sábado, 28 de dezembro de 2013

Os melhores livros de 2013


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1-Amanhã não tem ninguém'

Flávio Izhaki
Narrado por seis vozes de quatro gerações de uma família de origens judaicas, o segundo romance do carioca Flávio Izhaki investiga, com um misto de delicadeza e desencanto, as fraturas afetivas, religiosas e sociais de personagens às voltas com a consciência da morte e a descoberta da solidão. 

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2-Deixa comigo'

Mario Levrero
Autor uruguaio que morreu em 2004, deixando uma obra inventiva e cultuada, Mario Levrero foi publicado no Brasil pela primeira vez este ano. A novela “Deixa comigo”, traduzida por Joca Reiners Terron, é protagonizada por um escritor que se vê transformado em um desastrado detetive, numa releitura irônica do gênero noir.

3-O drible'

Sérgio Rodrigues
Em um romance que procura captar ao mesmo tempo o lado épico do futebol e seus ecos mais íntimos, o mineiro Sérgio Rodrigues narra o amargo reencontro de um velho cronista esportivo à beira da morte com seu filho e as peripécias fabulosas de um esquecido jogador dos anos 1960 que poderia ter sido melhor que Pelé.

4-Fim'

Fernanda Torres
Em seu primeiro romance, a atriz Fernanda Torres demonstra habilidade para construir personagens e um humor tingido de melancolia ao contar a história de um grupo de amigos de Copacabana que, já no fim de suas vidas, relembram o passado e refletem sobre a velhice e a passagem do tempo.

5-Hanói'

Adriana Lisboa
Radicada nos EUA, a carioca Adriana Lisboa faz do trânsito entre culturas o pano de fundo de seu romance mais recente, que narra o encontro, em Chicago, do brasileiro David, assombrado por uma doença terminal, com a jovem Alex, descendente de vietnamitas que nunca pisou na terra de seus pais. 

6-O homem que amava os cachorros'

Leonardo Padura
Um dos principais autores cubanos de sua geração, e que ao contrário de muitos deles ainda vive em seu país, Leonardo Padura reconta neste romance, traduzido por Helena Pitta, a morte de Trotski no exílio mexicano, lançando um olhar empático sobre o líder comunista que em Cuba ainda é visto como “traidor da revolução."

7-Opisanie Swiata'

Veronica Stigger
Primeiro romance da gaúcha Veronica Stigger, “Opisanie swiata” (“descrição do mundo”, em polonês) mantém a concisão e o humor de seus contos em uma narrativa que explora gêneros diversos a partir do percurso de um personagem polonês que, nos anos 1930, viaja da terra natal à Amazônia em busca do filho.

8-O problema da habitação'

Ruy Belo
Ainda pouco conhecido no Brasil, o português Ruy Belo (1933-1978) é considerado um dos grandes nomes da poesia lusófona pós-Fernando Pessoa. “O problema da habitação”,de 1962, foi um dos três livros de Belo lançados este ano pela 7Letras, que publica suas obras completas no país pela primeira vez.

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9-Toda poesia'

Paulo Leminski
Depois de mais de uma década fora de catálogo, os poemas do curitibano Paulo Leminski, morto em 1989, foram editados pela primeira vez em um só volume e comprovaram sua atualidade: “Toda poesia” vendeu mais de 60 mil exemplares, fazendo da obra de vanguarda do autor um surpreendente fenômeno pop.

10-Ximerix'

Zuca Sardan
Pioneiro da poesia marginal e radicado desde os anos 1960 fora do país, Zuca Sardan já era admirado por poetas e críticos, mas conquistou um público mais amplo em 2013, aos 80 anos, com uma participação arrebatadora na Flip e o lançamento de “Ximerix”, uma amostra de seus poemas e desenhos desconcertantes.

11-História das Livrarias cariocas

Ubiratan Machado
Fruto de 13 anos de pesquisa, o monumental estudo de Ubiratan Machado repassa a trajetória de 660 livrarias cariocas, dos pioneiros do século XVIII aos tempos do e-book, retratando estabelecimentos famosos e anônimos que foram palco da vida literária, termômetro da economia e espaço de debate político. 

