quinta-feira, 30 de maio de 2013

O continente- -Erico Veríssimo

A trilogia O tempo e o vento, que inaugura o relançamento da obra completa de Erico Verissimo pela Companhia das Letras, é a mais famosa saga da literatura brasileira. São 150 anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil que o escritor compôs em três partes – O Continente, O retrato e O arquipélago -, publicadas entre 1949 e 1962.
O primeiro volume de O Continente abre a trilogia. Erico mergulha no passado do Rio Grande do Sul e do Brasil em busca das raízes do presente. O país vive um momento de redescoberta de si e de redefinição de caminhos, com o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, e o começo da Guerra Fria. Essa é a moldura para sua visão vertiginosa da violência e das paixões na definição da fronteira e nas guerras civis de seu estado natal.
O Continente, segundo o crítico literário Antonio Cândido “um dos grandes romances da literatura brasileira”, lança o leitor em plena ação, durante o cerco das tropas federalistas ao Sobrado do republicano Licurgo Cambará, em 1895, para em seguida retroceder um século e meio e mostrar as origens míticas e históricas do clã Terra Cambará. Acompanhando a formação dessa família, Erico nos apresenta toda a saga.
O projeto gráfico de Raul Loureiro e as ilustrações do artista plástico Paulo von Poser respeitam o espírito das primeiras edições de Erico Verissimo, acompanhadas meticulosamente pelo próprio escritor – que chegava a desenhar esboços de personagens e cenários. Além de ilustrar as páginas iniciais de todos os volumes, Paulo von Poser desenhou o mapa do Rio Grande do Sul que ilustra O Continente.

domingo, 19 de maio de 2013

Um certo capitão Rodrigo


Um Certo Capitão Rodrigo é o terceiro episódio da obra O Continente, primeiro livro da  trilogia O Tempo e o Vento constituída também dos livros O Retrato e O Arquipélago.

Resumo

A narrativa se passa na cidade de Santa Fé no inicio de 1828 quando o Capitão Rodrigo Cambará, homem de 30 anos que participara das guerras de 1811, 1817, 1821 e 1825, chega à cidade.
Logo no inicio, o Capitão trava amizade com Juvenal, filho de Pedro Terra, que detestava Rodrigo, e conhece Bibiana, irmã de Juvenal.
Aconselhado pelo padre Lara, Rodrigo vai pedir à autoridade da região, Coronel Ricardo Amaral Neto, para permanecer na cidade, mas este exige que o forasteiro vá embora.
Disposto a ficar na cidade, principalmente por estar interessado em Bibiana, Rodrigo se recusa a deixar a cidade e logo em seguida, desentende-se com Bento Amaral, filho do Coronel Amaral que também estava apaixonado por Bibiana.
No duelo, Rodrigo consegue marcar à faca a cara do rival que, humilhado, usa sua arma de fogo e fere gravemente o Capitão.
Entre a vida e a morte, Rodrigo é levado para casa de Juvenal que junto com sua irmã Bibiana e o padre Lara cuidam de sua recuperação. Recuperado, Rodrigo casa-se com Bibiana, contra a vontade de Pedro Terra, em 1929.
Em seguida, uni-se em sociedade com o cunhado e abre um armazém, mas Rodrigo logo se sente entediado e passa a beber e a trair Bibiana. Nem o nascimento dos três filhos, Anita, Bolívar e Leonor, lhe restaura o interesse. Sua filha Anita morre antes que ele chega em casa porque, bêbado, se recusa a ir para casa quando avisado da doença da menina.
Com a Revolução Farroupilha em 1835, Rodrigo adere à revolução e desaparece de Santa Fé, retornando apenas em 1936 para enfrentar os Amarais que ainda continuavam fiéis ao império. A Revolução vence, mas Rodrigo é morto no ataque e o enredo termina com Bibiana no cemitério junto com seus dois filhos, no dia de finados.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O tempo e o vento - Érico Veríssimo


"O tempo e o vento" - Resumo da obra de Érico Veríssimo

16/09/2012 23h 38
Composta de três romances – "O Continente", "O Retrato" e "O Arquipélago" –, a obra traz acontecimentos e histórias de dimensões épicas, que narram 200 anos do processo de formação do estado do Rio Grande do Sul.

- Leia a análise de O Tempo e O Vento

Resumo
Livro 1: O Continente
Publicados originalmente em 1949, a saga de "O Tempo e o Vento" começa com os dois volumes de "O Continente". Esta primeira parte da trilogia narra o nascimento do Estado do Rio Grande do Sul através das famílias Terra, Caré, Cambará e Amaral.

