domingo, 28 de abril de 2013

Histórias de Paris - Mário Benedetti




Título: Histórias de Paris
Autor: Mario Benedetti
Gênero: Contos
Tradutor: Ari Roitmann e Paulina Watch
Páginas: 64
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-250-5373-2
Preço: R$ 34,90


Histórias de Paris
Mario Benedetti

Eric Nepomuceno*
É de se esperar que neste espaço se fale do livro. Pois vou falar é do autor, um homem modesto, de sorriso suave e olhar melancólico, como corresponde a um uruguaio de estirpe. Um homem cálido e bondoso, tímido e cordial. E que soube defender suas ideias com uma paixão que contradizia a amabilidade no trato com as coisas da vida e as pessoas do mundo. Um homem chamado Mario Benedetti.
Quando cometeu sua única grande maldade – nos deixar para sempre – Mario estava com 88 anos. Tinha vivido de tudo, da infância de privações à militância que lhe custou um prolongado exílio. E havia escrito sem parar. Foram mais de 80 livros, ao longo de 63 anos.
Escreveu bons romances, contos formidáveis, ensaios, crítica literária, obras de teatro. E poesia. Foi e é um dos poetas mais lidos do idioma espanhol. Teve, entre seus muitos méritos de escritor, o de ter sido amado pelos jovens. Suas palavras foram roubadas por um sem fim de apaixonados, e ajudaram, gerações afora, a convencer amores esquivos.
Os amigos se despediram dele com leves pinceladas que, unidas, compõem seu retrato mais certeiro. “Que será de nós sem sua bondade inexplicável?”, perguntou Eduardo Galeano.
“Mario foi, acima de tudo, um homem bom”, confirmou outro poeta gigantesco, o argentino Juan Gelman. “Mario ocupava um lugar muito maior do que ele mesmo achava”, afirmou o português José Saramago.
Esse foi o Mario que conheci num dia de inverno de 1973, em Buenos Aires, onde eu morava e ele chegou exilado. Esse foi o escritor que se mostrou em tudo que escreveu. Os contos deste livro são Mario em estado puro. Ler cada um é estar diante dele, escutar sua voz mansa e pausada, confirmar uma capacidade de ternura pelo ser humano que poucas vezes vi igual – e que hoje é artigo cada vez mais raro nesse mundo ressecado. Esse mundo no qual Mario faz tanta falta.
Ler esses contos é como conversar com ele, ouvir Mário desfiando seu rosário de histórias num fim de tarde sereno de Montevidéu ou da vida.
*Eric Nepomuceno é jornalista, escritor e tradutor
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Retratos Parisienses- Rubem Braga.


RETRATOS PARISIENSES

31 CRONICAS - 1949-1952

Formato: Livro
Autor: BRAGA, RUBEM
Idioma: PORTUGUES
Editora: JOSE OLYMPIO
Preço: R$35,00
              Comentários sobre o livro:
          Reunião de 39 crônicas de Rubem Braga ,  em Paris, de 1949 a 1952 .Inéditos em livros, os perfis tratam de personalidades como Jean- Paul Sartre, Pablo Picasso, Henri Matisse e  Alberto Moravia .Numa  mistura de crônica , entrevista, perfil e divagações  líricas , bem ao estilo do autor, Rubem Braga divide com o leitor suas impressões sobre alguns dos mais importantes artistas e pensadores do século 20, com os quais conviveu durante sua estada na França.

domingo, 21 de abril de 2013

Joaquina, filha de Tiradentes


Joaquina, Filha do Tiradentes

Joaquina, Filha do Tiradentes

1a. edição,
Marco Zero
Produto sob encomenda junto aos nossos fornecedores
Quando Tiradentes foi condenado, a Rainha de Portugal mandou que seus descendentes fossem considerados infames até a terceira geração. Tiradentes deixava uma filha, Joaquina. Esta obra arrebatadora recria o drama de Joaquina, pondo-a contra o suntuoso pano de fundo de uma época de esplendor e requinte.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O castelo de papel- Mary Del Priore- Lançamento



    Mary del Priore lança 'O castelo de papel', sobre a princesa Isabel e seu marido, o conde d'Eu


