domingo, 29 de setembro de 2013

!813-1829-A Marquesa de Santos- Paulo Setubal

1813-1829: A Marquesa de Santos



Nascida em São Paulo, Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867) entrou para a história do Brasil como marquesa de Santos, seu título de nobreza.
Titília, como era chamada pelos mais íntimos, foi confundida com uma prostituta na porta do Teatro da Constituição. Na ocasião, a nobre barrada tentava frequentar os eventos exclusivos da nobreza.
Por conta da confusão, dom Pedro 1º. encerrou a apresentação teatral. O episódio ocorreu no início do famoso romance entre os dois.
Porém, a marquesa era casada, desde os 16 anos de idade, com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça. Seu casamento foi um dos maiores eventos vistos na pequena São Paulo do século 19.
O livro "A Marquesa de Santos (1813-1829)", escrito originalmente na década de 20, conta as aventuras amorosas da jovem paulista enquanto recria o ambiente da cidade de São Paulo.
Abaixo, leia um trecho do livro.
*
Treze de janeiro de 1813. Toda a gente, na cidadezinha de São Paulo, engalanara-se com espavento. Não houve matrona que não se enfeitasse de suas velhas joias. Não houve moça que não se alindasse de galantezas e tafularias. Tudo isso, tanto primor e garridice, para assistir a um acontecimento alvoroçante, inteiramente inesperado, que viera abalar com ruído, aquela pequenina sociedade de Província: o casamento do Alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, moço fidalgo da Casa Real, com a encantadora Domitila de Castro, última filha do Coronel João de Castro Canto e Melo.
Por isso, no casarão da Rua do Ouvidor, onde morava a noiva, burburinhava, havia dias já, tremenda fervedura de arranjos e preparativos.
O velho João de Castro sempre se gabara de seus avós. Gloriava- se, frequentes vezes, de ser fidalgo de lei. A sua mulher, D. Escolástica Bonifácia, apregoava-se, também, com orgulho, descendente dos Toledo Ribas. Eram eles, não havia dúvida, gente de sangue limpo, honrada, com larga parentela na cidade e na Província. E ambos, no casamento da caçula, timbraram em oferecer aos amigos bela noitada de festança grossa, com bródio e baile, que estivesse à altura do seu sangue e do seu nome.
Que rebuliço o que ia pela casa adentro! D. Escolástica, muito atarefada, não cessava de vascolejar, de arejar, de espanejar. Era um destramelar armários, um remexer empoeiradas arcas, um revirar canastras, um escancarar baús, um arrancar lá do fundo de tudo isso, para expor ao sol, os preciosos guardados antigos, as coisas nobres e magníficas, as largas toalhas de crivo, as rendas de bilro, os panos bordados, a prataria do Reino, as peças de porcelana. Sobretudo, com muitos mimos, era um esfregar aquelas pesadas louças de friso azul, tão faladas na cidade, que a boa velha guardava com ciúmes, enternecidamente, para os graves regabofes da família. Quando, em meio àquela lufa-lufa, um canto de sala parecia mais despido, ou faltavam, acolá, enfeites mais vistosos, logo a cuidadosa D. Escolástica, com o seu pronto expediente, gritava para um dos moleques da cozinha:
- Dito! Corra à casa de prima Angélica e diga assim para ela me emprestar o jarrão vidrado da sala de fora.
Os moleques e os escravos, à busca de jarrões vidrados, corriam à Rua do Ouvidor. Da Rua do Ouvidor à Rua do Cotovelo. Da Rua do Cotovelo à Rua da Princesa. Enquanto isso, na cozinha, entre as mucamas, ia largo e febril atarefamento. Despejavam-se pacotes de araruta. Besuntavam-se forminhas para bons-bocados. Desenferrujavam-se as rosetas de florear sequilhos. Folheava-se a massa das queijadas. Recheavam-se os pastéis de Santa Clara. Pingavam-se assadeiras de suspiro. E as raparigotas, brandindo garfos célebres, faziam ecoar sonoramente, no bojo das terrinas, furioso bater de gemas e de claras de ovo.
Essa atordoante trabalhadeira, tão desusado empenho em preparar a noite de gala, revelava bem o júbilo que dava aos pais o casamento da caçula. Esse casamento, no entretanto, tivera curiosa trama. Fora um caso violento de paixão. Romance de amor tão fulminante, tão inesperado, que espantou a todos na cidade.
A história foi assim:
Domitila, a Titília, como lhe chamavam os de casa, era uma criaturinha perturbante, linda boneca de dezesseis anos, leve como pluma, botão de rosa pelo amanhecer. Tinha o talhe fino, a cinturinha breve, ar de graciosa petulância. Que primor de tentações! Os cabelos eram negros, profundamente negros, encaracolando-se num donaire petulante. Olhos também negros, negríssimos, dum fulgor líquido, que enchiam de quentura e brejeirice o moreno róseo de seu rosto. A boca, vermelha, muito úmida, a cavar ao lado, quando ela sorria, uma covinha gaiata, tentadora, que enlouquecia a rapaziada do tempo.