Capítulo “Um certo Capitão Rodrigo” 
Alguns capítulos dos três romances merecem destaque, seja pelo apuro estilístico do autor, seja pela temática desenvolvida. “Um Certo Capitão Rodrigo”, presente na primeira parte da trilogia, "O Continente", merece essa atenção especial. O capítulo tem o mérito de retratar, ou recriar, a imagem do homem gaúcho forte, bravo, destemido, na figura do personagem principal: capitão Rodrigo Cambará. 

A cena da chegada do capitão Rodrigo à cidade de Santa Fé já é suficiente para passar essa ideia do homem gaúcho, tanto pelas vestimentas como pela personalidade: 

“Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. 

Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido: 

– Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho! 
– Pois dê” 

A descrição do valente e imponente capitão entrando no pacato vilarejo, seguida do desaforado cumprimento da chegada, antecipa o incômodo que essa figura produzirá em tal espaço. O dono da resposta curta e grossa que aceita o confronto, porém, não se tornará seu antagonista na história. Será seu futuro cunhado, Juvenal Terra.

A importância desse capítulo está no fato de que – além de apresentar a figura típica do gaúcho encarnada pelo capitão Rodrigo – mostra a união dos dois grandes sobrenomes que marcarão, na obra, a formação do estado do Rio Grande do Sul: os Terras e os Cambarás.

Apaixonando-se perdidamente por Bibiana Terra, o capitão a conquista após minar sua resistência e a de sua família, além de ter vencido em um duelo o pretendente rico de Bibiana: Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral. Essa união representa, estruturalmente, o eixo das duas famílias que irão protagonizar toda a trilogia.

O carisma de Rodrigo Cambará acaba por conquistar, de fato, não apenas Bibiana Terra, mas vários moradores de Santa Fé, como o padre Lara e Juvenal Terra, com quem monta um negócio. A figura do capitão, no entanto, distancia-se em todos os momentos do perfil do bom moço. Mesmo depois de casado com Bibiana, Rodrigo Cambará mantém o gosto pelo carteado, pela bebida e, principalmente, por outras mulheres.

O antagonista de Rodrigo Cambará é Bento Amaral, com o qual trava uma luta atrás do muro do cemitério, após um desentendimento em uma festa de casamento. Nesse confronto, o filho do coronel, desonrando a batalha, utiliza uma arma de fogo contra o capitão.

Antes de dar o tiro à traição, Amaral quase recebe a marca do capitão Rodrigo: um “R” na testa. Surpreendido pelo disparo, no entanto, o capitão só tem a possibilidade de talhar um “P”. Falta-lhe tempo para completar a letra “R”. A cena final desse capítulo é a invasão do casarão da família Amaral. Nesse episódio, morre o capitão Rodrigo Cambará, deixando órfão o filho Bolívar: 

“O tiroteio começou. A princípio ralo, depois mais cerrado. O padre olhava para seu velho relógio: uma da madrugada. Apagou a vela e ficou escutando. Havia momentos de trégua, depois de novo recomeçavam os tiros. 

E assim o combate continuou madrugada adentro. Finalmente se fez um longo silêncio. As pálpebras do padre caíram e ele ficou num estado de madorna, que foi mais uma escura agonia do que repouso e esquecimento. O dia raiava quando lhe vieram bater à porta. Foi abrir. Era um oficial dos farrapos cuja barba negra contrastava com a palidez esverdinhada do rosto. Tinha os olhos no fundo e foi com a voz cansada que ele disse: 

– Padre, tomamos o casarão. 
Mas mataram o capitão Rodrigo – acrescentou, chorando como uma criança. 
– Mataram? 

O vigário sentiu como que um soco em pleno peito e uma súbita vertigem. Ficou olhando para aquele homem que nunca vira e que agora ali estava, à luz da madrugada, a fitá-lo como se esperasse dele, sacerdote, um milagre que fizesse ressuscitar Rodrigo. 

– Tomamos o casarão de assalto. O capitão foi dos primeiros a pular a janela. – Calou-se, como se lhe faltasse fôlego. 
– Uma bala no peito...”

Livro 2: O Retrato
Rodrigo Terra Cambará decide voltar a sua terra-natal, Santa Fé, após ter ido estudar medicina em Porto Alegre. Nesse segundo romance da trilogia acompanha-se a decadência social de Santa Fé na passagem para o século 20 causada por interesses e jogos políticos.