O  livro revela o lado humano dos personagens históricos

Carlos Herculano Lopes - EM CulturaPublicação:16/04/2013 08:36Atualização:16/04/2013 09:35
Mary del Priore revela que, ao contrário de muitos casais reais, Isabel e Gastão de Orleáns eram felizes no casamento (Bel Pedrosa/Divulgação)
Mary del Priore revela que, ao contrário de muitos casais reais, Isabel e Gastão de Orleáns eram felizes no casamento
  Dois destinos que se cruzaram em decorrência de um casamento arranjado, como era comum entre a nobreza da época, a vida da princesa Isabel, então herdeira do trono do Brasil, e do seu marido, o príncipe francês Gastão de Orleáns, o conde d’Eu, é contada em detalhes no novo livro de Mary del Priore, 'O castelo de papel'. O lançamento, com bate-papo com a autora, será nesta terça-feira, às 20h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

Historiadora com mais de 30 livros publicados, entre eles 'A carne e o sangue e História das mulheres do Brasil', em seu novo trabalho, Mary del Priore, além de abordar as questões políticas, mostra também como era o dia a dia do casal, no então provinciano Rio de Janeiro do século 19. “Foi um casamento aparentemente feliz. O conde e a princesa se adoravam e levavam uma vida burguesa, a ponto de Gastão confessar que, a cada dia, agradecia a Deus por tudo o que havia encontrado no seu casamento”, conta Mary.

A jovem Isabel, por sua vez, também se derretia de amores pelo príncipe. Chamava-o de “meu querido, meu bem-amado, meu amigo, meu tudo”. Bordava pantufas para ele, mandava bilhetinhos apaixonados, num romantismo sem limites, bem ao estilo da época. Mary del Priore, numa linguagem das mais saborosas, conta também que, quando dom Pedro II, em fevereiro de 1869, resolveu enviar ogenro para o campo de batalha no Paraguai, em substituição ao duque de Caxias, que havia deixado o comando das tropas, o mundo pareceu cair para Isabel. Acusou o pai de querer matar o marido, pois Gastão estava debilitado e o médico recomendara que ele não pegasse chuva nem sereno. “Ela não queria seu bem-amado fazendo papel de capitão do mato, caçando López. E, ameaçava, iria segui-lo até o inferno”, diz a historiadora.

Embora tenha voltado vitorioso do Paraguai e sido recebido em triunfo no Rio de Janeiro, a relação entre o conde d’Eu e o sogro não era das melhores. O imperador não deixava que o genro e a princesa participassem de questões políticas e os mantinha a distância das decisões ministeriais. Várias cartas de Gastão ao seu pai, conde de Namours, revelam o mutismo e o total alheamento em que Pedro II os deixava. Era constrangedor. “ Isabel chegou a esfriar as relações com o pai depois da morte de sua primeira filha, Luíza Vitória. Ela queria fazer o parto na Europa, onde o casal se encontrava, e dom Pedro II os obrigou a voltar ao Brasil. Um parto malfeito fez perder a filha”, diz Mary.

Isabel e o conde d%u2019Eu, recém-casados (Coleção Museu Imperial/Reprodução)
Isabel e o conde d%u2019Eu, recém-casados
REPÚBLICA E ESCRAVIDÃO
  Rusgas domésticas à parte, por trás de tudo estava a política, com seus desdobramentos. Os clubes republicanos se multiplicavam, o clamor pela libertação dos escravos também. Os oficiais brancos, que haviam lutado lado a lado com os negros na Guerra do Paraguai, passaram a ter respeito por eles.

A monarquia, aos poucos, começa a desmoronar. Foi nesse ambiente que a princesa Isabel (seus pais estavam de viagem para a Europa) assinou a Lei Aúrea, em 13 de maio de 1888, acabando com a escravidão no Brasil, pelo menos oficialmente. Consta que, ao perguntar ao barão de Cotegipe o que ele teria achado do gesto, ele teria respondido: “Redimiste, sim, alteza, uma raça; mas perdeste vosso trono”. E estava certo, pois no ano seguinte, em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República.

Em seguida, a família imperial teve de deixar o Brasil e foi para a França, onde Isabel e o amado conde d’Eu viveram até o fim de suas vidas. Isabel, que passaria a assinar simplesmente condessa d’Eu, morreu em 14 de novembro de 1921, e o seu amado no ano seguinte, em 28 de agosto, ano do centenário da Independência. Em abril de 1971, com toda as honras, os restos mortais do casal foram trasladados para o Brasil.

O CASTELO DE PAPEL
Lançamento do livro de Mary del Priore, com bate-papo com a autora, nesta terça-feira, às 20h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, Avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, dentro do projeto Sempre um Papo. Informações: (31) 3261-1501.