E não foram poucos os que enlouqueceram! Toda a gente sabia que Pedro Gonçalves de Andrade, primo e colaço do juiz de casamentos, passava noites inteiras, de violão em punho, a entoar modinhas e lundus às janelas da rapariga.
E era de ver-se, nos bailes, o Aires da Cunha, sobrinho do Almoxarife da Real Fazenda! O rapaz grudado acintosamente às saias da pequena, vivia tão junto dela, tão cioso dela, que a cidade inteira, com maldade, botou-se a linguajar daquele caso.
E a briga do Moraizinho? Foi no Botequim da Princesa, no Largo da Pólvora, em dia de procissão de São Jorge. O rapazola engalfinhou-se violentamente com o Bento Furquim, um atrevidaço, namoriscador da pequena. Lá se foi com ele aos bofetões e sopapos, numa fúria. Tão áspera cresceu a rixa, tão brutal, que acabaria de certo em tiro de trabuco se o bom do Pe. Bernardo Pureza Claraval,que por ali passava, não acudisse a tempo de separá-los. Nesse mesmo dia, ao escurecer, depois das vésperas, o bondoso cura procurou o velho João de Castro. Narrou-lhe a briga do Moraizinho. Avisou-o com prudência:
- Sr. Coronel! Vosmecê precisa tomar tento. Isto não acaba bem...
- Mas que hei de eu fazer, senhor pároco? Que hei de eu fazer?
- Que há de fazer? Homessa... Pois é casar a rapariga. Casá-la antes que a rapaziada se destripe. Aquilo não é gente! Aquilo é demônio, Sr. Coronel, aquilo é demônio... Cruzes!
Ora, foi justamente por essa época, nesses tempos em que os rapazes se esmurravam por causa da fatal menina, que chegou à Província, e veio aquartelar em São Paulo, um magnífico regimento de cavalaria, o Primeiro Esquadrão do Corpo de Dragões, que tinha sede em Vila Rica, nas Minas Gerais. O regimento, formado de guapos mocetões, equipados vistosamente, atravessou a cidade com galhardia, marchando e rufando. Foi estacar diante do Convento de São Francisco, onde se alojou. De cambulhada com esse Corpo viera um bonito rapagão protegido do Príncipe, tratado pelos superiores com benévolas deferências, moço esbelto e moreno, vinte e dois anos, gentil e simpático. O moço fazia parte do Estado Maior daquele regimento. Era o Alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça. Quis assim o destino, esse endiabrado armador de arapucas, que o oficialzinho de Minas viesse aquartelar exatamente no Largo de São Francisco, a dois passos da Rua do Ouvidor, e, portanto, bem rente à flor mais perturbante da Província, a mais perigosa das desencabeçadoras de rapazes. A graça com que se enfeitou a tentadora moça, as tafulices com que se alindou para enamorar o recém-chegado, não as sei eu, nem as quero imaginar. Mas o certo, o que contam crônicas veneráveis, é que logo após o seu alojamento, ainda mal conhecedor da terra e dos seus usos, já o rapaz andava tão perdido pela rapariga, fazia por ela tais loucuras, cortejando-a tão às escâncaras, que o velho João de Castro, de sobrolho cerrado, chamou confidencialmente a mulher e faloulhe com gravidade:
- Você já reparou, Escolástica, nos dengos do alferes pela menina?
Pois aquilo, no pé em que está, é de duas uma: ou o rapaz presta, e preparam-se os banhos, e a coisa termina já na igreja; ou o rapaz não presta, e mete-se-lhe uma surra, boa roda de pau, para que suma da Província e nunca mais se intrometa com pessoas de bem! Eu vou hoje ao quartel tirar informações. Não há de ser um zé-ninguém, um leguelhé qualquer, que eu vá deixando entrar, sem mais aquela, na família dos Canto e Melo.
- E dos Toledo Ribas! - exclamou a boa senhora, fazendo valer, com aprumo, as culminâncias do apelido.
As coisas que revelou o comandante do batalhão, as excelências que contou do mineirinho e da sua prosápia, foram de certo abundantes e rasgadas: João de Castro saiu do quartel de sobrolho desfranzido. Dias após, Titília, a pequerrucha, teve a maior alegria de sua vida. O seu alvoroço foi tanto, foi tão entontecedora a sua felicidade, que a linda doidivanas, com o seu adorável estouvamento, saiu pela rua afora, trêfega e borboleteante a contar de casa em casa o supremo acontecimento:
- Sabe, prima Angélica, a grande novidade?
-?!
- Fiquei noiva!
- Quê? Vai se casar? Nossa Senhora! Aposto que é com o Moraizinho...
- Pois não é!
- Credo! Então será com o sobrinho do Almoxarife? Quê? Não é? Pois então a maluquinha tem coragem de se casar com o Pedro das serenatas?
- Qual nada, prima Angélica! Tudo isso eram patacoadas. Tudo passatempo. Eu vou me casar, mas é com o Alferes Felício, aquele moreno, de Minas, que veio no Estado Maior dos Dragões. Que tal, prima Angélica? É bonito, não é? Pois então dê cá um abraço! E outro! E mais outro! E até breve, prima Angélica.
Pela cidade inteira, num relâmpago, esparramou-se a notícia do estranho noivado. Foi uma bomba.
*
"A Marquesa de Santos (1813-1829)"
Autor: Paulo Setúbal
Editora: Geração Editorial
Páginas: 350
Quanto: R$ 27,92
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