Livro 3: O Arquipélago
O terceiro e último romance da trilogia "O tempo e o vento" narra a volta de Rodrigo Cambará à Santa Fé depois de passar muitos anos no Rio de Janeiro ao lado do então presidente Getúlio Vargas, seu amigo e aliado. Assim, o poder da família Terra Cambará, que era somente local, adquire em "O Arquipélago" um âmbito nacional. Após o fim do Estado Novo, Rodrigo está derrotado politicamente e doente. Rodrigo se vê na luta de não morrer na cama, uma vez que “Cambará macho não morre na cama”.

Sobre Érico Veríssimo
Érico Lopes Veríssimo nasceu em 17 de dezembro de 1905 na cidade de Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Aos 13 anos, Érico já lia autores nacionais e internacionais. Em 1920 foi estudar em Porto Alegre e dois anos depois seus pais se separaram. Assim, Érico foi morar com seus irmãos e mãe na casa da avó materna. 

Para ajudar nas finanças da família, ele começou a trabalhar como balconista no armazém de seu tio, até que conseguiu uma vaga no Banco Nacional do Comércio. Algum tempo depois, mudou-se com sua mãe e irmãos para Porto Alegre. Lá, Érico adoeceu e perdeu seu emprego no Banco. Por conta dessas dificuldades, a família resolve voltar para Cruz Alta, onde Érico torna-se sócio de uma farmácia. Ao lado dessas obrigações, ele dava aulas de inglês e literatura.

Em 1929, Érico publica “Chico: um conto de Natal” e outros contos na “Revista do Globo”, de Porto Alegre. No ano seguinte a farmácia entra em falência e Érico resolve mudar-se para Porto Alegre. Lá ele conhece diversos escritores renomados e toma mais contato com as vanguardas literárias do país. No final de 1930 é contratado como secretário de redação da “Revista do Globo”.

Em 1931, casa-se com Mafalda Halfen Volpe, com quem teria dois filhos. Durante essa época trabalha em outros jornais e realiza algumas traduções de obras estrangeiras. No ano seguinte, é promovido a diretor e passa a atuar também no Departamento Editorial da Livraria do Globo. Em 1933 publica seu primeiro romance, "Clarissa". Nessa época, Érico publica também alguns livros infantis. Em 1938, publica "Olhai os lírios do campo", um de seus maiores sucessos literários.

Em 1941, passa três meses nos Estados Unidos. Dessa sua estadia em terras norte-americanas, Érico tirou inspiração para escrever "Gato preto em campo de neve". Motivado por discordâncias políticas frente a ditadura do governo Vargas, muda-se para os Estados Unidos em 1942, onde leciona Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Ao voltar para o Brasil, publicou A volta do gato preto (1946). Em 1947, Érico Veríssimo começa a escrever a sua obra-prima, a trilogia "O tempo e o vento". Dois anos depois, publica o primeiro volume dessa obra.

Em 1953, Érico volta para os Estados Unidos ocupando um caro na Organização dos Estados Americanos a convite do governo brasileiro. No ano seguinte, ganha o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Alguns anos depois vai à Europa pela primeira vez.

Em 1962, publica "O Arquipélago", último volume de sua trilogia "O tempo e o vento". Três anos depois, ganha o Prêmio Jabuti pelo livro "O senhor embaixador". Após esse, Érico publica diversos outros livros.

Em 28 de novembro de 1975, Érico Veríssimo sofre um infarto e falece deixando inacabados sua autobiografia e um romance. 

Suas principais obras são: "Música ao longe" (1936), "Olhai os lírios do campo" (1938), "O tempo e o vento" (1949-1962) e "Incidente em Antares" (1971). Além dessas obras, Érico Veríssimo publicou contos, livros de literatura infantil, ensaios e críticas de literatura.

domingo, 12 de maio de 2013

A origem do dia das Mães.

A origem do Dia das Mães


A mais antiga comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses.
O próximo registro está no início do século XVII, quando a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Nesse dia, as trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães. Era chamado de "Mothering Day", fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo.
Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, autora de "O Hino de Batalha da República".
Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.
Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração.
Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data.
"Não criei o dia das mães para ter lucro"
O sonho foi realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Anna Jarvis. A popularidade do feriado fez com que a data se tornasse uma dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. "Não criei o dia as mães para ter lucro", disse furiosa a um repórter, em 1923. Nesta mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso.
Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa a diante. Dizia que as pessoas não agradecem freqüentemente o amor que recebem de suas mães. "O amor de uma mãe é diariamente novo", afirmou certa vez. Anna morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todos, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe.
Cravos: símbolo da maternidade
Durante a primeira missa das mães, Anna enviou 500 cravos brancos, escolhidos por ela, para a igreja de Grafton. Em um telegrama para a congregação, ela declarou que todos deveriam receber a flor. As mães, em memória do dia, deveriam ganhar dois cravos. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, com o mesmo propósito. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados.
No Brasil
O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.