12-Holocausto brasileiro

Daniela Arbex
Com uma minuciosa investigação sobre a história do manicômio de Barbacena (MG), onde ao longo de cinco décadas dezenas de milhares de pessoas morreram por abandono e maus-tratos, a jornalista Daniela Arbex
traz à tona antigas e novas questões sobre as políticas de saúde mental no Brasil.

13-Imobilismo em movimento

Marcos Nobre
Desenvolvendo seu conceito de “peemedebismo”, que define como o arranjo encontrado pelo sistema político para se blindar contra as forças sociais, o filósofo e professor da Unicamp Marcos Nobre oferece uma eloquente reflexão sobre as causas dos protestos populares que se espalharam pelo país em 2013.

14-O mundo insone'

Stefan Zweig
Agora em domínio público, a obra do austríaco Stefan Zweig , autor de “Brasil, país do futuro”, começou a ser reeditada este ano pela Zahar, em coleção organizada por Alberto Dines. “O mundo insone”, com tradução de Kristina Michahelles, traz seus melhores ensaios, entre eles uma série sobre a Europa no limiar da Primeira Guerra. 

15-A Rosa o que é de Rosa'

Benedito Nunes
Morto em 2011, o crítico paraense Benedito Nunes, um dos principais estudiosos da obra de Guimarães Rosa, teve ensaios clássicos e textos raros reunidos nesta coletânea organizada por Victor Sales Pinheiro, que mostra a evolução de suas reflexões sobre o autor de “Grande sertão: veredas” ao longo de cinco décadas.
(Fonte:O Globo-27/12/13)




domingo, 15 de dezembro de 2013

O mapa que inventou o Brasil- Júnia Furtado

O livro ganhou o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, iniciativa da Organização Odebrecht, que completa 10 anos de apoio à pesquisa histórica e à produção editorial brasileira. As 458 páginas trazem um rico acervo de ilustrações cartográficas criadas entre 1697 e 1782.

Júnia estudou a parceria intelectual de dom Luís da Cunha, representante diplomático de Portugal na França, com o cartógrafo francês Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville para elaborar a 'Carte de l’Amérique méridionale'. Esse mapa embasava o projeto geopolítico advogado por Portugal para suas possessões na América e deu ao território brasileiro configurações muito próximas das atuais.

PARIS 

A historiadora passou um ano debruçada sobre os mapas de D’Anville na Biblioteca Nacional da França, em Paris, onde se encontra a coleção completa do geógrafo. De acordo com Júnia, para elaborar esse mapa final da América do Sul – a Carta da América Meridional –, o francês chegou a usar 600 mapas diferentes. 

A elaboração do documento teve início em 1720 e se desdobrou ao longo de três décadas. Confinado em seu escritório, Jean-Baptiste d’Anville era capaz de produzir mapas de grandes extensões da terra, como países, continentes e planisférios, a partir da consolidação de diversas fontes. Ele deixou cerca de 211 mapas, manuscritos e impressos, além de 23 obras de natureza geográfica. 

“D’Anville nunca saiu de seu gabinete, o processo da época era assim. Ele juntava vários mapas para poder chegar a um resultado final. Muitas vezes, esses documentos eram até conflitantes. Uns são mais confiáveis porque neles foram utilizados instrumentos mais precisos; em outros ele consegue ter o aval das autoridades locais, então tem certeza de que pode utilizá-los. É como se fosse um quebra-cabeças bem complexo”, revela Júnia Furtado.

A carta original, que foi desenhada a lápis e tem dois metros de altura, ficou pronta em 1748. Até 1779, foram produzidas cinco edições diferentes. No livro da historiadora mineira há uma reprodução da Carte de l’Amérique méridionale para que o leitor possa compreender melhor a história e acompanhar como se deram os fatos. “Esse mapa é fundamental para que o leitor possa abri-lo e, à medida que for lendo, entenda como as coisas ocorreram. O mapa é o tema do livro. Não fazia sentido ele ser mera ilustração. O adendo é fundamental, serve para consulta”, explica.

A historiadora destaca a importância do Prêmio Odebrecht, pois graças a ele foi possível publicar um livro completo e caprichado. “Não teríamos como bancar essa pesquisa, bem como o acesso e a reprodução de todas as imagens que ajudam a entender o contexto da época. Foi necessário toda uma negociação com as instituições. Sem o prêmio, o projeto não se concretizaria dessa maneira”, conclui.

