHK. A produção de Tatsunoko incorporou diversas chamadas enfatizando o romance entre Branca de Neve e seu príncipe.
  • Biancaneve e i sette nani (1995), foi realizado por Luca Damiano, estrelando Ludmilla Antonova.
  • filme de terror de 1997, Snow White: A Tale Of Terror, estrelando Sigourney Weaver como a Madrasta, e Monica Keena como Branca de Neve, pode ter sido a mais autêntica adaptação do conto original de Grimm, mas não apresenta os sete anões, e sim sete mineradores. A trilha sonora original foi composta por John Ottman.
  • Branca de Neve (2000) é um filme português de João César Monteiro, que gerou polêmica pelo tratamento não-ortodoxo da imagem; seria uma reinterpretação de Schneewitchen, do autor belga Robert Walser.
  • Em 2001, outra versão foi feita para televisão, sob o nome Snow White, onde cada anão era uma cor do arco-íris e com a inclusão de um irmão zumbi mágico para a rainha, que agora é uma bruxa transformada em rainha e, depois, transformada na mãe de Branca de Neve.[carece de fontes]
  • O episódio Uma Maçã Traiçoeira, de Digimon Frontier, é uma paródia de Branca de Neve. Zoe atua como Branca de Neve, enquanto os Honeybeemons atuam como os anões. Ranamon atua como a Rainha Má, e dá uma maçã que faz Zoe ter pesadelos. O Príncipe é desconhecido, provavelmente Takuya ou J.P.[carece de fontes]
  • Um segmento do filme turco de 2005, Istambul Tales, foi feito sobre cinco histórias baseadas no conto Branca de Neve.
  • Fairy Tales Exposed: The Facts Behind the Fiction (2005), é uma parte do documentário em três partes produzido ZDF Enterprises, que especula eventos reais e pessoas em que os contos, incluindo Branca de Neve, são baseados. Há sugestões de que Margarethe von Waldeck, supostamente amante do rei Filipe II de Espanha, foi a Branca de Neve na vida real[carece de fontes].
  • Outra versão não-oficial foi realizada na Bélgica e França em janeiro de 2007: Blanche Neige, la suíte, um filme de animação para audiências adultas. Foi dirigida por Picha, que é conhecido por fazer animações de sexo explícito[carece de fontes].
  • O filme de 2007, Sydney White, é uma releitura moderna do conto clássico, estrelado por Amanda Bynes como Sydney White (Branca de Neve), Sara Paxton como Rachel Witchburn (Rainha Má), e Matt Long como Tyler Prince (Príncipe).
  • Na série Sobrenatural, os irmãos Winchester deparam com casos parecidos com histórias de contos de fadas, mas numa versão mais violenta. Chegam a falar que esses são os contos originais, cheios de violência, sexo etc, e que foi a Disney que mudou tudo. Descobrem que a garota fantasma, claramente inspirada na Branca de Neve, estava em coma há anos, já crescida, e estava tentando se comunicar, e dizer que foi a madrasta que lhe causou o coma. O pai dela, médico, ao saber, diz que ela já pode ir embora, e descansar em paz [carece de fontes].
  • Uma adaptação, é no seriado Once Upon a Time, onde a filha e o neto de Branca de Neve e Príncipe Encantado tentam quebrar a maldição da cidade de Storybrooke, em Maine. No mundo mágico, o pai de Branca de neve foi morto pelo gênio de uma lâmpada, que mais tarde se transforma no espelho mágico da rainha má.
  • Uma nova versão foi feita em 2012 com o nome de Branca de Neve e o Caçador. A história é agora adaptada para o cinema em forma de ação. A rainha malvada tem agora o poder de sugar a beleza de outras garotas. Branca de Neve é aprisionada em uma torre quase sua vida toda. O caçador aparece em todo o filme, ajudando a princesa a fugir dos soldados enviados pela rainha para caçá-la.
  • Há uma versão também de 2012 com o nome "Espelho, espelho meu" (Mirror mirror) do diretor Tarsem Singh. A adaptação tem como rainha má a atriz norte americana Julia Roberts como a bruxa má e Lily Collins como a Branca de Neve.

[editar]Referências bibliográficas

  • GRIMM, Jakob e Wilhelm (1989), Os contos de Grimm, São Paulo: Edições Paulinas. ISBN Tradução de Tatiana Belinky, ISBN 85-05-00823-5
  • GRIMM, Jkob e Wilhelm (1996), Contos de Grimm – Branca de Neve, São Paulo: Editora Ática. ISBN 6. ed. Tradução de Lenice Bueno da Silva, ISBN 85-08-04192-6
  • GRIMM, Irmãos (1954), Branca de Neve, Rio De Janeiro: Editora Vecchi. ISBN Coleção Miosótis. Adaptação de A. Mignucci. Versão de T. Soares (em poesia)
  • BETTELHEIM, Bruno (2002), A Psicanálise dos Contos de Fadas, Paz e Terra

[editar]Notas e referências

  1.  BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas (2002)
  2.  BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas (2002), p.212
  3.  Bechstein, Ludwig, Märchen, Deutsches Märchenbuch - Zeno.orgzeno.org (2011). Página visitada em 1 de junho de 2011.
  4.  PUSHKIN, Alexander. "The Tale of the Dead Princess and the Seven Knights", Raduga Publishers, 1974
  5.  ROBERTS, Thomas B. (2006) Psychedelic Horizons: Snow White, Immune System, Multistate Mind, Enlarging Education Exeter, UK: Imprint Academic
  6.  Terri Windling,"Snow, Glass, Apples: the story of Snow White"
  7.  http://www.imdb.com/title/tt0048591/
  8.  http://pt.chespirito.wikia.com/wiki/Branca_de_Neve,_Parte

Jornal Literário — Resumindo a Literatura Homenageado da edição: Ferreira Gullar

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