Texto compilado das seguintes fontes
- Pesquisa de Daniela Bertocchi Seawright para o site Terra,
http://www.terra.com.br/diadasmaes/odia.htm
Fontes / Imagens:
· Norman F. Kendall, Mothers Day, A History of its Founding and its Founder, 1937.
· Main Street Mom
· West Virginia Oficial Site
- O Guia dos Curiosos - Marcelo Duarte. Cia da Letras, S.P., 1995.
- Revista Vtrine - artigo - Abril, S.P., 1999

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A personagem Luluzinha está completando 78 anos


A personagem Luluzinha completa 78 anos de idade


A célebre personagem infantil Luluzinha surgiu em 1935, nas tiras em quadrinhos do Saturday Evening Post, e rapidamente apareceu em comerciais até ganhar uma animação em 1943, pela Paramount Pictures.
Para comemorar os 78 anos de vida, a Editora Pixel lançará, no Brasil, o livro Luluzinha – Primeiras Histórias (formato 17 x 24 cm, 128 páginas, R$ 16,90), trazendo quadrinhos raros da turma criada por Marjorie Henderson Buell (Marge), incluindo algumas que foram originariamente censuradas nos Estados Unidos, nas décadas de 1940 e 1950, e com colorização fiel aos originais.
Dentre os destaques, está a história de estreia da bruxa Alceia. Na trama, inédita no Brasil, a personagem ainda não tinha nome, porém já trazia os traços e comportamentos que a caracterizam.
Outros personagens, como Bolinha, também participam. Sua HQ é a que estreou na revista Tubby – Capitão Yo-Yo (Tubby é nome dele nas edições norte-americanas). À época, a trama encontrou dificuldades para publicação por ser mais longa, com 34 páginas.
Já a aventura Bicho Papão foi censurada na década de 1940 por ser considerada forte demais para as crianças da época.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Nariz de Vidro- Mário Quintana


       Nariz de vidro, de Mário Quintana

          O mundo poético deste livro é feito de ternura, melancolia da infância e um humor irônico transparente.É uma coletânea do melhor da obra deste poeta, um dos maiores da poesia, um dos maiores da poesia brasileira de todos
os tempos.Um livro para não se perder, da juventude.
           Em um dos maiores exemplos de sensibilidade poética, Mario Quintana apresenta o amor de criança e as imagens da infância em uma coleção de poemas selecionados por Mary Weiss e publicados em 1984.


          A moça do arame, equilibrando a sobrinha, perturba o menino. Uma flor nasce, curiosa e ingênua. Um idiota da aldeia tem um surrão todo de penas cheio e a aia despetala estrelas para embalar o sono do reizinho, enquanto um anjo, todo molhado, soluça no seu flautim. Assim são os poemas da obra Nariz de vidro

        pássaros que chegam
        não se sabe de onde e pousam
        no livro que lês
          Quando fechas o livro, eles alçam voo
           como de um alçapão
.

          Os textos de Mário Quintana tematizam a vida, fazendo reflexões sobre seu significado. Pequenos flashs da natureza, uma cena do cotidiano, um relato de amor-criança, esses poemas encantam adolescentes e adultos. Muita delicadeza, lirismo e nostalgia são as marcas dessa coletânea.

Poemas escolhidos

O POEMA

Um poema como um gole d’água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para
         [Sempre na floresta noturna.

Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.


RECORDO AINDA...

Recordo ainda ... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite mortal!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada fora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...


O CIRCO O MENINO A VIDA

A moça do arame
Equilibrando a sombrinha
Era de uma beleza instantânea e fulgurante!
A moça do arame ia deslizando e despindo-se.
Lentamente.
Só para judiar.
E eu com os olhos cada vez mais arregalados
Até parecerem dois pires:
Meu tio dizia:
“bobo!”
Não sabes
Que elas sempre trazem uma roupa de malha por baixo?
(Naqueles voluptuosos tempos não havia nem maiôs nem biquínis...)
Sim! Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens
Segredava-me
Sempre:
“Quem sabe?”