Domitila - A verdadeira historia da Marquesa de Santos-Paulo Rezzutti



                

                 Editora Geração
                 Literatura Nacional/Biografia
                 Número de páginas: 350 

                  preço: 39,90

Sinopse: Esta obra é a biografia de Domitila de Castro (1797 -1867), a marquesa de Santos, amante do primeiro imperador do Brasil e uma das mulheres mais notáveis e influentes da América Latina, que, segundo o escritor Paulo Setúbal, 'encheu um Império com o ruído do seu nome e o escândalo do seu amor'. Prefácio da historiador Mary Del Priore


Para quem ainda não sabe eu estagio no Museu Paulista da USP, mais conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo. Esse prédio-monumento foi inaugurado em 1895 para ser um Monumento em comemoração à proclamação da independência. Por isso convivo diariamente com o acervo riquíssimo relacionado a sociedade paulista e brasileira que é formado por coleções de objetos, pinturas e iconografia e documentação impressa e manuscrita. Você deve estar se perguntando porque eu estou falando isso, não é? É porque o livro Domitila tem uma relação forte com o museu, inclusive possui muitas pinturas de Dom Pedro I, de D. Leopoldina, de Domitila e outros personagens que aparecem no livro como D. João VI, Tobias e etc.


Museu do Ipiranga/SP

Eu adoro as pinturas do museu e já encontrei pessoalmente algumas que são citadas no livro e isso é muito legal. O museu todo tem uma áurea antiga e está citado no primeiro capítulo do livro. Quando estou aqui fico imaginando como seria o Brasil e São Paulo de antigamente e me fez criar um vínculo mais forte com o livro.

O livro é a biografia de Domitila, uma paulista nascida em 1797 que tem um romance com D. Pedro I entre 1822 até 1829. Ela se tornou a amante favorita do rei e ficou conhecida até internacionalmente por causa do escândalo que foi o reconhecimento de D. Pedro I de paternidade da filha do casal, Isabel Maria, a duquesa de Goiás. A própria Domitila ganha um título que ficou famoso na história e duvido que alguém não tenha ouvido pelo menos uma vez na vida: Marquesa de Santos. Uma curiosidade: Ela nunca morou em Santos/SP.


Domitila e D. Pedro I

No ano de 1823 ela parte junto com a família para o Rio de Janeiro, capital do império, para ficar mais próxima de seu amado. Vale ressaltar que ela era separada e tinha 2 filhos na época que conheceu D. Pedro I. Durante o período que eles ficam juntos D. Leopoldina, a 1ª imperatriz do Brasil falece aos 29 anos e é quando D. Pedro I decide romper com Domitila para poder se casar novamente, já que sua reputação estava bem difamada. Ele se casa com D. Amélia de Leuchtenberg de 17 anos (ele tinha 29 na época), enquanto Domitila volta para São Paulo e se casa com Tobias que foi Presidente da Província, equivale hoje a Governador do Estado, e uma personalidade importante da cidade.