(31) 3450-397
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Casamentos, Formatura e Debutantes

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Terra de casas vazias- André de Leone

"Terra de casas vazias", de André de Leones

      TERRA DE                  casas vazias-  André Leones
O tempo é o pior inimigo do luto. Com uma mobilidade pulverizada e sub-reptícia, ele ataca, com garras apontadas, o manto grosso, incapaz de aderir luz, que veste a casa e as pessoas marcadas pela perda. Não há o que fazer. Mesmo firmado um pacto com a tristeza, mesmo com o esforço de habitar a memória com o que se encadeou até a tragédia, aos poucos o retrato se apaga e a existência passa a ser um ultraje, um desperdício. O cruel é que o rarear das lembranças não acalma o insuportável da dor, e o seguir em frente é como excursionar por vazios provocados pelo impacto da ausência; as mortes daqueles que se foram e daqueles que restam. A motricidade dos dias insiste que erga e cabeça, vire a página, mas superar é um processo inútil quando o único desejo é ficar encerrado naquele minuto antes, o minuto antes do fim.
Teresa não quer seguir em frente. Passa o dia dopada, flanando em movimentos zumbióticos, até se aninhar num canto do quarto vazio do filho. Negligencia a própria saúde e o trabalho, não tem vontade sequer de olhar os folhetos de viagem que Arthur, seu marido, insiste que dê uma chance. Ele acha que vai ser bom, que a distância geográfica os encaminhará para um recomeço. Mas Teresa vê a possibilidade da viagem como a quebra da condição constituída pela morte do filho.
É com esse impasse que o escritor goiano André de Leones inicia o ótimo Terra de casas vazias, seu quinto e mais ambicioso livro – caso exista algo mais ambicioso do que escrever um livro sobre o fim do mundo. Dividido em arcos (ou segmentos dramáticos), o romance acompanha personagens assombrados pela instauração ou pela iminência da perda, que se encontram, entre indas e vindas temporais, em metrópoles que influem, tanto quanto os atores, de maneira decisiva na trama. Cada capítulo é introduzido pelo próprio autor, que estabelece, em mínimos apontamentos, o decorrer dos fatos seguintes, sugerindo que o leitor se deixe guiar por nortes preestabelecidos. E está aí uma das muitas habilidades de Leones: manter o que seria explícito, e necessário para muitos autores, entre camadas de sombras, sugerindo acontecimentos que transportam os limites do livro e se desenrolam nos entremeios da leitura.
Teresa e Arthur vivem em Brasília, assim como Brasília vive neles. Arthur é assessor de um senador às voltas com um escândalo político, inegavelmente o principal estigma que paira sobre a cidade. Mas quebrar o luto e se aventurar pelo mundo não seria também um gesto de corrupção? Teresa insiste que sim, e sua relutância diante das investidas do marido expõe Arthur como alguém se mantém fiel ao teatro unicamente por respeito à dor da esposa. Ele convive com pensamentos dissidentes, que se prenunciam no reencontro com a ex-mulher, Rita. Esse impróprio triângulo amoroso denota a capacidade de Leones de construir personagens críveis, longe de esteriótipos, que causam imediata empatia no leitor. Quando rememora o momento em que Teresa e Arthur se conhecem, na fila do cinema, por exemplo, ele troca magistralmente os traços emocionais de ambos os personagens afetados pela tragédia e, desse modo, entretece uma das cenas mais vibrantes do livro. Nesse momento, é como se pudesse ouvir, ao fundo, “Eduardo e Mônica”, do Legião Urbana, icônico grupo nascido no seio do Planalto Central, com sua melodia simples e letra cativante.
É comum constar, nas críticas aos escritos de Leones, uma influência robusta do cinema e da música. Aqui, pode se agregar à essa observação a literatura. No primeiro arco, há uma cintilante demão do verniz que cobre as estruturas narrativas de notáveis escritores britânicos surgidos na década de oitenta, como Ian McEwan e Julian Barnes, que é encorpada, sem nó ou dano na tessitura, na segunda parte, pelos tons opacos que emplastam o universo de James Ellroy. Ao entrar na história de Aureliano e Camila, Leones flerta com o gênero policial, valendo-se de um dos maiores impasses dos protagonistas dessas histórias: a capacidade de resolver o problema dos outros e não os próprios.
Aureliano é um policial civil que soluciona, diuturnamente, casos ligados a crimes horrendos na face miserável de Brasília, mas não consegue desvendar a doença que acomete Camila, sua esposa, nem o tempo que lhe resta. A morte é uma presença constante, mas, escorado na impassividade de Isaías, um velho policial, ele começa a questionar sua relação com a finitude diante de uma indiferença crescente à crueza cotidiana. Teme não mais se abalar com a perda, mesmo com o vazio que se impõe no leito de hospital onde rareia sua esposa.
Aqui também é onde se descortinam os elos que interligam os fragmentos da história. Aureliano é primo de Arthur, e engendrar os encontros, sejam físicos ou mencionados, a partir daí é como preencher as molduras de um álbum de família. Ao se arriscar nesse exercício de casualidades (ou implicações do destino), Leones acaba por irmanar seus enredos aos romances e roteiros do mexicano Guillermo Arriaga, autor de O búfalo da noite e Babel. No entanto, ao contrário do manejo para entrecruzar destinos moldados por causa e efeito, em Terras de casas vazias o que impele os personagens não são reparações, mas acontecimentos de um tempo já incinerado.