Edição de luxo

Pesando 4,2 quilos, a edição luxuosa e com projeto gráfico elaborado é ilustrada com imagens dos séculos 16 a 19. Medindo 26cm x 32cm, é protegida por invólucro especial. Chama a atenção sua bela capa metalizada. Júnia Furtado explica que ela teve inspiração histórica: antigamente, mapas eram feitos em papel e posteriormente impressos em metal. “A ideia era fazer  referência a isso: ao processo de produção cartográfica da época”, observa.

O MAPA QUE INVENTOU O BRASIL
De Júnia Ferreira Furtado Versal Editores, 458 páginas, R$ 249


domingo, 8 de dezembro de 2013

Luís Fernando Emediato lança livro

 
Literatura em família »

Luiz Fernando Emediato lança livro ao lado dos filhos Fernanda e Antônio

Escritor e editor avalia o mercado e anuncia a adaptação de seus romances para o cinema


Carlos Herculano Lopes - EM CulturaPublicação:04/12/2013 06:00Atualização:04/12/2013 08:40

 (André Stefano/Divulgação )
  De uma geração de escritores que começou a fazer literatura em Belo Horizonte no início da década de 1970, à qual pertenciam, entre outros, Antônio Barreto, Jeferson de Andrade e Paulinho Assunção, Luiz Fernando Emediato, ao contrário dos seus colegas, parou de escrever aos 30 anos. Achava que não valia a pena continuar na luta. A partir daí, sempre vivendo em São Paulo, trabalhou em jornais, foi diretor de televisão, coordenou campanhas políticas e, em 1990, resolveu mudar mais uma vez: deixou o jornalismo e criou uma editora, a Geração Editorial, que está no mercado desde então, e atualmente tem seu foco voltado para a literatura de ficção, livros de reportagens e literatura infantojuvenil.

Só agora, aos 62 anos, Luiz Fernando Emediato resolveu voltar à ativa como escritor. Mas não veio sozinho. Chega acompanhado dos filhos Fernanda, de 30 anos, e Antônio Anselmo, de 8. Recentemente, eles lançaram em dose tripla, durante festa realizada em São Paulo, os livros 'Não passarás o Jordão – Tortura e morte na ditadura militar', que sai em nova edição revisada, e os infantis 'A menina perdida' e 'Minha família', de autoria dos filhos. “Foi uma alegria grande. A Fernanda começou a escrever para se aproximar de mim e o Antônio vive no meio de livros desde que nasceu. O livro da Fernanda foi escrito quando ela era ainda adolescente e estava desaparecido. O do Antônio, ditado para mim quando ele tinha 6 anos , é um primor de bom humor e ironia. Esse menino vai longe”, brinca Emediato.

Se a família escreve unida, também trabalha unida. Na Geração Editorial desde os 14 anos, quando começou atuando como recepcionista, atualmente Fernanda Emediato é a diretora da empresa, em que ainda coordena o departamento voltado para a literatura infantojuvenil. “Quase tudo o que aprendi na editora foi com meu pai. Fui passando por quase todos os setores, o que me deu um grande know-how de como as coisas funcionam num universo como este. Sou muito grata a meu pai quando ele viu que eu estava preparada me deu parte da sociedade. Hoje, a Geração faz parte da minha vida”, diz.

Com a experiência adquirida ao longo dos anos, Fernanda diz que o lado mais difícil de trabalhar com livros não é tanto a parte editorial, mas a distribuição, principalmente em um país das dimensões do Brasil. No caso dos infantis e infantojuvenis, é mais problemático ainda. “Os espaços nas livrarias destinados ao segmento é muito pequeno. E o que possuímos temos que dividir e vamos perdendo feio para os livros de brinquedo, que têm pelúcia, bonecas, imagens 3D, todos impressos na China ou na Índia, o que permite que sejam vendidos aqui a preços mais baixos que os nossos. Se não fossem ascompras feitas pelo governo, seria muito difícil continuar nesta área”, conta Fernanda.

