quinta-feira, 2 de outubro de 2014

50 anos de Mafalda

Mafalda: há 50 anos contestando o mundo29. 09. 2014
Quadrinhos
Passado meio século, as tiras da argentininha continuam sendo reeditadas e até reinventadas na internet e em campanhas políticas
Por Marcelo Rafael

Ela vem do “fim do mundo”, assim como o atual Papa. Ela é mulher, assim como a atual presidente de seu país. Ela é um símbolo nacional, assim como a nossa Mônica. Ela é conhecida mundo afora, assim como os norte-americanos de Peanuts. Ela tem 50 anos. Ela é Mafalda.

“Mafalda se tornou um ícone cultural argentino, ao lado de Che Guevara, Carlos Gardel e Eva Perón”, analisa Paulo Ramos, jornalista especializado em quadrinhos e autor de Bienvenido – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos.

Ele considera que, aqui no Brasil, o sucesso internacional da personagem fez algo que outras HQs vizinhas não conseguiram. “Trata-se de um dos poucos quadrinhos argentinos publicados no país e, apesar disso, obtém um eco enorme em diferentes campos. Um fenômeno”, afirma.

O PRINCÍPIO

Mafalda surgiu nas páginas de um jornal argentino em 29 de setembro de 1964. Mas sua origem não tem nada a ver com o caráter contestatório do status quo, tão característico da personagem.

Ela foi criada para promover a marca de eletrodomésticos Mansfield, e a única exigência da empresa de publicidade era a de que os personagens começassem seus nomes com a inicial da empresa. “M”, então, para Mafalda.

A intenção era publicar as tirinhas, que terminariam sempre elogiando algum produto Mansfield, nas páginas do Clarín, mas o jornal percebeu a propaganda disfarçada de quadrinhos e o material nunca foi publicado.

Foi assim que Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, foi dando a Mafalda a cara que conhecemos hoje. Com algumas pequenas alterações, ele levou as histórias ao semanário Primera Plana, 50 anos atrás.

A ARGENTINA

Ao passar de um jornal semanal para um diário, Quino achou por bem tratar de assuntos cotidianos e, assim, a menininha saiu comentando tudo que se passava dentro e fora da Argentina.

Suas tiras circulavam em jornais questionadores do governo, que acabaram sendo fechados. “A migração das histórias para outros veículos não foi tanto por opção, mas por falta de espaço no veículo anterior”, comenta Ramos.

A turma foi crescendo e apresentando uma visão de mundo a cada novo personagem. Susanita, assim como a mãe de Mafalda, era a mulher dentro do padrão esperado para a época: sonhava em se casar e ter filhos. Ambas eram usadas por Quino para criticar o machismo.

“A irrupção dos movimentos de reivindicação da mulher daquela época influenciaram muitíssimo a Quino”, conta Daniel Divinsky, editor da De La Flor, editora argentina que publica Mafalda atualmente. Este ano, uma nova edição comemorativa de Toda Mafalda foi lançada na Argentina.

Manolito era o “capitalista selvagem” no armazém de seu pai. Miguelito, o inocente. Felipe, o pequeno sonhador. Por fim Liberdade, última da turma, tinha posições mais à esquerda ainda do que Mafalda.

Poucos tiveram inspiração direta na vida de Quino. “Somente o pai de Manolito, inspirado no pai de um amigo dele, e Felipe, inspirado nos traços físicos de Jorge Timossi, grande amigo de Quino”, afirma Divinsky.

O local onde se passam as histórias também é uma referência pessoal: é a rua em frente ao prédio onde Quino morava, no bairro portenho de San Telmo. 

Lá foi inaugurada a imagem de Mafalda, sentada num banco de praça. “Na entrada do prédio, foi colocada uma placa comemorativa. As duas iniciativas [placa e estátua] tornaram o local uma atração turística de Buenos Aires”, conta Paulo Ramos.

De 1964 até o fim das tiras, em 1973, Mafalda mudou de jornal algumas vezes, e muita coisa se passou na política interna argentina e no plano internacional.

As reviravoltas no governo, o retorno de Perón (mandado de volta à Espanha pelo recém-instalado governo militar brasileiro quando o político pousou no Rio de Janeiro, em escala para Buenos Aires), a economia, o impacto da televisão dentro de casa, a Guerra Fria, Cuba, o medo da China, tudo era comentado por Quino por meio de seus personagens.

O MUNDO

O sucesso de Mafalda levou à sua primeira publicação fora da Argentina. Mafalda, La Contestatoria foi publicada pela primeira vez na Itália em 1969. Por lá, ganhou elogios de Umberto Eco.