Casas vazias somos todos nós

A terceira parte regressa para a metade final dos anos 80, assim como parece se conectar à própria infância do autor. Os alicerces de Brasília são substituídos pelas fileiras de casas com aparência de desabitadas em Silvânia, interior de Goiás, e o foco da trama passa a ser o encontro entre Aureliano e Arthur, meninos ainda com menos de uma década de vida. Esse tempo de descobertas sofre uma ruptura, quando Aureliano é enviado a passar uns dias na casa do primo por conta da separação dos seus pais. O estranhamento para com a cidade, a casa emprestada e o próprio Arthur constitui essa, que é a melhor parte do livro, pontuada por momentos tocantes (a cena da mãe e do filho no ponto de ônibus é encantadora), referências da época e diálogos precisos, onde os silêncios dão a dimensão da intimidade do autor com tudo ao redor.
Leones está ali. Fica a impressão de que, ao retornar à cidade onde foi criado, ele conjura o espectro do menino que foi (talvez o do menino eletrocutado que leva o seu nome?), revivendo os jantares e as missas intermináveis, caminhando pelas ruas desertas pressionado pela inadequação, pela incapacidade de desembalar numa fuga sem volta. Esse é o momento onde sobressai uma parte da fundação do romance: o questionamento religioso. Diante do aniquilamento, os personagens controvertem a legitimidade de um deus que permite filhos morrerem tragicamente, crianças serem estupradas e assassinadas, que negligencia o ataque de um mal degenerativo. Preservar a fé, desse modo, é um exercício de autopreservação ou apenas contribui para a perpetuação da vacuidade da vida? Não seríamos todos casas vazias, afinal?
Silvânia também explicita o uso de uma descrição mais apurada da cidade para melhor sublinhar as características dos personagens. Com seu marasmo, faz com que, pouco a pouco, o cenário adquira a textura de uma pintura. Brasília é monocromática, silenciosa e desigual. Já São Paulo soa múltipla, dinâmica, e é onde vivem Luís Guilherme e Maria Fernanda, que recebem a visita de Isadora (também mãe de Aureliano). Isadora, uma mulher de 52 anos, traz uma notícia insólita e, até certo ponto, imantada por uma ironia cruel, um vislumbre de redenção em meio à ciranda de perdas. Ela também é mãe de Marcela, uma jovem escritora que conheceu Nathalie numa clínica de reabilitação de drogas e vão morar em Jerusalém. E aqui Leones usa de um artifício literário fascinante, encaminhando o livro para o fim.
Jerusalém é um bálsamo. Uma terra estrangeira, marcada por costumes, regras e a ocorrência da fé infiltrada no ensolarado do dia, cuja distância e atmosfera surgem como algo impensável, ficcional. Valendo-se dessa impressão envelopada do real, Leones cria uma ficção dentro da ficção na apresentação de um conto da personagem Marcela, uma narrativa que se diferencia de todo o resto e constrói um olhar desterrado sobre quem busca redenção no deslocamento, sobrepondo cidades e encontrando um encaixe perfeito entre Goiás e Israel. Nesse novo plano, há encontros e tentativas de reconciliações. Teresa e Arthur se reconhecem como amantes, deixam-se iluminar. E, mergulhados na infinitude do Mar Morto, enxergam a possibilidade de um caminho, ainda que, mesmo despido do luto, todos os caminhos reservem o insustentável peso da perda.
A dinâmica adotada no novo livro pode implicar numa retomada às estruturas que compõem obras como Hoje está um dia morto (2006) e Como desaparecer completamente (2010), mas há aqui uma forte associação com Dentes negros (2011), pela escolha de contar a história após o desmoronamento. No caso do romance anterior, passado após uma hecatombe, o mundo que todos conhecemos; em Terra de casas vazias, um mundo particular, cuja reconstrução cabe a duas pessoas. Por ser capaz de transitar com igual segurança em ambos os universos, Leones afasta de vez o insensato título de autor em ascensão e se estabelece como um dos mais sólidos nomes da literatura contemporânea brasileira.
::: Terra da casas vazias :::
::: André de Leones :::
::: Rocco2013320 páginas :::
::: 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Soneto- Cláudio Manuel da Costa