Quanto ao fato de trabalhar com o pai, o que nem sempre é tarefa das mais fáceis, ela diz que, em certos assuntos, ele lhe dá bastante autonomia. Em outros, nem tanto. “Como somos de gerações diferentes, às vezes temos ideias opostas e nos confrontamos em alguns casos. Acabamos discutindo o assunto e, se eu não conseguir convencê-lo de que estou certa, a palavra final é dele. Mas nem por isso deixo de respeitá-lo, pois ele tem uma experiência muito grande”, diz Fernanda.

Multifuncional Luiz Fernando, por uma série de compromissos, ultimamente tem aparecido pouco na editora, da qual hoje é uma espécie de consultor especial. Ele diz que acompanha tudo no dia a dia, via e-mail e Skype, além de telefonemas dados para a filha. “Hoje em dia, você pode fazer tudo sem sair de casa. Estou plugado 24 horas por dia, mas sou feliz assim. Meu cérebro é multifuncional, posso estar falando com alguma pessoa e lendo e-mails ao mesmo tempo”, conta Emediato. Sua palavra continua pesando na hora de decidir se um livro adulto será publicado.

A propósito, ele adianta que no início do ano que vem a editora vai lançar uma “obra monumental”, 'Os vencedores', do escritor gaúcho Ayrton Caetano. “São biografias que se cruzam, de uns 30 lutadores que foram esmagados pela repressão nos anos 1960/70 e hoje estão vitoriosos, no governo ou simplesmente na vida. Vamos lançar ainda uma reportagem-denúncia sobre um grande banqueiro e um bom pacote de livros mais variados. Tenho sentido falta de literatura brasileira. Gostaria muito de lançar mais autores jovens. Mas parece que essa turma prefere escrever em blogs”, diz.

Conseguir colocar livros de autores jovens nas livrarias e vendê-los é uma luta. “Vejo jovens promissores surgindo, como Daniel Galera, Luísa Gleiser, Michel Laub e Ana Martins Marques. Por outro lado, tem uma moçada nova tentando escrever romances policiais como Rubem Fonseca ou imitando autores de entretenimento estrangeiros, com histórias de vampiros, fadas, duendes, uma salada monstruosa, um conúbio de Tolkien com J. K. Rowling. Nada disso vai ficar”, acredita.

Tetralogia Quanto à volta para a literatura 32 anos depois, Emediato é pura animação. Retomou com toda a força um romance existencial e político que estava parado, no qual traz um personagem dos 1960 para nossos dias, tendo como pano de fundo meio século de história do Brasil. Tem se dedicado também ao cinema e para abril do ano que vem está prevista a estreia de 'O outro lado do paraíso', longa baseado na sua autobiografia. O filme, que terá como diretor André Ristum, que foi assistente de Bernardo Bertolucci em 'Beleza roubada', está orçado em R$10 milhões. “Pretendo que seja o primeiro de uma tetralogia que terá, na sequência 'Verdes anos', sobre a juventude alienada dos anos de 1970; 'Não passarás o Jordão', sobre os jovens que foram para a luta armada; e, finalmente, 'Perdição', que pegará os mesmos personagens já nos dias de hoje, na maturidade”, antecipa o escritor.

Sobre a oportunidade que teve de lançar um livro com os filhos, coisa que não é fácil de acontecer, Luiz Fernando Emediato, que atualmente, além da retomada literária, trabalha com consultoria para políticos e organizações sindicais, diz que valeu a pena. Mas faz uma ressalva: “No caso do Antônio, espero que ele não siga a carreira literária e procure outra coisa para fazer. É sofrimento demais”, conclui.

Não passarás o Jordão
De Luiz Fernando Emediato, contos,
224 páginas, R$ 34

A menina perdida
De Fernanda
Emediato, infantil,
24 páginas, R$ 29,90

Minha família
De Antônio Anselmo Emediato, infantil,
64 páginas, R$ 39,90

• Todos da Geração
Editorial. Informações: www.geracaoeditorial.com.br


Três perguntas para...

Luiz Fernando Emediato
escritor e editor

Como foi sua relação com Belo Horizonte?
Cheguei à cidade com 21 anos, trabalhei em um banco e estudei jornalismo na UFMG. Em BH escrevi e publiquei meus primeiros contos e aprendi a combater a ditadura com os escritores Benito Barreto, Roberto Drummond e outros, enquanto Murilo Rubião, nosso amigo e protetor, dava conselhos a que não obedecíamos.