Em São Paulo, Domitila volta com suas riquezas e se transforma na única mulher que figura entre os 15 mais ricos da época. Ela fica conhecia pelas suas caridades e no livro sabemos o que ela de fato fez e o que é mito. Ela foi uma mulher muito determinada e ao total teve 12 filhos (2 do primeiro marido, 5 com D. Pedro I (1 ficou desconhecido, Maria Isabel e Pedro morreram com menos de 1 anos, Isabel Maria foi criada na Europa longe da mãe e Maria Isabel) e 6 com Tobias. Domitila foi uma personalidade ilustre para a época e sofreu com o preconceito de ter sido amante do rei por toda a vida. Ela faleceu em 1867 com quase 70 anos por causa de enterocolite aguda.

Domitila na maturidade

Tenho que dizer que D. Pedro I foi um assanhado que teve dezenas de amantes. Os filhos reconhecidos são 5 com D. Leopoldina, 5 com Domitila, 1  com D. Amélia, 1 com a irmã de Domitila e 1 com uma costureira francesa. Na minha opinião deve ter tido muito mais, coitada de D. Leopoldina que sofreu horrores com essa situação. Foi um choque perceber que a maioria das mortes que ocorreram com os personagens citados no livro foi causada pela tuberculose, inclusive D. Pedro I que morreu aos 36 anos. Ainda bem que a medicina evoluiu.

A narrativa é uma delícia porque vamos conhecendo melhor a Domitila, a relação entre a família real entre eles próprios e com a população e mergulhamos no Brasil de antigamente com seus hábitos, lugares e costumes. A narrativa está na terceira pessoa e o livro é dividido em 3 partes: São Paulo 1797-1822, Rio de Janeiro 1823-29, São Paulo 1829-67 e no final tem uma cronologia dos personagens e dos fatos centrais. O encarte com as fotos coloridas está lindo e as fotos em preto e branco contidas no livro contribuem muito para uma melhor compreensão da história.


Domitila na velhice

Eu amei conhecer melhor essa mulher que até hoje reina no nosso imaginário porque adoro biografias de personagens históricos e livros que contam sobre a história do nosso país e esse une essas duas coisas. O livro se tornou meu xodó por causa do seu conteúdo e pela capa que está divina, maravilhosa e linda *.* A diagramação está super caprichada com fotos e detalhes lindos no começo de cada capítulo. Amei, amei, amei!!!

Recomendo para quem gosta de biografias e para quer descobrir uma história real super interessante.

OBS: A foto do Museu do Ipiranga é de minha autoria e as fotos de Domitila retirei na internet.

  1. Programa do Jô - Jô entrevista Fabrício Carpinejar | globo.tv

    globotv.globo.com/rede...entrevista.../2789147/
    28/08/2013
    ... Fabrício Carpinejar acaba de lançar o livro “Espero Alguém”, uma compilação de textos inéditos e alguns já ...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Biografia de Manuel Bandeira

Biografia[editar]

Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de sua esposa Francelina Ribeiro, era neto paterno de Antônio Herculano de Sousa Bandeira, advogado, professor da Faculdade de Direito do Recife e deputado geral na 12ª legislatura. Tendo dois tios reconhecidamente importantes, sendo um,João Carneiro de Sousa Bandeira, que foi advogado, professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras e o outro, Antônio Herculano de Sousa Bandeira Filho, que era o irmão mais velho de seu pai e foi advogado, procurador da coroa, autor de expressiva obra jurídica e foi também Presidente das Províncias da Paraíba e de Mato Grosso.1 Seu avô materno era Antônio José da Costa Ribeiro, advogado e político, deputado geral na 17ª legislatura. Costa Ribeiro era o avô citado em Evocação do Recife. Sua casa na rua da União é referida no poema como "a casa de meu avô".1
No Rio de Janeiro, para onde viajou com a família, em função da profissão do pai, engenheiro civil do Ministério da Viação, estudou no Colégio Pedro II2 (Ginásio Nacional, como o chamaram os primeiros republicanos) foi aluno de Silva Ramos, de José Veríssimo e de João Ribeiro, e teve como condiscípulosÁlvaro Ferdinando Sousa da SilveiraAntenor Nascentes, Castro Menezes, Lopes da Costa, Artur Moses.
Em 1904 terminou o curso de Humanidades e foi para São Paulo, onde iniciou o curso de arquitetura naEscola Politécnica de São Paulo, que interrompeu por causa da tuberculose.1 Para se tratar buscou repouso em Campanha,Teresópolis e Petrópolis. Com a ajuda do pai que reuniu todas as economias da família foi para a Suíça, onde esteve no Sanatório de Clavadel, onde permaneceu de junho de 1913 a outubro de 1914, onde teve como colega de sanatório o poeta Paul Eluard.2 Em virtude do início da Primeira Guerra Mundial, volta ao Brasil. Ao regressar, iniciou na literatura, publicando o livro "A Cinza das Horas", em 1917, numa edição de 200 exemplares, custeada por ele mesmo.3 Dois anos depois, publica seu segundo livro, "Carnaval".
Em 1935, foi nomeado inspetor federal do ensino e em 1936, foi publicada a “Homenagem a Manuel Bandeira”, coletânea de estudos sobre sua obra, assinada por alguns dos maiores críticos da época, alcançando assim a consagração pública. De 1938 a 1943, foi professor de literatura no Colégio D. Pedro II, e em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Posteriormente, nomeado professor de Literaturas Hispano-Americanas na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, cargo do qual se aposentou, em 1956.5
Manuel Bandeira faleceu no dia 13 de outubro de 1968, com hemorragia gástrica, aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, e foi sepultado no túmulo 15 do mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Poesia de Bandeira[editar]