Eu tinha oito anos e sabia esperar.

Agora não sei esperar mais nada
Desta nem da outra vida.
No entanto
O menino
(que não sei como insiste em não morrer em mim)
ainda e sempre
apesar de tudo
apesar de todas as desesperanças,
o menino
às vezes segreda-me baixinho
“Titio, que sabe?...”

Ah, meu Deus, essas crianças!


INSCRIÇÃO PARA UMA BARREIRA

A vida é um incêndio: nela
Dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
Se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
Cantemos a canção da vida,
Na própria luz consumida...


A GENTE AINDA NÃO SABIA

A gente ainda não sabia que a Terra era redonda.
E pensava-se que nalgum lugar, muito longe,
Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer
— uma tabuleta meio torta
E onde se lia, em letras rústicas: FIM DO MUNDO.
Ah! Depois nos ensinaram que o mundo não tem fim
E não havia remédio senão irmos andando às tontas
Como formigas na casca de uma laranja.
Como era possível, como era possível, meu Deus,
Viver naquela confusão?
Foi por isso que estabelecemos uma porção de fins de mundo...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

10 livros mais lidos no mundo


10 LIVROS MAIS LIDOS NO MUNDO

O escritor e apresentador inglês James Chapman compilou, baseado em número de vendas, os 10 livros mais lidos nos últimos 50 anos. Vale ressaltar que entre eles há um brasileiro, Paulo Coelho. Confira o resultado, os valores estão em milhões:
Tradução dos nomes: A Bíblia SagradaO Livro VermelhoHarry PotterO Senhor dos AnéisO Alquimista,O Código Da Vinci, a saga Crepúsculo…E o vento levouQuem pensa enriquece e O diário de Anne Frank.

Para quem não faz parte da multidão que já leu algum destes, a Biblioteca conta com a maioria em seu acervo. Confira o que está disponível e uma breve descrição:

A Bíblia Sagrada - Tradição, exatidão e fluência são as marcas da versão Almeida Século 21 escolhida pela Hagnos para a sua Bíblia de Bolso com letra média. Nesta Bíblia, a Hagnos procurou um design moderno desde a capa até a fonte, que seja agradável aos olhos, visando tornar a leitura mais fácil e prazerosa.
Fonte: Livraria Cultura.
Harry Potter (J.K. Rowling) – A BSP conta com todos os sete livros que contam a história do menino bruxo, incluindo versões em audiolivro.
O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien) – A narrativa deste livro desenvolve-se em meio a inúmeras mudanças de cenários e de personagens, num mundo imaginário convincente em seus detalhes. Tolkien criou em ‘O Senhor dos Anéis’ uma nova mitologia, num mundo inventado que demonstrou possuir um poder de atração atemporal. Esta edição reúne os três livros da série.
Fonte: Editora Martins Fontes
O Alquimista (Paulo Coelho) - Quando uma pessoa realmente deseja algo, o Universo inteiro conspira para que seu sonho se realize. Santiago, o protagonista deste livro, conduz o leitor através de sua história, em uma aventura completamente diferente.
Fonte: Livraria Cultura.
O Código Da Vinci (Dan Brown) -  Mesclando ingredientes de uma envolvente história de suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, Dan Brown consagrou-se como um dos autores mais conhecidos da atualidade.
Fonte: Livraria Cultura.
Saga Crepúsculo (Stephenie Meyer)– A BSP conta com os quatro livros do fenômeno mundial que conta a história de uma mortal que se apaixona por um vampiro.
Quem pensa enriquece (Napoleon Hill)-  Convivendo com mitos como Henry Ford, Theodore Roosevelt, King Gillette e John Rockefeller, o autor deve ter encontrado 15 características comuns a todos esses grandes vencedores, visando auxiliar as pessoas a se tornarem ricas.
Fonte: Livraria Cultura.
O Diário de Anne Frank (Anne Frank) -  Anne Frank registrou admiravelmente a catástofre que foi a Segunda Guerra Mundial. Seu diário está entre os documentos mais duradouros produzidos neste século, mas é também uma narrativa tenra e incomparável, que revela a força indestrutível do espírito humano.


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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Resumo da obra Sagarana- Guimarães Rosa

"Sagarana" - Resumo da obra de Guimarães Rosa

17/09/2012 00h 56
Primeira obra de Guimarães Rosa a sair em livro, traz nove contos, nos quais o universo do sertão, com seus vaqueiros e jagunços, surge no estilo marcante que o escritor iria aprofundar em textos posteriores.