De lá para cá, a menina que gostava de Beatles e queria ser tradutora da ONU para tentar buscar a Paz Mundial já foi publicada em 6 países. No Brasil, a coletânea Toda Mafalda, editada pela Martins Fontes, foi incluída no Programa Nacional Biblioteca da Escola, em 2006.
“Afora alguns casos específicos, como o Vietnã ou o impacto dos Beatles, conclui-se, a partir de Mafalda, que o mundo não mudou muito assim”, diz Ramos

Com o fim das tiras, em 1973, Quino ainda retomou a personagem em campanhas nacionais de saúde e em uma versão infantil da Declaração dos Direitos da Criança, para a ONU.

Essas peças institucionais e as primeiras histórias, que ficaram de fora de Toda Mafalda, foram reunidas no álbum Mafalda Inédita, publicada pela De La Flor lá e pela Martins Fontes aqui.

O TEMPO

Entre 1964 e 1973, Mafalda entrou na escola, tirou férias, sua mãe engravidou e teve outro filho. Os personagens, inclusive, mudavam suas roupas, diferenciando-se de outros como Mônica, Calvin e Charlie Brown.

Para Ramos, isso teria raízes em tiras norte-americanas como Dick Tracy e Ferdinando, que tiveram marcas temporais em suas séries. “Mesmo assim, era algo novo nas tiras cômicas. Foi mais uma inovação trazida por Quino. Não por acaso, Mafalda ditou o rumo das tiras argentinas a partir de então”, acrescenta.

Em 1973, já no jornal Siete Días Ilustrados, Quino resolveu, aos poucos, ir se despedindo do público, até que, em junho, publicou sua última tira. Entre os motivos para o encerramento de Mafalda estavam a intenção de não deixar outros artistas tocarem as histórias, como ocorreu com Peanuts e Mônica, e a vontade de não se repetir.

50 anos depois, Mafalda continua atual, sendo usada constantemente em redes sociais e até em campanhas eleitorais brasileiras, mesmo sendo uma personagem tão datada.

“Quino lamenta essa permanência porque considera que é sinal de que nada mudou no mundo em relação às situações que criticava através de suas personagens. E eu compartilho dessa ideia”, finaliza Divinsky.
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Fonte: Editora Saraiva

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Resumo do Livro; O Primo Basílio

Luísa e Jorge eram casados, viviam um casamento feliz e repleto de alegria e paixão nos primeiros anos. Essa boa convivência despertava em Jorge um desânimo quanto à sua viagem a trabalho para Alentejo. Na manhã antes da viagem Luísa leu no jornal que retornava a Lisboa, depois de fazer fortuna no Brasil, Basílio Brito, seu primo e também seu primeiro amor. Basílio era rico, mas depois de empobrecer foi para o Brasil e através de uma carta, após algum tempo, rompeu com Luísa. Por muito tempo ela esteve infeliz com o fim do romance, mas depois de novas amizades feitas e tempos passados esqueçeu-o e assim veio o casamento com Jorge.

Num domingo à noite, como de costume, reuniram na casa de Luísa e Jorge seus amigos: Julião, Sebastião, D. Felicidade, o conselheiro e Ernestino. Logo depois Jorge viajou e Luísa ficou sozinha apenas com as empregadas: Juliana, com quem não se dava bem e que apenas aceitava em casa por gosto de Jorge que se sentia agradecido por ela ter sido uma enfermeira fiel a sua tia tempos antes dela morrer e Joana, a cozinheira.

Logo após a partida de Jorge veio ter com Luísa seu primo Basílio. Conversaram e no dia seguinte ele retornou. Passou então a freqüentar a casa todos os dias. E logo, entre essas visitas, declarou por ela um amor que vinha desde a mocidade. Inicialmente Luísa o censurou; mas as lembranças do romance passado, a ausência de Jorge e as doces palavras de Basílio a fizeram ceder. Assim iniciou o caso dos dois. A essa altura a vizinhança já comentava a constância de Basílio na casa do “engenheiro”, Sebastião que a pedido de Jorge ficou como a zelar de Luísa depois de muito pensar teve com ela, coisa que não fizera antes por sempre estar com visita, e lhe disse o que se passava na vizinhança.

Nesses tempos Juliana, que tinha rancor de Luísa, ficava na espreita para confirmar sua suspeita acerca da infidelidade de Luísa. Juliana nutria tal sentimento por se sentir injustiçada quanto à morte da tia de Jorge a quem se dedicara e nada recebeu em troca e também pela inveja que tinha da senhora. Os falatórios na rua e o desejo de maior privacidade levaram Luísa e Basílio a terem um local de encontros, o “paraíso”. Passaram a se encontrar constantemente lá. E rapidamente novas fofocas se fizeram, estas se justificaram graças a D. Felicidade que teve um pé quebrado e assim as saídas de Luísa foram atribuídas às visitas na casa da amiga.