Manuel Bandeira (3º da esquerda para direita em pé), Alceu Amoroso Lima (5ª posição) e Dom Hélder Câmara (7ª) e sentados (da esquerda para direita), Lourenço FilhoRoquette-Pinto e Gustavo Capanema
Rio de Janeiro, 1936
Manuel Bandeira possui um estilo simples e direto, embora não compartilhe da dureza de poetas como João Cabral de Melo Neto, também pernambucano. Aliás, numa análise entre as obras de Bandeira e João Cabral, vê-se que este, ao contrário daquele, visa a purgar de sua obra o lirismo. Bandeira foi o mais lírico dos poetas. Aborda temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estreia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.
É comum encontrar poemas (como o Poética, do livro Libertinagem) que se transformaram em um manifesto da poesia moderna. No entanto, suas origens estão na poesia parnasiana.5 Foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento.
Uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver. Doente dos pulmões, Bandeira sofria de tuberculose e sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra.
A imagem de bom homem, terno e em parte amistoso que Bandeira aceitou adotar no final de sua vida tende a produzir enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Carnaval, que virá logo após, abre com o imprevisível: a evocação báquica e, em alguns momentos, satânica do carnaval, mas termina em plena melancolia. Essa hesitação entre o júbilo e a dor articular-se-á nas mais diversas dimensões figurativas. Se em Libertinagem, seu quarto livro, a felicidade aparece em poemas como "Vou-me embora pra Pasárgada", onde é questão a evocação sonhadora de um país imaginário, o pays de cocagne, onde todo desejo, principalmente erótico, é satisfeito, não se trata senão de um alhures intangível, de um locus amenus espiritual.1 Em Bandeira, o objeto de anseio restará envolto em névoas e fora do alcance. Lançando mão do tropo português da “saudade”, poemas como Pasárgada e tantos outros encontram um símile na nostálgica rememoração bandeiriana da infância, da vida de rua, do mundo cotidiano das provincianas cidades brasileiras do início do século. O inapreensível é também o feminino e o erótico. Dividido entre uma idealidade simpática às uniões diáfanas e platônicas e uma carnalidade voluptuosa, Manuel Bandeira é, em muitos de seus poemas, um poeta da culpa. O prazer não se encontra ali na satisfação do desejo, mas na excitação da algolagnia do abandono e da perda. Em Ritmo Dissoluto, seu terceiro livro, o erotismo, tão mórbido nos dois primeiros livros, torna-se anseio maravilhado de dissolução no elemento líquido marítimo, como é o caso de Na Solidão das Noites Úmidas.
Esse drama silencioso surpreende mesmo em poemas “ternos”, quando inesperadamente encontram-se, como é o caso dos poemas jornalísticos de Libertinagem, comentários mordazes e sorrateiros interrompendo a fluência ingênua de relatos líricos, fazendo revelar todo um universo de sentimentos contraditórios. Com Libertinagem, talvez o mais celebrado dos livros de Bandeira, adotam-se formas modernistas, abandona-se a metrificação tradicional e acolhe-se o verso livre. Em grosso, é um livro menos personalista. Se os grandes temas nostálgicos cedem ao avanço modernista, não é somente porque os sufocam o desfile fulminante de imagens quotidianas e os esquetes celebratórios do modernismo, mas também porque é um princípio motor de sua obra o reencenar a luta dos dois momentos sentimentais da alegria e da tristeza. O cotidiano “brasileiro” aparece ali, realçando o júbilo evocatório, com o pitoresco popular que se assimila, por exemplo em Evocação do Recife, ao tom triste e nostálgico; usa-se o diálogo anedótico para brindar fatos tão sórdidos quanto sua própria doença (Pneumotórax); a forma do esquete, favorável à apreensão imediata do objeto, funde-se, em O Cacto, a um lirismo narrativo que se aperfeiçoará em sua poesia posterior. Tanto em Libertinagem como no restante de sua obra, a adoção da linguagem coloquial nem sempre será coroada de êxito. Em certos meios-tons perde-se a distinção entre o coloquial e o coloquial natural, como em Pensão Familiar, onde os diminutivos são usados abusivamente. Libertinagem dará o tom de toda a poesia subsequente de João Lucas Mendes Siviero. Em Estrela da ManhãLira dos Cinquent'anos e outros livros, as experiências da primeira fase darão lugar ao acomodamento do material lírico em formas mais brandas e às vezes mesmo ao retorno a formas tradicionais.