- Leia a análise de Sagarana

Elementos estruturais e resumos
Os narradores de "Sagarana" têm o estilo marcante criado por Guimarães Rosa, cuja principal característica é a oralidade. No entanto, esse traço ainda não está tão acentuado como em obras posteriores, como "Grande Sertão: Veredas" e "Primeiras Estórias", entre outras. Considerando que a oralidade acentuada é um dos principais obstáculos para a leitura de Guimarães Rosa, o livro "Sagarana" é uma excelente opção para iniciar-se na obra do autor.

Em relação ao foco narrativo, com exceção dos contos “Minha Gente” e “São Marcos” – que são narrados em primeira pessoa –, os demais possuem narradores em terceira pessoa. Quanto ao tempo e ao espaço de "Sagarana", pouco há o que ser dito. Sobre o primeiro elemento, vale destacar a linearidade da narrativa, que se desenvolve na maior parte sob o tempo psicológico dos personagens.

O espaço é quase sempre Minas Gerais. Mais especificamente, o interior do estado. Vale uma atenção maior para o nome dos povoados e vilarejos dos contos. Os estados de Goiás e do Rio de Janeiro são mencionados no livro, mas têm pouca relevância na narrativa.

“O burrinho pedrês”
Enredo: Sete-de-Ouros é um burrinho decrépito que já fora bom e útil para seus vários donos. Esquecido na fazenda do Major Saulo, tem o azar de ser avistado numa travessia pelo dono da fazenda, que o escala para ajudar no transporte do gado. Na travessia do Córrego da Fome, todos os cavalos e vaqueiros morrem, exceto dois: Francolim e Badu; este montado e aquele agarrado ao rabo do Burrinho Sete-de-Ouros.
Principais personagens: Sete-de- Ouros (burrinho pedrês), Major Saulo, Francolim e Badu.

“A volta do marido pródigo”
Enredo: Lalino é um típico malandro que não aprecia o trabalho, apenas a boa vida. Abandona o serviço na estrada de ferro e vai para o Rio de Janeiro, largando sua mulher, Maria Rita, a Ritinha, na região. No retorno, a encontra casada com o espanhol Ramiro. Torna-se cabo eleitoral do Major Anacleto, que, graças a ele, ganha a eleição. Laio, como também é conhecido, reconcilia-se com Maria Rita no fim do conto.
Principais personagens: Lalino Salathiel, Maria Rita, Ramiro e Major Anacleto.

“Sarapalha”
Enredo: a história de dois primos, Ribeiro e Argemiro, contagiados pela malária que se espalhou no vau de Sarapalha. Os dois estão solitários na região, já que parte da população morrera e os demais fugiram, entre os quais a mulher de Ribeiro, Luísa. Argemiro, percebendo a iminência da morte e desejando ter a consciência tranqüila, confessa o interesse pela esposa do primo. Ribeiro reage à confissão de forma agressiva e expulsa Argemiro de suas terras, sem nenhuma complacência.
Principais personagens: Primo Ribeiro e Primo Argemiro.

“Duelo”
Enredo: Turíbio flagra sua mulher, Silvana, com o ex-militar Cassiano Gomes. Ao procurar vingar sua honra, confunde-se e acaba matando o irmão de Cassiano Gomes. Turíbio foge para o sertão e é perseguido pelo ex-militar. Nessa disputa, os dois alternam os papéis de caça e de caçador. Cassiano adoece e, antes de morrer, ajuda um capiau chamado Vinte-e-um, que passava por dificuldades financeiras. Turíbio volta para casa e é surpreendido por Vinte-e-um, que o executa para vingar seu benfeitor.
Principais personagens: Turíbio Todo, Cassiano Gomes, Silvana e Vinte-e-um.

“Minha gente”
Enredo: Emílio visita a fazenda de seu tio, candidato às eleições, e apaixona-se por sua prima Maria Irma, mas não é correspondido. Ela se interessa por Ramiro, noivo de outra moça. Emílio finge-se enamorado de outra mulher. O plano falha, mas a prima apresenta-lhe sua futura esposa, Armanda. Maria Irma casa-se com Ramiro Gouveia.
Principais personagens: Emílio (narrador), Maria Irma, Ramiro Gouveia e Armanda.

“São Marcos”
Enredo: José, narrador-personagem, é supersticioso, mas mesmo assim zomba dos feiticeiros do Calango-Frito, em especial de João Mangolô. Izé, como é conhecido o protagonista, recita por zombaria a oração de São Marcos para Aurísio Manquitola e é duramente repreendido por banalizar uma prece tão poderosa.