Estes os olhos são da minha amada,
Que belos, que gentis e que formosos!
Não são para os mortais tão preciosos
Os doces frutos da estação dourada.

Por eles a alegria derramada
Tornam-se os campos de, prazer gostosos.
Em zéfiros suaves e mimosos
Toda esta região se vê banhada.

Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo
Do rosto do meu bem as prendas belas,
Dai alívio ao mal que estou gemendo.

Mas ah! delírio meu que me atropelas!
Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrelas.
 


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Livros em PDF- Biblioteca digital

LIVROS EM PDF - ISSO NINGUÉM DIVULGA
A REDE GLOBO NÃO DIVULGA NUNCA ! ! !
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

·
Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis
Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....

Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:
www.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são732obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
< /TR>


 

Divulgue para o máximo de pessoas!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vila Rica- Poema de Cláudio Manoel da Costa

VILA RICA

Canto VI
Levados de fervor, que o peito encerra 
Vês os Paulistas, animosa gente, 
Que ao Rei procuram do metal luzente 
Co'as próprias mãos enriquecer o erário. 
Arzão é este, é Este, o temerário, 
Que da Casca os sertões tentou primeiro: 
Vê qual despreza o nobre aventureiro, 
Os laços e as traições, que lhe prepara 
Do cruento gentio a fome avara.

A exemplos de um contempla iguais a todos,
E distintos ao rei por vários modos
Vê os Pires, Camargos e Pedrosos,
Alvarengas, Godóis , Cabrais, Cardosos,
Lemos, Toledos, Pais, Guerras, Furtados, 
E os outros, que primeiro assinalados
Se fizeram no arrôjo das conquistas,
O grandes sempre, ó imortais Paulistas!
Embora vós, ninfas do Tejo, embora
Cante do Lusitano a voz sonora
Os claros feitos do seu grande Gama;
Dos meus Paulistas honrarei a fama.
Eles a fome e sede vão sofrendo,
Rotos e nus os corpos vêm trazendo, 
Na enfermidade a cura lhes falece, 
E a miséria por tudo se conhece; 
Em seu zelo outro espírito não obra 
Mais que o amor do seu rei: isto lhes sobra.

Canto VIII
Eulina, que nas graças não receia
Competir co'a deidade que o mar cria,
De transparente garça se vestia, 
Toda de flores de ouro matizada:
A cabeça de pedras tem toucada,
Deixando retratarem-se as estrelas
Em seus olhos; tão ricas, como belas
Muitas ninfas em roda a estão cercando,
Nas lindas mãos nevadas sustentando
Os tesouros, que oculta e guarda a terra.
(Tristes causas do mal, causas da guerra!)
Niseia em uma taça oferecia
Um monte de custosa pedraria,
Em que estão misturados os diamantes,
Co'as safiras azuis, e co's brilhantes
Topázios co's rubis, cotas esmeraldas,
Que servem de esmaltar essas grinaldas,
De que as ninfas do rio ornam a frente.
Em outra taça de metal luzente
Copioso monte apresentava Loto
Por extremo formosa; desde o roto
Seio do rio o louro pó juntara;
Dele costuma usar Eulina clara
Para dar novo lustre a seus cabelos:
Parece que a fadiga dos martelos
Batera o mesmo pó coalhado ao fogo,
Pois deixada esta taça e olhando logo
Para outra, que Licondra na mão tinha, 
Nela de barras mil um monte vinha, 
Em que o divino pó se convertera.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sonho poético- Alvarenga Peixoto