Como você avalia o futuro da literatura em um mundo cada vez mais virtual?

A literatura sobreviverá, escrita por poucos e para poucos. Refiro-me à literatura de verdade. Quando aos livros de entretenimento, autoajuda, religião e misticismo, histórias românticas e eróticas, fantasias, distopias, policiais e coisas do gênero, esses também sempre existirão, seja no formato impresso, seja em e-book.

Por falar em e-books, eles deram certo? Estão vendendo bem?
No Brasil, ainda não. Nossa editora está entre as 10 que mais vendem e-books, mas isso significa 4% do faturamento. O problema aqui é o preço do aparelho leitor, o e-reader, e o do livro digital, que ainda é alto.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O último Magnata- F. Scottt Fitzgerard

O Último Magnata

Romance inacabado de Scott Fitzgerald, O último magnata demonstra que poderia ter sido, apesar de sua brevidade e ausência de conclusão, a real obra- prima do autor de outro romance central da literatura norte-americana, O grande Gatsby. Acompanham as cerca de 60 mil palavras do rascunho as notas em que Fitzgerald formulava sua narrativa, minuciosamente coletadas pelo crítico e ensaísta Edmund Wilson, também autor do primoroso prefácio. Conforme Wilson observa em seu excelente — embora breve — prefácio, o mandachuva Monroe Stahr, centro da trama de O último magnata, é o personagem mais bem concebido de Scott Fitzgerald. “Suas anotações sobre o personagem mostram como Fitzgerald conviveu com Stahr por três anos ou mais, amadurecendo as idiossincrasias da figura e reconstituindo sua rede de relacionamentos nos vários departamentos da indústria do cinema.” Desde o começo, Scott Fitzgerald escreveu sobre os objetos e as pessoas que ele conhecia de perto. Seus primeiros textos eram triviais, e como os jovens sobre quem ele escreveu, ele mesmo foi um sujeito desgovernado, guiado pelas sensações em um fluxo de vazios que o levava a nada. Mas desde o princípio suas percepções eram agudas, seu dom com as palavras era inato, sua imaginação era rápida e poderosa. Há vitalidade em cada linha que escreveu. Mas ele teve de confrontar seus próprios valores antes que pudesse propriamente fazer o trabalho para o qual havia sido talhado — e o processo pegou pesado em sua carga de vitalidade. 

1889- Laurentino Gomes



Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo. O Brasil havia se tornado uma república. O império brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de Quinze de Novembro. O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.

Essas e outras histórias surpreendentes estão em 1889, o novo livro do premiado escritor Laurentino Gomes. A obra, que trata da Proclamação da República, fecha uma trilogia iniciada com 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de Dom João para Rio de Janeiro, e continuada com 1822, sobre a Independência do Brasil.

Os crimes de paris- História

 Os Crimes de Paris por Dorothy e Thomas Hoobler
Uma crônica dos crimes mais espectaculares da Belle Epoque Paris - incluindo o roubo da Mona Lisa - eo detetive que usou a ciência para tentar resolvê-los.
Turn-of-the-century Paris era o coração pulsante de um mundo em rápida mudança. Pintores, cientistas, revolucionários, poetas - todos estavam lá. Mas assim, também, foram as sombras: Paris era um lugar criminoso violento, seus becos sinistros assombrações dos gangsters "Apache" e seus cafés os lugares de reunião de anarquistas assassinos. Em 1911, ele foi vítima de talvez o maior roubo de todos os tempos: a tomada da Mona Lisa do Louvre. Imediatamente, Alphonse Bertillon, um mundo detetive famoso por técnicas pioneiras de investigação da cena do crime, foi chamado para resolver o crime. E rapidamente a polícia de Paris teve um suspeito: um jovem artista espanhol que se chamava Pablo Picasso ... (resumo da editora)

Jornal Literário — Resumindo a Literatura Homenageado da edição: Ferreira Gullar

  1. Abertura da postagem Nesta edição do Jornal Literário — Resumindo a Literatura , o homenageado é Ferreira Gullar , um dos grandes no...