Certo dia, caminhando no mato, Izé fica subitamente cego e passa a se orientar por cheiros e ruídos. Perdido e desesperado, recita a oração de São Marcos. Guiando-se pela audição e pelo olfato, descobre o caminho certo: a cafua de João Mangolô. Lá, irado, tenta estrangular o feiticeiro e, ao retomar a visão, percebe que o negro havia colocado uma venda nos olhos de um retrato seu para vingar-se das constantes zombarias.
Principais personagens: José, ou Izé (narrador), Aurísio Manquitola e João Mangolô.

“Corpo fechado”
Enredo: Manuel Fulô, falastrão que se faz de valente, é dono de uma mula cobiçada pelo feiticeiro Antonico das Pedras-Águas. Este, por sua vez, tem uma sela cobiçada por Manuel. Enquanto o protagonista se gaba de pretensas valentias, o verdadeiro valentão Targino aparece e anuncia que dormirá com sua noiva. Desesperado, Manuel recebe a visita do feiticeiro, que promete fechar-lhe o corpo em troca da mula. Após o trato, há o duelo entre os dois personagens; o feitiço parece funcionar e Manuel vence a porfia.
Principais personagens: Manuel Fulô, feiticeiro Antonico das PedrasÁguas e Targino.

“Conversa de bois”
Enredo: conta a viagem de um carro de bois que leva uma carga de rapadura e um defunto. Vai à frente Tiãozinho, o guia, chorando a morte do pai, ali transportado, e Didico. Tiãozinho, que se tornara dependente de Soronho, angustiava- se com este por dois motivos: ele maltratava os bois e havia desfrutado os amores de sua mãe durante a doença do pai.
Paralelamente, o boi Brilhante conta aos outros a história do boi Rodapião, que morrera por ter aprendido a pensar como os homens. Há uma indignação entre os animais em relação aos maus-tratos que os humanos lhes infligem. Agenor, para exibir a Tiãozinho seus talentos como carreiro, obriga, de forma cruel, os bois a superar a ladeira onde a carroça de João Bala havia tombado. Superado o obstáculo, os bois aproveitam-se do cochilo de Agenor e puxam bruscamente a carroça, matando seu algoz.
Principais personagens: Tiãozinho, Didico, Agenor, Soronho e o boi Brilhante.

“A hora e a vez de Augusto Matraga”
Enredo: Augusto Estêves manda e desmanda no pequeno povoado em que vive. Pródigo, com a morte do pai perde todos os seus bens. Certo dia, Quim Recadeiro dá-lhe dois recados que alterarão sua vida: perdera os capangas para seu inimigo, o Major Consilva, e a mulher e a filha, que fugiram com Ovídio Moura.
Augusto Estêves vai sozinho à propriedade do major para tomar satisfação com seus ex-capangas. O Major Consilva ordena que Nhô Augusto seja marcado a ferro e depois morto. Ele é espancado à exaustão; depois os homens esquentam o ferro usado para marcar o gado do major e queimam o seu glúteo. Augusto, desesperado, salta de um despenhadeiro.
Quase morto, o protagonista é encontrado por um casal de pretos, que cuida dele e chama um padre para seu alívio espiritual. Nhô Augusto decide que sua vida de facínora chegara ao fim. Recuperado, foge com os pretos para a única propriedade que lhe restara, no Tombador. Trabalha de sol a sol para os habitantes e para o casal que o salvara, em retribuição a tudo que fizeram por ele. Leva uma vida de privações e árduo trabalho, com a finalidade de purgar seus pecados e, assim, ir para o céu.
Um dia, aparece na cidade o bando de Joãozinho Bem-Bem, o mais temido jagunço do sertão. Nhô Augusto e o famigerado jagunço tornam-se amigos à primeira vista e, depois da breve estada, despedem-se com pesar. Com o tempo, Nhô Augusto resolve sair do Tombador, pressentindo a chegada da “sua hora e vez”. Encontra-se por acaso com Joãozinho Bem-Bem, que está prestes a executar uma família, como forma de vingança. Nhô Augusto pede a Joãozinho Bem-Bem que não cumpra a execução. O jagunço encara essa atitude de Nhô Augusto como uma afronta e os dois travam o duelo final, no qual ambos morrem.