Sonho Poético


Oh, que sonho, oh, que sonho eu tive nesta
feliz, ditosa, sossegada sesta!
Eu vi o Pão d'Açúcar levantar-se,
e no meio das ondas transformar-se
na figura do Índio mais gentil,
representando só todo o Brasil.
Pendente a tiracol de branco arminho,
côncavo dente de animal marinho
as preciosas armas lhe guardava:
era tesouro e juntamente aljava.
De pontas de diamante eram as setas,
as hásteas de ouro, mas as penas pretas;
que o Índio valeroso, ativo e forte,
não manda seta em que não mande a morte.
Zona de penas de vistosas cores,
guarnecida de bárbaros lavores,
de folhetas e pérolas pendentes,
finos cristais, topázios transparentes,
em recamadas peles de saíras,
rubins, e diamantes e safiras,
em campo de esmeralda escurecia
a linda estrela que nos traz o dia.
No cocar... oh! que assombro, oh! que riqueza!
Vi tudo quanto pode a natureza:
no peito, em grandes letras de diamante,
o nome da Augustíssima Imperante.
De inteiriço coral novo instrumento
as mãos lhe ocupa, enquanto ao doce acento
das saudosas palhetas, que afinava,
Píndaro Americano assim cantava:
"Sou vassalo, sou leal;
como tal,
fiel constante,
sirvo à glória da imperante,
sirvo à grandeza real.
Aos Elísios descerei,
fiel sempre a Portugal,
ao famoso vice-rei,
ao ilustre general,
às bandeiras que jurei.
Insultando o fado e a sorte
e a fortuna desigual,
a quem morrer sabe, a morte
nem é morte nem é mal."


terça-feira, 2 de abril de 2013

Amada filha, já é chegado o dia-Alvarenga Peixoto


             Amada Filha, já é chegado o dia
                        Alvarenga Peixoto

          Amada Filha, já é chegado o dia,
          em que a luz da razão, qual tocha acesa
          vem conduzir a simples natureza,
          é hoje que o teu mundo principia.

          A mão que te gerou teus passos guia,
          despreza oferta de uma vã beleza,
          e sacrifica as honras e a riqueza
          as santas leis do filho de Maria

          Estampa na alma a caridade,
          que amar a Deus, amar aos semelhantes,
          são eternos preceitos da verdade

          Tudo o mais são idéias delirantes,
          procura ser feliz na eternidade,
          que o mundo são brevíssimo instante.

(in:Lapa,M.Rodrigues, Vida e obra de Alvarenga Peixoto-Rio de Janeiro,INL,1960)   
          

          

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Curiosidade:A origem do dia da mentira



Menino Maluquinho (Melhoramentos) e Pinóquio (Walt Disney)
Encontro em Paris, capital da mentira
Tudo começou quando o rei da França, Carlos IX, após a implantação do calendário gregoriano, instituiu o dia primeiro de janeiro para ser o início do ano. Naquela época, as notícias demoravam muito para chegar às pessoas, fato que atrapalhou a adoção da mudança da data por todos.

Antes dessa mudança, a festa de ano novo era comemorada no dia 25 de março e terminava após uma semana de duração, ou seja, no dia primeiro de abril. Algumas pessoas, as mais tradicionais e menos flexíveis, não gostaram da mudança no calendário e continuaram fazer tal comemoração na data antiga. Isso virou motivo de chacota e gozação, por parte das pessoas que concordaram com a adoção da nova data, e passaram a fazer brincadeiras com os radicais, enviando-lhes presentes estranhos ou convites de festas que não existiam.Tais brincadeiras causaram dúvidas sobre a veracidade da data, confundindo as pessoas, daí o surgimento do dia 1º de abril como dia da mentira.
Aproximadamente duzentos anos mais tarde essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, consequentemente, para todo o mundo, ficando mais conhecida como o dia da mentira. Na França seu nome é “Poisson d’avril” e na Itália esse dia é conhecido como “pesce d’aprile”, ambos significando peixe de abril. No Brasil, o primeiro Estado a adotar a brincadeira foi Pernambuco, onde uma informação mentirosa foi transmitida e desmentida no dia seguinte. “A Mentira”, em 1º de abril de 1848, apresentou como notícia o falecimento de D. Pedro, fato que não havia acontecido.

Walt Disney criou uma versão para o clássico infantil Pinóquio, dando ênfase à brincadeira, mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. Ziraldo, um escritor brasileiro da literatura infanto-juvenil, também conta histórias sobre as mentiras, através do tão famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em "O Ilusionista", Maluquinho descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

Pregar mentiras nesse dia é uma brincadeira saudável, porém o respeito e o cuidado devem ser lembrados, para que ninguém saia prejudicado, afinal, a honestidade é a base para qualquer relacionamento humano.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

Biblioteca escolar: muito além dos livros

  1. Introdução A biblioteca escolar ainda é vista, muitas vezes, como um espaço silencioso, destinado apenas ao empréstimo de livros ou ao...