Obras[editar]

Poesia[editar]

Prosa[editar]

  • Crônicas da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936
  • Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
  • Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940
  • Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
  • Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946; 2ªed. Cosac Naify - São Paulo 2009
  • Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949
  • Gonçalves Dias: biografia - Rio de Janeiro, 1952
  • Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
  • De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
  • A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957
  • Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de Janeiro, 1957
  • Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
  • Itinerário de Pasárgada - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966
  • Colóquio Unilateralmente Sentimental - Editora Record - Rio de Janeiro, 1968
  • Seleta de Prosa - Nova Fronteira - Rio de Janeiro
  • Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - Rio de Janeiro
  • Crônicas da Província do Brasil - Ed. Cosac Naify - 2009
  • Crônicas inéditas I - Ed. Cosac Naify - SP- 2009
  • Crônicas inéditas II - Ed Cosac Naify - SP- 2009

Antologias[editar]

  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica - Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana - Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 1, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 2, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia Poética - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961
  • Poesia do Brasil - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
  • Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1966
  • Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar, Rio de Janeiro
  • Antologia Poética (nova edição), Editora Nova Fronteira, 2001
  • Antologia Poética, Editora Global, 2013

Em coautoria[editar]

Traduções[editar]

Seleção e organização[editar]

Sobre o autor[editar]

  • Homenagem a Manuel Bandeira, 1936
  • Homenagem a Manuel Bandeira (edição fac-similar), 1986
  1. Homenagem a Manuel Bandeira (sessenta autores)
  • Bandeira a Vida Inteira - Edições Alumbramento, Rio de Janeiro, 1986 (com um disco contendo poemas lidos pelo autor).
  • Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (seleção de Francisco de A. Barbosa) - Editora Global - Rio de Janeiro
  • Manuel Bandeira: Uma Poesia da Ausência. De Yudith Rosebaum. São Paulo: Edusp/Imago, 1993.
  • Humildade, paixão e morte. A poesia de Manuel Bandeira. De Davi Arrigucci Jr.. São Paulo: Cia. das Letras, 2003.
  • Manuel Bandeira. De Murilo Marcondes de Moura. São Paulo: Publifolha, 2001.
  • Alusão feita ao poeta através do seu poema "Mulheres", que é declamado e tomado como índice do modernismo brasileiro, na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil" (1930), realizada na Faculdade de Letras de Coimbra pelo professor Manoel de Souza Pinto.

Multimídia[editar]

  • CD Manuel Bandeira: O Poeta de Botafogo - Gravações inéditas feitas pelo poeta e por Lauro Moreira, tendo como fundo musical peças de Camargo Guarnieri, interpretadas pela pianista Belkiss Carneiro Mendonça, 2005.
  • CD Estrela da Vida Inteira - gravação de Olívia Hime

Academia Brasileira de Letras[editar]

Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde foi o terceiro ocupante da cadeira 24, cujo patrono é Júlio Ribeiro.3 Sua eleição ocorreu em 29 de agosto de 1940, sucedendo Luís Guimarães Filho, e foi recebido pelo acadêmico Ribeiro Couto em 30 de novembrode 1940.3

Jornal Literário — Resumindo a Literatura Homenageado da edição: Ferreira Gullar

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