Sobre Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 na cidade de Cordisburgo, Minas Gerais. Autodidata, começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês, quando nem completara 7 anos. Em 1925 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, formando-se em 1930. No mesmo ano, casou-se com Lígia Cabral Penna, com quem teve duas filhas.

Passou a exercer a profissão de médico no interior de Minas Gerais, onde teve um primeiro encontro com os elementos e a realidade do sertão. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 atuou como médico voluntário. Mais tarde foi aprovado no concurso e ingressou na Força Pública. Em 1934 foi aprovado em um concurso para o Itamaraty e exerceu diversas funções diplomáticas no exterior, tais como a de cônsul em Hamburgo, na Alemanha – onde conheceu Aracy Moebius de Carvalho (Ara), sua segunda mulher. De volta ao Brasil, em 1951, assumiu outros cargos no Itamaraty, sendo promovido em 1958 a ministro de primeira classe, cargo correspondente a embaixador.

Ao lado de sua atividade profissional, como médico ou como diplomata, Guimarães Rosa nunca deixou de escrever. Tinha também paixão por aprender outros idiomas. Seus conhecimentos nesse campo impressionavam pela amplitude: falava fluentemente alemão, francês, inglês, espanhol, italiano e esperanto, além de um pouco de russo. Lia em sueco, holandês, latim e grego. Havia estudado também a gramática das seguintes línguas: húngaro, árabe, sânscrito, lituano, polonês, tupi, hebraico, japonês, tcheco, finlandês e dinamarquês.

A estreia literária de Guimarães Rosa se deu em 1929, quando a revista “O Cruzeiro” publicou alguns contos seus, vencedores de um concurso literário da edição. Seu primeiro livro, a coletânea de contos Sagarana, foi publicado em 1946 e chamou muita atenção pelas inovações técnicas e riqueza de simbologias.

O escritor fez, em maio de 1952, um percurso de 240 quilômetros no sertão mineiro, durante dez dias, conduzindo uma boiada. Na viagem, anotou expressões, casos, histórias, procurando apreender de forma mais profunda aquele universo com o qual tinha contato desde a infância. Seu intuito era recriar literariamente o sertão, dando voz a seus personagens. Dessa viagem resultou seu único romance, "Grande Sertão: Veredas", publicado em 1956 e tido como um dos mais importantes textos da literatura brasileira de todos os tempos.

Em 1961, Guimarães Rosa recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Candidatou-se à Academia Brasileira de Letras, pela segunda vez, em 1963 e foi eleito por unanimidade. Mas não foi empossado imediatamente, porque adiou a cerimônia enquanto pôde. Dizia ter medo de morrer no dia do evento. Só tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois, em 19 de novembro, morreu subitamente em seu apartamento no Rio de Janeiro, de infarto.

Suas principais obras são: "Sagarana" (1946), "Grande Sertão: Veredas" (1956), "Corpo de Baile" (1956; atualmente é publicada em três volumes: "Manuelzão e Miguilim", "No Urubuquaquá, no Pinhém" e "Noites do Sertão") e "Primeiras Estórias" (1962).

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A cigarra e a formiga


A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine.
Tendo a cigarra cantado durante o verão,
Apavorou-se com o frio do inverno
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
pedindo-lhe alguns grãos para aguentar
Até vir uma época mais quentinha!
- "Eu lhe pagarei", disse ela,
- "Antes do verão, palavra de animal,
Os juros e também o capital."
A formiga não gosta de emprestar,
É esse um de seus defeitos.
"O que você fazia no calor de outrora?"
Perguntou-lhe ela com certa esperteza.
- "Noite e dia, eu cantava no meu posto,
Sem querer dar-lhe desgosto."
- "Você cantava? Que beleza!
Pois, então, dance agora!"

[editar]Tradução de Bocage

A cigarra e a formiga (Projeto Gutenberg)
Tendo a cigarra em cantigas
Passado todo o verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Até voltar o aceso estio.
- "Amiga", diz a cigarra,
- "Prometo, à fé d'animal,
Pagar-vos antes d'agosto
Os juros e o principal."
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
- "No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: - "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
- "Oh! bravo!", torna a formiga.
- "Cantavas? Pois dança agora!"

[editar]Moral

  • "Você colhe o que planta"
  • Os seus atos geram consequências.

[editar]Ver também

Jornal Literário — Resumindo a Literatura Homenageado da edição: Ferreira Gullar

  1. Abertura da postagem Nesta edição do Jornal Literário — Resumindo a Literatura , o homenageado é Ferreira Gullar , um dos grandes no...