O “paraíso”, no entanto, não era um lugar extremamente agradável, possuía uma grandiosa simplicidade e já tinha sido local de encontro de outros. Luísa e Basílio tiveram ali grandes momentos, certa vez quase romperam, porém o “nunca mais” que o rompimento representava o empendiu de acontecer. Jorge continuava no Alentejo e falava a Luísa através de cartas. Às vezes ela até sentia remorsos, mas o romance seguia.
Foi até o momento em que Juliana, tendo em suas mãos cartas dos dois, se apresentou. Luísa se desesperou e junto a Basílio buscou uma solução. No entanto, depois que Basílio voltou ao hotel onde hospedava e teve com o amigo que o acompanhava decidiu que o melhor era ir embora. Assim foi ter com Luísa, disse que os negócios o chamavam com urgência à Paris, mas que voltava em breve. Perguntou quanto dinheiro Juliana queria pelas cartas, mas Luisa rancorosa despediu-se com frieza e disse que ela resolvia sozinha o problema com a empegada.

Juliana queria seiscentos mil contos de réis, foi aí que iniciou o tormento de Luisa. Pensou em contar a Sebastião e lhe pedir ajuda, mas desistiu. Logo Jorge chegou e nesses dia Luisa viu que sempre o amara e mais que nunca o amou. Juliana esperando seu dinheiro segurou o segredo através dos presentes que recebia de Luisa. Ela lhe concedeu um quarto melhor, lençóis de linho, um colchão melhor, uma cômoda cheia de roupas que antes perteceram à própria Luísa. Juliana então decidiu gozar do luxo que possuía.

Assim, deixou de cumprir suas tarefas, Luísa pra esconder tal coisa de Jorge começou a fazer os serviços de Juliana, pois quando fazia deixava pelas metades. Vendo que Jorge observava tudo que se passava procurou sua amiga Leopoldina. Essa era uma amizade da qual Jorge não fazia gosto, porque Leopoldina tinha muitos amantes, mas como a amizade vinha dos tempos de colégio Luísa não quis rompê-la. Luísa procurou a amiga e revelou toda a traição e pediu que a ajudasse. Leopoldina sugeriu que ela procurasse Castro, um homem rico que era capaz de fazer tudo por ela, Luísa abominou a idéia, mas depois se rendeu quando em uma manhã viu que ele partiria em breve para o estrangeiro.

Leopoldina chamou o homem que chegou rapidamente, o dinheiro foi pedido e o homem concedeu, qunado Luisa ficou a sós com ele que se jogou em cima dela, usando o chicote dele, Luísa o pôs pra fora a chicotadas, ficando sem o dinheiro.
Jorge via a comodidade de Juliana e a defesa que Luísa lhe dava e passou a ter raiva da empregada. Luisa justificava as faltas dela com a doença que a pobre sofria. Mas em uma manhã, Jorge vendo o estado da casa avisou que ao anoitecer queria vê-la na rua. Fez-se nova confusão na casa. Luísa entre choro pôs Juliana na rua e suplicou que ela fosse sem escândalo. Correu, então, até a casa de Sebastião contou-lhe tudo e ele sem perguntas disse que ajudaria. Precisava ficar só com a empregada e por isso Luisa e Jorge, acompanhados de D. Felicidade, foram ao teatro.

Sebastião junto a um policial foi à casa de Jorge, teve com a mulher e pediu que lhe entregasse as cartas se não iria presa. Com as cartas nas mãos, Juliana antes de sair caiu no chão morta, sua saúde era fraca, os nervos e a ira que lhe foi provocada a mataram. Quando os donos da casa chegaram Sebastião tinha chamado Julião e disse que entrara na casa e a mulher que esbravejava por ter sido demitida caiu morta.
Ela foi enterrada, no dia seguinte Luísa amanheceu com uma febre que só foi piorando. Teve então dias melhores, conheceu a empregada nova, Mariana. Com as melhoras fez até mesmo planos para o futuro, mas quando ela estava melhorando chegara uma carta para ela, Jorge acabou lendo-a.

A carta era a resposta de uma carta enviada por Luisa a Basílio em que arrependida lhe pedia o dinheiro para pagar Juliana. Na carta, Basílio disse que demorou receber a carta dela e que se ainda precisasse do dinheiro lhe mandasse um telegrama. E ainda declarava-lhe amor e lembrava do “paraíso”. Jorge viu a traição e por isso vinha tratando diferentemente Luisa, que apesar da sua melhora ainda estava fraca e por isso quando Jorge e o seu mau humor e frieza lhe entregou a carta, desmaiou.
Daí em diante Luísa piorou grandiosamente. Antes que ela perdesse a lucidez Jorge lhe deu um beijo e foi correspondido, nesse momento tudo foi perdoado, mas daí pra frente Luísa não teve melhora, pelo contrário, adoeceu gravemente, teve “febre cerebral” acompanhada por delírios. Por fim morreu. Em casa, Jorge e os amigos lamentavam. Dias após a morte de Luísa, Basílio voltou a Lisboa para findar seus negocios por lá. Procurou Luísa e encontrou a casa fechada, Jorge vivia com Sebastião, o vizinho que lhe falou da morte. Basílio apenas voltou ao hotel lamentando-se por não ter levado consigo uma amante de Paris.

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